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Os traços que marcam a identidade brasileira contemporânea, segundo Clóvis de Barros Filho

Em entrevista ao Canal UM BRASIL, filósofo também avalia urgência de uma grade escolar voltada à educação cívica

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Clóvis Barros: o filósofo enfatiza que, entre os brasileiros que decidem deixar o País, a violência tende a ser a principal justificativa (Um Brasil/Divulgação)

Clóvis Barros: o filósofo enfatiza que, entre os brasileiros que decidem deixar o País, a violência tende a ser a principal justificativa (Um Brasil/Divulgação)

Muitos dos traços os quais o povo brasileiro historicamente costumava destacar como símbolos de uma identidade nacional são facilmente desmentidos pela realidade. Segundo Clóvis de Barros Filho, filósofo e professor livre-docente em Ética na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP), as imagens da camaradagem, da simpatia e da cordialidade, ao longo do tempo, foram dando lugar a uma espécie de recrudescimento da truculência que se instalou entre nós de maneira muito clara.

“Nós sempre tivemos a necessidade de dizer o que é ser brasileiro, não só internamente — como uma constatação de nós mesmos —, mas também na relação com o estrangeiro, porque nos cobram. Contudo, como sempre acontece, a definição da nossa identidade não é nosso monopólio. Hoje, a questão da violência entre as pessoas é, sem dúvida, o primeiro traço identitário que costuma ser mencionado no mundo sobre o Brasil”, afirma.

Barros Filho enfatiza que, entre os brasileiros que decidem deixar o País, a violência tende a ser a principal justificativa. De acordo com ele, até mesmo as questões clássicas de estereótipos — que envolvem futebol, carnaval e uso do corpo feminino como objeto de desejo —, tão propalados em outros tempos, foram minorados, senão esquecidos. “É muito menos provável que alguém, ao falar de Brasil, perca tempo citando o futebol”, complementa.

Educação cívica é urgente

Na entrevista ao Canal UM BRASIL — uma realização da FecomercioSP —, o filósofo enfatiza que, neste momento, dentro do campo da filosofia educacional, tudo o que envolve a educação cívica e o que diz respeito a interagir e a conviver com o outro faz parte da discussão mais urgente no País.

“Nunca me foi trazida uma discussão sistemática curricular sobre viver em coletividade, a participação de um movimento de construção de uma sociedade mais justa, de que maneira nos relacionamos com eventual poder do Estado, quais são suas condições de legitimidade etc. Por que não há a preocupação de ter isso, curricularmente, como uma disciplina própria ou, no mínimo, equivalente às formações matemática e científica?”, questiona.

Outro tema do bate-papo é a qualidade da educação brasileira. Barros Filho salienta que a excelência das escolas públicas municipais, por exemplo, nunca se impõe como uma diretriz de avaliação de gestão governamental. Isso ocorre em decorrência da falta de importância social que o tema tem, argumenta. “Para um político se conservar ou aumentar o poder que tem, ele não precisa se preocupar com a qualidade da educação pública, porque a própria sociedade não enxerga esse aspecto da gestão entre os mais relevantes. O desdém pela questão escolar não é punido nas urnas.

A oportunidade diária de mudar a história nacional

Por fim, Barros Filho pondera que a história brasileira não pode ser considerada o “código genético” da Nação, capaz de transpor e limitar os caminhos de transformação social do presente e do futuro. “Não temos de viver como vivemos porque as coisas foram no passado como foram. A cada segundo, temos a chance de redefinir os patamares da nossa sociedade e da nossa vida. Não é possível que, em 500 anos, não tenhamos tido a oportunidade de reverter um cenário que, talvez, tenha começado desfavorável. Cada instante é uma oportunidade generosa de revolucionar e subverter em nome de uma nova realidade”, conclui.

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