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Festas de fim de ano podem levar a explosão de casos de covid-19

Autoridades de saúde alertam que aglomerações podem aumentar a contaminação do coronavírus. Hospitais de algumas capitais estão quase em colapso
Rua 25 de Março, em São Paulo, registra aglomerações neste fim de ano. (Fotos Públicas/Paulo Pinto)
Rua 25 de Março, em São Paulo, registra aglomerações neste fim de ano. (Fotos Públicas/Paulo Pinto)
Por Gilson Garrett Jr. e Gabriel JustoPublicado em 13/12/2020 09:00 | Última atualização em 11/12/2020 18:38Tempo de Leitura: 6 min de leitura

Os novos casos de covid-19 no Brasil estão em tendência de alta desde o fim de novembro. Na última semana foram registrados valores diários de novas infecções que não eram vistos desde agosto. Com isso, leitos de UTI voltaram a ficar cheios e alguns sistemas de saúde estão próximos de um colapso.

Autoridades de saúde estão preocupadas que as festas de fim de ano, em que as aglomerações são mais frequentes, deixem a situação ainda pior, podendo levar a uma explosão de casos logo no início de 2021.

O coordenador do Centro de Contingência da Covid-19 do estado de São Paulo, José Medina, fez um alerta na semana passada dizendo que este momento é pior do que o primeiro pico, registrado no meio do ano, pela alta possibilidade de transmissão.

“O crescimento deste segundo pico é pior porque a base de infectantes é muito maior. Todos nós lembramos que no começo uma região tinha muitos casos e em outras regiões não tinham registros. Hoje, todas as cidades brasileiras têm pelo menos um caso”, disse.

“Nós temos de abolir o ‘boas festas’ por ‘fique em casa’. Temos de utilizar aquele Feliz Natal e Ano-Novo sem muita festa, sem aglomeração de pessoas”.

José Medina, coordenador do Centro de Contingência da Covid-19 do estado de São Paulo.

A mesma opinião é compartilhada pela professora da Universidade Estadual de Campinas e consultora da Sociedade Brasileira de Infectologia, Raquel Stucchi. Ela recomenda que viagens devem ser feitas de curtas distância e os encontros restritos a no máximo dez pessoas.

"Viaje com o seu núcleo familiar ou que conviveram com você nesse período de pandemia. E, sempre, dar preferência a locais abertos e de máscara. Só tira a máscara para comer", orienta.

Casos em crescimento

Quando se analisa o número de infectados pelo coronavírus por semana epidemiológica, considerada pelos pesquisadores a melhor maneira de analisar os dados, percebe-se uma tendência de aumento de casos de covid-19 em todo país.

As semanas epidemiológicas são estabelecidas por convenção internacional para o controle e apuração de dados sobre uma epidemia ou pandemia. Sempre são contadas de domingo a sábado.

A última semana registrou um total de 286.905 casos confirmados, o maior número desde o começo de agosto e um aumento de 20% se comparado com a semana anterior. Em relação às mortes, foram registradas 4.067, o maior número de vítimas em um mês.

No estado de São Paulo a última semana teve a conformação de 6.713 novos casos. É um crescimento de quase 45% se comparado com a semana anterior. As internações também preocupam, e passaram de uma média diária de 850, no começo de novembro, para 1.409 na última quinta-feira, 10.

Para diminuir a pressão sobre os hospitais, na sexta-feira, 11, o governo de São Paulo fez uma alteração extraordinária na quarentena do estado. A partir de sábado, 12, os bares precisam fechar até as 20 horas, antes era até as 22 horas.

Os shoppings e o comércio de rua tiveram o horário de funcionamento ampliado, de 10 horas para 12 horas. Em ambos os casos a capacidade se mantém a mesma, 40%. A medida tem validade por 30 dias.

A decisão de São Paulo de restringir o horário dos bares impacta diretamente os jovens, população que registrou o maior aumento de infecções nos últimos meses, passando de 20% do total, em junho, para 27%, em novembro. As outras faixas etárias se mantiveram estáveis ou tiveram redução.

"O que os números mostram é que nós continuamos com o vírus circulando entre nós e que se houver descuido ou se continuarmos nos descuidando das medidas, teremos um começo de ano dramático. O aumento que estamos vendo agora tem a ver com os jovens, que viram a diminuição dos números junto com uma flexibilização do comércio e entenderam que o vírus estava indo embora."

explica a média infectologista Raquel Stucchi.

No Rio de Janeiro, a situação também é crítica, com praticamente todos os leitos destinados a pacientes de covid-19 ocupados, o sistema de saúde do Rio de Janeiro está à beira de um colapso. A ocupação das UTIs da rede pública já passa dos 90% com cerca de 250 pessoas com manifestações graves da doença aguardando vaga.

Governo e prefeitura prometeram abrir aproximadamente 300 vagas nos próximos 15 dias. Especialistas dizem que apenas a abertura de leitos não resolve e um colapso é iminente.

Na região Sul, Santa Catarina e Paraná adotaram toques de recolher durante a madrugada para tentar reduzir o aumento no número de casos e de internações. Na capital paranaense, Curitiba, a taxa de ocupação está acima de 90% desde o fim de novembro. Na sexta-feira, 11, havia 36 leitos disponíveis.

Assim como outras autoridades sanitárias pelo país, a secretária de saúde de Curitiba, Márcia Huçulak, vem alertando há algumas semanas que as festas de fim de ano serão propícias para aumentar o contágio do coronavírus e que é necessário manter o distanciamento.

Festas de Réveillon canceladas

Por todo o Brasil, governos estaduais e municipais suspenderam as festas de Réveillon para evitar aglomerações. Em julho, o prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB), decidiu cancelar a festa de Réveillon de 2020 para 2021 realizada na Avenida Paulista. O evento acontece desde 1996 na famoso ponto turístico da capital paulista.

Poucos dias depois, a cidade do Rio de Janeiro tomou a mesma decisão e suspendeu a festa da virada na praia de Copacabana. Florianópolis e Brasília também seguiram o mesmo caminho das maiores cidades do país e cancelaram as festas.

(Com Estadão Conteúdo)