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Ocupação de UTI no estado de SP salta de 42% para 60% em um mês

Em algumas cidades do interior a ocupação chega perto dos 100%. Medidas de restrição adotadas na semana passada visam evitar colapso do sistema

 (Rovena Rosa/Agência Brasil)

(Rovena Rosa/Agência Brasil)

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Gilson Garrett Jr

14 de dezembro de 2020, 17h09

De acordo com dados da Secretaria Estadual da Saúde de São Paulo, no dia 14 de novembro as unidades de terapia intensiva tinha uma ocupação de 42%. Um mês depois, no domingo, 13, a ocupação saltou para 60%. A Grande São Paulo está com uma ocupação de 66%.

“Estamos atentos, estamos em ação e otimizamos desta forma a disponibilidade de leitos de UTI com a habilitação de cerca de 2.000 leitos. Também ampliaremos a oferta de leitos de enfermaria que divulgaremos nos próximos dias”, disse o secretário da Saúde, Jean Gorinchteyn, em entrevista coletiva nesta segunda-feira, 14.

No começo de novembro, o estado registrou em uma média móvel, que contabiliza o número médio diário em uma semana, de 857 novas internações de pessoas com a covid-19 em leitos de enfermaria e de UTI. Na última semana foram realizadas uma média diária de 1.435 novas internações. O valor é comparado ao começo de setembro.

(Governo de SP/Reprodução)

Em relação ao número de casos, o estado tinha há um mês uma média diária de 1.401 novos testes positivos para a covid-19. Na última semana este número soltou para 6.954. Em relação a mortes, a média diária é de 143, valor que não era visto desde outubro.

Interior preocupa

Em algumas regiões do interior de São Paulo a situação de ocupação de leitos de UTI é preocupante. Na área de Sorocaba, a taxa de ocupação está em 66%, mas na cidade o panorama é mais crítico. Dos sete hospitais referência de covid-19, há dois - Unimed e Abib Janete - com 100% da capacidade ocupada. Outros três estão com 90%, segundo informações da prefeitura divulgadas no domingo, 13.

Na região de Campinas a taxa de ocupação está em 60%. Especificamente na cidade, na semana passada teve um pico de 87% de ocupação, contabilizando as redes pública e privada. Na pública chegou a ficar perto de 100%. Os dados são da prefeitura, divulgados em boletim na sexta-feira, 11.

Alerta para Natal e ano novo

Autoridades de saúde estão preocupadas que as festas de fim de ano, em que as aglomerações são mais frequentes, deixem a situação ainda pior, podendo levar a uma explosão de casos logo no início de 2021.

O então coordenador do Centro de Contingência da Covid-19 do estado de São Paulo, José Medina, fez um alerta na semana passada dizendo que este momento é pior do que o primeiro pico, registrado no meio do ano, pela alta possibilidade de transmissão.

“O crescimento deste segundo pico é pior porque a base de infectantes é muito maior. Todos nós lembramos que no começo uma região tinha muitos casos e em outras regiões não tinham registros. Hoje, todas as cidades brasileiras têm pelo menos um caso”, disse.

Mudança na quarentena

O governo de São Paulo fez uma alteração extraordinária na quarentena do estado. Desde o sábado, 12, os bares precisam fechar até as 20 horas, antes era até as 22 horas. Os shoppings e o comércio de rua tiveram o horário de funcionamento ampliado, de 10 horas para 12 horas. Em ambos os casos a capacidade se mantém a mesma, 40%. A medida tem validade por 30 dias.

No caso dos restaurantes, eles podem abrir até 22 horas, mas o serviço de bebida alcoólica deve ser finalizado às 20 horas. Segundo o governo, a determinação tem o objetivo de evitar aglomerações com as compras de fim de ano e diminuir o contágio entre jovens.