Einstein e Sírio defendem isolamento e questionam cloroquina

Dissonância entre o presidente Jair Bolsonaro e o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, no entanto, não deve atrapalhar o combate à pandemia

Os presidentes dos dois principais hospitais do País, Sidney Klajner, do Einstein, e Paulo Chapchap, do Sírio Libanês, defendem a necessidade do isolamento social para conter a epidemia do novo coronavírus. “É a única maneira de conter a transmissão”, afirmou Klajner. O tema tem gerado conflitos entre o presidente Jair Bolsonaro, defensor de um relaxamento da quarentena, e o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, favorável ao isolamento. 

Para Chapchap, a falta de unidade no discurso do governo não deve atrapalhar o combate à pandemia. “Nossa atuação é exclusivamente junto às autoridades de saúde”, afirmou o executivo. “Nesse sentido, há grande sinergia”. 

Sobre a cloroquina, medicamento que vem sendo apontado pelo governo como uma possível cura para a covid-19, ambos afirmam que ainda não há provas contundentes sobre a sua eficácia. “A evidência científica não é robusta o suficiente”, afirmou Klajner. 

Os dois executivos participaram de uma coletiva de imprensa com o presidente do Itaú Unibanco, Candido Bracher, em que foi anunciada uma doação de 1 bilhão de reais do banco para o combate ao coronavírus. Os recursos serão destinados a um fundo patrimonial (endowment), ligado à Fundação Itaú Social, cuja administração ficará a cargo de um conselho de profissionais de saúde, liderado por Chapchap. 

Fazem parte do grupo, além dos presidentes do Einstein e do Sírio, o médico Drauzio Varella, o ex-diretor presidente da Agência Nacional de Saúde (ANS) Maurício Ceschin, o consultor do Conselho dos Secretários de Saúde (CONASS) Eugênio Vilaça Mendes, e o presidente do Instituto de Biologia Molecular do Paraná (IBMP), instituição ligada à Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Pedro Barbosa.

A doação do Itaú será utilizada para financiar ações em três frentes, segundo Chapchap: informação à população, medidas de prevenção e proteção, cuidados dos doentes e ações para retomada das atividades econômicas. O objetivo é desenvolver iniciativas estruturantes, que possam ficar de legado para o Sistema Único de Saúde. Caberá ao conselho definir onde o dinheiro será aportado.

Para Candido Bracher, essa pandemia deve trazer grandes mudanças na forma de atuação das empresas. “Quanto mais tempo durar o isolamento, mais fragilizada estará a economia na saída”, diz Bracher. “Essa fragilidade vai forçar todos os agentes a reverem a forma como apoiam a economia”.

Segundo o executivo, nenhuma instituição pode ser melhor do que o país em que ela se encontra. Por isso, toda empresa deve se preocupar com as condições sociais das pessoas. “Precisamos cuidar da nossa casa”, afirma Bracher. “Não descansaremos enquanto a pandemia não for superada”.

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