Flávio Bolsonaro e Lula durante debate na TV Bandeirantes, no domingo, 18 de outubro (Renato Pizzutto/Band/Divulgação)
Repórter especial em Brasília
Publicado em 19 de outubro de 2026 às 17h10.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva levou vantagem na repercussão do debate presidencial da TV Bandeirantes, realizado neste domingo,18, nas publicações em redes sociais, mas o rival do petista, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) conseguiu maior apoio em aplicativos de mensagens, como o Telegram, de acordo com um levantamento realizado pela Palver nesta segunda-feira, 19.
De acordo com os dados do monitoramento, 59% das menções com posicionamento identificado nas redes sociais foram favoráveis a Lula, contra 41% de menções positivas para Flávio. Os percentuais desconsideram publicações neutras.
Nos aplicativos de mensagens, o resultado foi diferente: Flávio teve mais menções positivas que Lula no Telegram (59%), ao passo que no WhatsApp, o resultado foi equilibrado: 51% das manifestações favoreceram o bolsonarista, enquanto 49% foram a favor do petista, mesma proporção observada ao se considerarem as mensagens dos dois aplicativos somadas.
A maior vantagem de Lula ocorreu no X (antigo Twitter), com 73% das manifestações analisadas a favor dele. Já Flávio teve seu melhor desempenho no Telegram.
A Palver monitorou centenas de milhares de mensagens das 20h do domingo até 9h desta segunda-feira. Nos apps de mensagem, o levantamento notou que o conteúdo pró-Lula liderou na maior parte do intervalo entre 22h e 2h, mas a militância de Flávio retomou a dianteira a partir das 3h e chegou a 57% entre 7h e 8h. Nas redes sociais, a vantagem de Lula recuou de 60% para 53% na manhã desta segunda-feira.
O principal tema favorável a Lula foi a cobrança do petista por respostas de Flávio sobre os R$ 134 milhões solicitados pelo senador ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro para o filme Dark Horse, além do voto de Flávio contrário à ampliação da licença-maternidade quando era deputado estadual no Rio e o desafio para que os candidatos abrissem seus sigilos bancários e telefônicos. O senador não respondeu a essas perguntas de Lula.
As mensagens contrárias a Lula e pró-Flávio versaram principalmente sobre as associações do presidente e de seu partido, o PT, ao caso das fraudes do INSS, além de menções às investigações sobre Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e às acusações da lobista Roberta Luchsinger, que deu uma entrevista na véspera em que chama Lula de mentiroso e senil. O tema respondeu por 19% das mensagens analisadas e teve maior circulação nos aplicativos de mensagens.
Também aparece a defesa de Lula das chamadas "saidinhas" para presos que não cometem crimes graves, usada no conteúdo bolsonarista para retratá-lo como "aliado de criminosos".
O levantamento também identificou que 15% das manifestações concentraram-se no próprio espetáculo do confronto, incluindo provocações e frases de efeito. Entre os momentos de maior repercussão esteve a resposta de Lula à afirmação de Flávio de que presos votariam no petista: "Que votem 100%, até teu pai".
Segundo a Palver, o debate elevou a intensidade das discussões sobre a eleição a cerca de 1,8 vez a média registrada entre 5 e 17 de outubro.
O instituto afirma em seu relatório que Lula impôs a agenda do debate digital nas redes com o caso Vorcaro, o desafio do sigilo bancário e a frase "até teu pai", apoiado por mobilização organizada em grupos de WhatsApp, com mensagens idênticas e convocações para impulsionar buscas sobre Flávio no Google.
Já Flávio Bolsonaro saiu pressionado, segundo a análise da Palver, por passar "a carregar o rótulo de candidato que 'não responde'" às perguntas incômodas. "A pressão, porém, é relativa: Flávio preserva a dianteira na mensageria e no Telegram e recuperou terreno na manhã de 19".
A polarização e a circulação de acusações sem comprovação denotam um ambiente "propício à desinformação e à escalada de ataques pessoais" na reta final da eleição, de acordo com o monitoramento. Os resultados refletem o posicionamento das manifestações analisadas, e não uma pesquisa de intenção de voto.