EXAME/IDEIA: brasileiros confiam mais no SUS e menos no governo federal

Novos dados mostram que quase metade da população mudou de opinião sobre as instituições públicas por causa da pandemia. Governos locais ganharam credibilidade, enquanto STF e Forças Armadas perderam

O avanço da pandemia e a forma como vem sendo enfrentada afetaram a percepção de quase metade dos brasileiros sobre as instituições.  De acordo com a mais recente pesquisa EXAME/IDEIA, projeto que une Exame Invest Pro, braço de análise de investimentos da EXAME, e o IDEIA, instituto de pesquisa especializado em opinião pública, 48% da população mudou de opinião sobre as principais instituições públicas.

Desses 48%, 21 pontos percentuais apresentaram melhora na confiança nos governos e nas instituições, enquanto que os outros 27 pontos percentuais se mostram mais desconfiados e negativos.

Dentre as instituições que ganharam credibilidade, destaca-se o Sistema Único de Saúde (SUS), que subiu no conceito de 36% dos cidadãos que relataram aumento de confiança. Logo em seguida vêm as prefeituras, com 24%, e os governos estaduais, com 23%.

Na outra ponta, o governo federal foi a instituição cuja percepção foi mais afetada, caindo no conceito de 36% dos brasileiros que se mostram decepcionados. O Supremo Tribunal Federal (STF) vem a seguir, com 27%. As Forças Armadas, que até poucas semanas atrás tinha um dos seus generais da ativa no comando do Ministério da Saúde, perderam a confiança de 18% dos cidadãos.

O levantamento ouviu 1259 pessoas entre os dias 5 e 7 de abril. A margem de erro é de três pontos percentuais para mais ou para menos. Clique aqui para ter acesso ao relatório completo.

 

Para Maurício Moura, fundador do IDEIA, as oscilações na confiança da população em relação às instituições nacionais refletem a reputação desses organismos. "O aumento da confiança no SUS, por exemplo, mostra a importância dele no imaginário da opinião pública."

Entre os mais pobres, que dependem quase que exclusivamente do SUS, essa percepção é ainda maior: 51% dos que ganham até um salário mínimo relatam aumento de confiança na saúde pública.

 

Em relação aos principais destaques negativos (governo federal, STF e Forças Armadas), essa sensação se deve ao combate da pandemia e todas as polêmicas envolvidas nesse processo. "Há uma correlação enorme entre insatisfação com a gestão da pandemia pelo Presidente Jair Bolsonaro e a perda de confiança com o executivo federal", diz Moura.

Para ele, as Forças Armadas também saíram menores como instituição. "A explicação reside, provavelmente, na fraca avaliação do General Eduardo Pazuello (da ativa) na gestão da Covid-19." Na rodada da pesquisa EXAME/IDEIA publicada no dia 26 de março, 35% das pessoas ouvidas avaliaram o trabalho do ex-ministro da Saúde como ruim ou péssimo.

 

 

Brasília X governos locais

Ao mesmo tempo que o governo federal descarta a adoção de um lockdown nacional e tenta acelerar a aquisição de novas vacinas, o trabalho de governadores e, principalmente, de prefeitos aparece melhor avaliado pela população do que o do executivo federal. Em relação à pandemia, enquanto o governo Bolsonaro tem 23% de avaliações ótimo/bom (mesmo número do novo ministro da saúde, Marcelo Queiroga), os governadores somam 29% e os prefeitos, 33%.

Do lado das avaliações negativas, os números também confirmam uma melhor avaliação dos governos locais em comparação com o federal. Com 33% de ruim ou péssimo, os prefeitos se posicionam melhor na avaliação da população do que governadores (38%), e o governo Bolsonaro, cujo trabalho em relação à pandemia foi avaliado como ruim ou péssimo por 55% dos entrevistados. Leia mais aqui. 


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