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Gilmar Mendes acusa Mendonça de 'viés político-eleitoral' na condução do caso Master

Ministros trocaram acusações durante sessão do STF após críticas sobre tratamento dado a informações envolvendo Alexandre de Moraes e Kassio Nunes Marques

Gilmar Mendes negou o pedido de habeas corpus, sem entrar no mérito do tema (Antonio Augusto/STF/Divulgação)

Gilmar Mendes negou o pedido de habeas corpus, sem entrar no mérito do tema (Antonio Augusto/STF/Divulgação)

Publicado em 15 de setembro de 2026 às 12h53.

Última atualização em 15 de setembro de 2026 às 12h54.

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O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes afirmou nesta quinta-feira, 15,  que há um “inequívoco viés político-eleitoral” na condução do ministro André Mendonça como relator do caso envolvendo o Banco Master. A declaração provocou uma discussão entre os dois ministros durante a sessão do plenário.

Segundo Gilmar, informações envolvendo o ministro Kassio Nunes Marques, encontradas no celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, não receberam o mesmo tratamento dado a elementos relacionados ao ministro Alexandre de Moraes.

“De um lado, centenas de páginas produzidas de ofício à margem da competência do plenário e sem oitiva do titular da ação penal para reunir referências a um ministro. De outro, elementos que vêm a público que dizem respeito a outro ministro, que constam de dados oficiais do Coaf, que aparecem com nome e sobrenome no aparelho do principal investigado da operação, sem que se tenha visto o mesmo rigor ou qualquer tipo de impulso de ofício”, afirmou o ministro.

Durante a fala, Mendonça interrompeu o colega e disse: “Vossa Excelência está sendo leviano, ministro”.

Gilmar respondeu que Mendonça não tinha a palavra naquele momento. “Vossa Excelência não tem a palavra. Vai escutar com tranquilidade. Evidente condução político-eleitoral a escolha do 7 de Setembro. Isso não se faz, pessoas decentes não fazem isso”, declarou.

Mendonça rebateu: “Não aponte o dedo para mim, ministro Gilmar. Não está falando com qualquer um”.

Após a troca de acusações, Gilmar afirmou que “só merece respeito quem se dá ao respeito”.

O ministro afirmou que o interesse eleitoreiro de Mendonça é "evidente; trata-se de um pixuleco eleitoral".

"Quando um único integrante do tribunal reúne, de ofício (sem ser provocado) e sob sigilo, elementos que julga serem capazes de abalar a honra e a posição de outros ministros e os retém sem submetê-los ao órgão a quem competiria conhecê-los (a Procuradoria-Geral da República), como ocorreu neste caso, o que se produz não é apenas uma investigação irregular. Uma assimetria se produz (...), é uma atitude digna de máfia, covarde, vil", disse o ministro.

As declarações ocorreram durante o julgamento que analisa a possibilidade de abertura de uma investigação envolvendo o ministro Alexandre de Moraes, a partir de um relatório da Polícia Federal que reúne mensagens e outros registros usados pela corporação para apontar uma relação próxima entre Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

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