Diferença entre Lula e Bolsonaro no segundo turno cai de 13% para 9%

Sem o ex-juiz Sergio Moro, Bolsonaro ganha 4% e Lula 2% das intenções de voto no primeiro turno
 (Flickr/Manuel Cortina/SOPA Images)
(Flickr/Manuel Cortina/SOPA Images)
Por Gilson Garrett JrPublicado em 21/04/2022 22:51 | Última atualização em 22/04/2022 12:16Tempo de Leitura: 6 min de leitura

Apesar de estar na frente nas intenções de voto dos brasileiros em uma disputa ao Palácio do Planalto, a vantagem do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em relação ao presidente Jair Bolsonaro (PL) em um eventual segundo turno está no menor valor desde junho do ano passado. Se a decisão final das eleições fosse hoje, Lula teria 48% e Bolsonaro 39%, segundo dados da mais recente pesquisa EXAME/IDEIA.

Em relação à sondagem feita em março, a distância entre os dois caiu de 13% para 9%. Na série histórica, Bolsonaro tinha vantagem sobre Lula até abril do ano passado, quando o petista ultrapassou o atual presidente na preferência dos eleitores. A maior diferença entre os dois chegou a 17% no fim do ano passado, mas desde então começou a diminuir, assim como a de eleitores que dizem que pretendem votar branco ou nulo (saiu de 16% para 9%).

(Arte/Exame)

A sondagem ouviu 1.500 pessoas entre os dias 15 e 20 de abril. As entrevistas foram feitas por telefone, com ligações tanto para fixos residenciais quanto para celulares. A margem de erro é de três pontos percentuais para mais ou para menos. A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral com o número BR-02495/2022. A EXAME/IDEIA é um projeto que une EXAME e o IDEIA, instituto de pesquisa especializado em opinião pública. Clique aqui para ler o relatório completo da pesquisa.

Na avaliação de Maurício Moura, fundador do IDEIA, há uma melhora significativa das intenções de voto em Bolsonaro nos últimos meses, mas que outros números ainda soam um alerta, se comparado com pleitos anteriores.

“A pesquisa mostra que os indicadores são desfavoráveis na pergunta sobre se Bolsonaro merece continuar no cargo. Ainda é majoritário o número de pessoas que acha que ele não merece ser reeleito, acima de 50%. Nenhum presidente foi para a reeleição com este nível de reprovação”, explica Moura.

Em uma simulação de segundo turno com outros possíveis nomes, Bolsonaro ganharia de João Doria (PSDB), por 38% a 29%. Em uma disputa contra Ciro Gomes, do PDT, a situação seria mais difícil para o atual presidente. Embora a diferença seja dentro da margem de erro e, portanto, um empate técnico, o cearense aparece em primeiro, com 41% a 37%.

Nas testagens feitas de Lula contra Doria e contra Ciro, o petista venceria ambos confrontos, sendo a maior vantagem na disputa com o tucano (50% X 26%).

(Arte/Exame)

 

Saída de Moro mexeu no primeiro turno

No fim da janela partidária, na última semana de março, Sergio Moro trocou o Podemos pelo União Brasil, a princípio, para ser candidato a deputado federal. Um dia depois de se filiar, disse que não tinha desistido do sonho de ser presidente do país e que não era candidato a um cargo no parlamento. Recentemente admitiu que pode não disputar o Palácio do Planalto, após o seu partido lançar o Luciano Bivar como pré-candidato.

Por conta dessa indefinição, a EXAME/IDEIA não testou o nome de Moro em uma disputa presidencial. Sem o ex-juiz, Bolsonaro ganha 4% e Lula 2% das intenções de voto no primeiro turno, em relação à pesquisa de março.

(Arte/Exame)

Tanto na testagem espontânea, sem os nomes apresentados previamente, quanto na estimulada, os dois polarizam a preferência do eleitor. Na estimulada, Lula está em primeiro, com 42%, e Bolsonaro vem logo em seguida, com 33%. Ciro Gomes aparece bem colocado somente na pesquisa estimulada, com 10% das intenções de voto.

(Arte/Exame)

Maurício Moura explica que essa migração de votos de Moro é maior para Bolsonaro por conta do antipetismo. “É uma acomodação dos eleitores antipetista ou eleitores que ficaram órfãs do ex-ministro juiz Sergio Moro. Há também eleitores do segmento evangélico que ficaram incomodados com a declaração do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre o aborto”, avalia.

Entre os evangélicos, 61% dizem que votariam em Bolsonaro em um primeiro turno, e 18% em Lula. Na pesquisa feita em março, 54% preferiam o atual presidente, e 21% o petista. Por outro lado, o ex-presidente mantém o favoritismo nos dois maiores colégios eleitorais do país: Nordeste (56% X 24%), e no Sudeste (38% X 33%).

Situação complicada para a terceira via

Sem Moro, havia uma expectativa de que os votos dele fossem para outros pré-candidatos da terceira via. Os dados da EXAME/IDEIA mostram que a situação ficou ainda mais polarizada entre Lula e Bolsonaro. Em uma pergunta espontânea, sem os nomes apresentados de antemão, somam 63% os que dizem que vão votar em um dos dois.

Combinados, os outros pré-candidatos não chegam a 10%. Brancos e nulos são 8%, e os que ainda não sabem totalizam 20%. Maurício Moura destaca que nunca houve uma definição tão antecipada na cabeça do eleitor quando a pergunta do primeiro turno é feita de forma espontânea.

"Isso ocorre porque temos no pleito dois candidatos amplamente conhecidos, que é o atual presidente e o ex-presidente Lula. Se seguir nesse ritmo, provavelmente vamos entrar na campanha, em setembro, com o nível de voto espontâneas bastante estabelecido e pouco espaço de convencimento para as campanhas", diz.

Os presidentes do PSDB, Cidadania, MDB e União Brasil vão anunciar em maio uma convergência dos quatro partidos em torno de um pré-candidato único para a terceira via na disputa pela Presidência. Entre os possíveis nomes estão Simone Tebet (MDB), Luciano Bivar (União Brasil), e João Doria, pela federação entre PSDB e Cidadania. Corre por fora ainda Eduardo Leite, também do PSDB, que não desistiu do sonho de ser candidato.