Eleições 2026: Flávio conseguiu ser comentado com convenção, mas pregou para convertidos (Nelson ALMEIDA /AFP)
Repórter de Brasil e Economia
Publicado em 29 de julho de 2026 às 18h13.
Última atualização em 29 de julho de 2026 às 18h18.
A convenção nacional do PL buscou reorganizar a base bolsonarista e transformar o lançamento da campanha de Flávio Bolsonaro em um grande fato político, mas dificilmente ampliará o eleitorado do candidato. Essa é a avaliação do analista político e diretor de Public Affairs do Grupo In Press Fabio Zambeli, feita durante participação no programa Eleições em Pauta, da EXAME.
"Na minha avaliação, não dá nenhum voto novo. É uma pregação para os convertidos que apoiam o Jair e o Flávio Bolsonaro", afirmou.
Segundo Zambeli, a convenção teve dois objetivos centrais. O primeiro foi reorganizar diferentes correntes do bolsonarismo após semanas marcadas por divergências internas, disputas estaduais e indefinições na estrutura da campanha.
"Era preciso usar a convenção para mandar essas mensagens, essas diversas camadas de apoio ao bolsonarismo internamente", disse.
O segundo objetivo, segundo o analista, foi apresentar Flávio Bolsonaro como representante direto de Jair Bolsonaro e construir uma convenção capaz de mobilizar a militância mais ideológica logo no início da disputa presidencial.Na avaliação de Zambeli, a campanha buscou recuperar elementos que marcaram a eleição de 2018, especialmente o discurso de enfrentamento ao que o grupo bolsonarista chama de sistema político.
"Era preciso demonstrar para o Brasil e para o mundo que a candidatura do Flávio não é só um projeto da família Bolsonaro, mas é um projeto para o enfrentamento de um modelo", afirmou.
Entre os elementos destacados pelo analista estão a participação do presidente argentino Javier Milei, a mensagem gravada do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, e o vídeo produzido com inteligência artificial para reproduzir Jair Bolsonaro pedindo votos ao filho.
Para Zambeli, esses recursos deram à convenção um caráter deliberadamente provocativo.
"A expressão que eu mais ouvi foi essa: era preciso que fosse uma convenção provocativa, que causasse esse barulho, esse estrondo", afirmou.
"Foi uma convenção para provocar o algoritmo e provocar a base ideológica."Segundo o analista, sem esses componentes, o encontro teria sido apenas mais uma convenção partidária. Ao apostar em personagens internacionais e recursos de grande repercussão digital, a campanha conseguiu ampliar a circulação do conteúdo nas redes sociais e dominar parte do debate político.
Apesar de considerar bem-sucedida a estratégia para fortalecer a coesão do bolsonarismo, Zambeli avalia que ela produz efeitos distintos conforme o perfil do eleitor.
Na avaliação do analista, os apoios internacionais ajudam a mobilizar a base bolsonarista, mas também oferecem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a oportunidade de transformar Trump, Javier Milei e Benjamin Netanyahu em símbolos da disputa eleitoral contra o candidato do PL."Quando o Milei vem aqui, faz provocações; quando o presidente Trump e alguns auxiliares dele fazem o mesmo, quando Netanyahu faz o mesmo, o presidente Lula encontra adversários perfeitos para trazer para o centro da eleição", afirmou.
Segundo Zambeli, uma eleição com candidato à reeleição tende a funcionar como um julgamento do atual governo. Nesse cenário, a entrada de lideranças estrangeiras no debate oferece ao presidente um novo foco de confronto político.
"O que ele está conseguindo com esse processo é reunir uma série de antagonistas do Brasil para trazer para o centro da eleição e colocar esses antagonistas no colo do adversário, que é o Flávio Bolsonaro", disse.