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Teich diz que não tinha autonomia para conduzir Ministério da Saúde

Em depoimento à CPI da Covid, ex-ministro afirma que não foi informado sobre produção de cloroquina pelo Exército

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Ex-ministro de Estado da Saúde, Nelson Teich., depõe na CPI da Covid. (Jefferson Rudy/Agência Senado/Flickr)

Ex-ministro de Estado da Saúde, Nelson Teich., depõe na CPI da Covid. (Jefferson Rudy/Agência Senado/Flickr)

A
Alessandra Azevedo, de Brasília

Publicado em 5 de maio de 2021 às, 11h10.

Última atualização em 8 de maio de 2021 às, 01h52.

O ex-ministro da Saúde Nelson Teich, que esteve à frente da pasta entre abril e maio de 2020, afirmou à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid-19 nesta quarta-feira, 5, que foi demitido por discordar do presidente Jair Bolsonaro em relação ao uso da cloroquina para tratar a doença, mesmo sem comprovação científica. 

Teich afirmou que não tinha autonomia nem liderança para conduzir o ministério e que não era consultado sobre certos assuntos, como a distribuição de cloroquina. “As razões da minha saída do ministério são públicas. Elas se devem basicamente à constatação que não teria a autonomia e a liderança que imaginava indispensáveis ao exercício do cargo”, disse.

“Essa falta de autonomia ficou mais evidente em relação às divergências do governo quanto à eficácia da extensão do uso do medicamento cloroquina para tratamento da covid-19”, reforçou Teich, sucessor de Luiz Henrique Mandetta no ministério. O posicionamento do presidente foi de encontro com o dos dois ex-ministros.

Sobre a demissão, Teich disse que "o pedido específico [de exoneração] foi pelo desejo de ampliação do uso da cloroquina", mas ressaltou que esse era "um problema pontual, que refletia uma falta de autonomia e uma falta de liderança".

Teich disse que tinha “convicção pessoal, baseada em estudos”, de que não havia evidência de eficácia para liberar a cloroquina, mas o Planalto discordava. “Existia um entendimento diferente por parte do presidente, que era amparado na opinião de outros profissionais, até do Conselho Federal de Medicina, que, naquele momento, autorizou a extensão do uso, e isso foi o que motivou a minha saída”, explicou.

    O senador Renan Calheiros (MDB-AL), relator da CPI, perguntou quando exatamente Teich decidiu pedir a exoneração. O ex-ministro contou que tomou a decisão em uma semana em que Bolsonaro se encontrou com empresários e anunciou que o uso da cloroquina seria expandido. “À noite, teve uma live em que ele coloca que espera que, no dia seguinte, vá acontecer isso, a expansão do uso. No dia seguinte, peço minha exoneração”, disse.

    O ex-ministro disse que não foi informado sobre a produção de cloroquina pelo Exército. O envio do medicamento a estados e municípios também não passou pela orientação do ministério, segundo Teich. “No que vivi naquele período, a gente nem falava em cloroquina”, afirmou. 

     

    CPI

    A CPI foi instalada em 27 de abril, após o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luís Roberto Barroso determinar a abertura. Estão previstas para quinta-feira, 6, as oitivas do atual ministro, Marcelo Queiroga, e do presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Antonio Barra Torres.

    Na terça-feira, 4, a comissão ouviu o ex-ministro Luiz Henrique Mandetta, que ocupou o cargo antes de Teich. No depoimento, Mandetta afirmou que Bolsonaro discordava das recomendações de isolamento social e que o presidente foi avisado sobre a possibilidade de colapso do sistema de saúde.

    Mandetta também disse que o presidente tinha um “assessoramento paralelo”, com médicos que não faziam parte da equipe do ministério e defendiam o uso de medicamentos sem eficácia comprovada, como a cloroquina. Segundo o ex-ministro, a recomendação de uso do remédio não partiu do ministério. O vereador Carlos Bolsonaro, filho de Bolsonaro, participava de algumas reuniões e tomava notas.

     

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