Marina Silva é eleita uma das 10 pessoas mais influentes na Ciência no ano; veja lista

A lista divulgada nesta quarta-feira foi elaborada por editores da revista

Nature: Marina foi escolhida por estar à frente dos trabalhos de combate ao desmatamento da Amazônia, que apresentou queda este ano (Rodrigo Cabral/MCTI/Flickr)

Nature: Marina foi escolhida por estar à frente dos trabalhos de combate ao desmatamento da Amazônia, que apresentou queda este ano (Rodrigo Cabral/MCTI/Flickr)

Estadão Conteúdo
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Agência de notícias

Publicado em 14 de dezembro de 2023 às 09h34.

A revista científica Nature elegeu a ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima do Brasil, Marina Silva, como uma das 10 pessoas que mais contribuíram para “moldar a Ciência” em 2023. A lista, divulgada nesta quarta-feira, 13, foi elaborada por editores da revista e contempla personalidades que estiveram à frente de trabalhos e descobertas consideradas mais surpreendentes nos últimos meses no campo da Ciência.

Marina foi escolhida por estar à frente dos trabalhos de combate ao desmatamento da Amazônia, que apresentou queda este ano, bem como no aumento da fiscalização e aplicação de multas contra quem comete crimes ambientais.

Ao lado da brasileira, figuram na lista da Nature nomes como Ilya Sutskever, responsável pela criação do ChatGPT; Svetlana Mojsov, que está por trás da elaboração do hormônio dos medicamentos Wegovy e Ozempic, que ajudam na perda de peso; e também Halidou Tinto e Thomas Powles, cujos trabalhos levaram, respectivamente, ao desenvolvimento da vacina contra a malária, e de drogas que ajudam a prolongar a vida de pacientes com câncer de bexiga em estágio avançado (veja a lista abaixo).

A revista americana também elegeu o ChatGPT como um dos grandes destaques de 2023 no campo da Ciência. Essa é a primeira vez que a publicação escolhe um não-humano para a lista.

Revista destaca queda do desmatamento na Amazônia

A Nature destacou a queda de 43% do desmatamento da Amazônia entre janeiro e julho de 2023, em comparação com o mesmo período do ano passado, e a redução de 22% do desmatamento do mesmo bioma registrada entre agosto de 2022 e julho de 2023 ante os anos anteriores. “Esta foi uma mudança alta em relação aos quatro anos anteriores, que registraram um aumento acentuado neste tipo de alertas”, afirma a revista.

A Nature descreve também como “uma conquista importante” o lançamento, em junho, de uma nova versão do Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia Legal (PPCDAm), encerrado no governo anterior pelo então presidente Jair Bolsonaro.

“Entre janeiro e julho, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) emitiu 147% mais multas por crimes ambientais do que a média durante meses semelhantes entre 2019 e 2022", acrescentou a Nature.

A revista lembrou também que a chefe da pasta ambiental já esteve ao lado do presidente Lula no mesmo cargo (entre 2003 e 2008) nos dois primeiros mandatos do petista e que ela contribuiu com a redução de 83% no desmatamento entre 2004 e 2012 da Amazônia, por meio do PPCDAm, já criado na época.

Embora o desmatamento na Amazônia esteja em queda, o Cerrado sofre com o aumento da devastação. De acordo com dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), do Ministério da Ciência e Tecnologia, aumentou o desmatamento do bioma entre agosto de 2022 (ainda sob gestão Bolsonaro) e julho de 2023, em comparação com o mesmo período dos anos anteriores.

Na 28ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP28), Marina Silva defendeu a necessidade de o mundo eliminar a dependência dos combustíveis fósseis, e que os países precisam agir com urgência diante do aquecimento global.

Apesar do tom de Marina, o Brasil foi questionado na COP28 porque, durante o evento, o País anunciou que vai integrar a Opep+, grupo da Organização dos Países Produtores de Petróleo. Para os especialistas, essa posição foi um gesto ambíguo do atual governo.

Veja os demais nomes que estão na lista da Nature:

- Kalpana Kalahasti - Engenheira indiana que contribuiu diretamente para o sucesso da Chandrayaan-3, missão espacial da Organização Indiana de Pesquisa Espacial que consistiu em pousar em agosto de 2023, uma nave na Lua. O feito colocou a Índia na lista seleta de países, ao lado de China, Rússia e Estados Unidos, que conseguiram alcançar o solo lunar.

- Katsuhiko Hayashi - O biólogo da Universidade de Osaka, no Japão, surpreendeu ao conseguir produzir óvulos de camundongos a partir de células masculinas. Na prática, a descoberta permite a geração de animais a partir de dois pais, e não apenas pelo casal de dois seres de sexos diferentes. O feito, que reescreve as regras da reprodução sexual, pode ser importante para “ajudar a salvar espécies que estão perto de entrar em extinção”, afirmam os editores da Nature.

- Annie Kritcher - A física norte-americana foi incluída na lista da Nature pelos avanços que ela e sua equipe de pesquisadores, do National Ignition Facility, laboratório de ignição do Departamento de Energia dos Estados Unidos, na Califórnia, conseguiram no campo da fusão nuclear. Kritcher e demais pesquisadores geraram mais energia do que consumiram nos experimentos de fusão. As descobertas podem alçar a fusão nuclear como fonte de energia segura, limpa e quase ilimitada.

- Eleni Myrivili - A política e antropóloga cultural grega foi escolhida este ano para ser a primeira pessoa a ocupar o cargo de Diretora de Aquecimento das Nações Unidas (ONU). Sua missão é combater as alterações climáticas e mitigar as consequências do aquecimento global em um cenário no qual o planeta registra recordes de calor em diferentes lugares do mundo.

- Ilya Sutskever - Nascido na antiga União Soviética, em 1984, entrou na lista da Nature pela contribuição fundamental que deu no desenvolvimento do ChatGPT, sistemas de Inteligência Artificial (IA) conversacional, lançado pela empresa OpenAI em novembro do ano passado. Sutskever é o cientista-chefe da OpenAI em São Francisco, Califórnia, e esteve diretamente envolvido na demissão e na recontratação do presidente-executivo da empresa, Sam Altman, no mês passado.

- James Hamlin - O físico James Hamlin, da Universidade da Flórida, em Gainesville, não foi selecionado para figurar na lista da Nature por conta de alguma descoberta, mas sim por encontrar erros e inconsistências no resultado de um estudo de supercondutividade de autoria do também físico Ranga Dias, da Universidade de Rochester, Nova York. Suas observações não apenas obrigaram Dias a se retratar, mas desmascarou aquele que estava sendo considerado um achado de grande sucesso.

- Halidou Tinto - Diretor da Unidade de Investigação Clínica de Nanoro, em Burkina Faso, Halidou Tinto se destacou este ano pela produção de uma vacina contra a malária, que pode ajudar a proteger a vida de milhões de pessoas na África, continente diretamente atingido pela doença. O imunizante, batizado de R21, foi recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e se tornou a segunda no mundo a ser aprovada para proteger a população contra a enfermidade.

- Svetlana Mojsov - Sventlana Mojsov, bioquímica nascida na Iugoslávia, entrou para a lista da Nature em reconhecimento pelos estudos sobre o hormônio GLP-1, um inibidor de apetite responsável pelo sucesso e eficácia de medicamentos para perder peso, como Wegovy e Ozempic, altamente procurados em 2023 pela população. Integrante da Universidade Rockefeller, em Nova York, Mojsov teve um papel fundamental na identificação e caracterização da forma ativa do GLP-1, mas demorou para ter o devido reconhecimento.

- Thomas Powles - O pesquisador de câncer no Hospital St Bartholomew, em Londres, figura na lista porque este ano esteve à frente de estudos sobre tratamento de câncer de bexiga em estágio avançado, cujos resultados são considerados impressionantes: dois medicamentos que podem substituir a quimioterapia - tratamento convencional -, e capazes de prolongar a vida do paciente de 16 meses para 2,5 anos. O coquetel de drogas é o primeiro a ter um desempenho melhor do que o tratamento padrão em uso desde a década de 1980, afirma a revista.

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