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Castro toma posse no RJ e diz que leilão da Cedae foi "dia de glória"

Em discurso antes da posse, defendeu austeridade e disse que leilão da Cedae foi dia de "glória" para o Rio. Castro tomou posse após o impeachment de Wilson Witzel

O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PSC), tomou posse neste sábado, 1º de maio, em cerimônia que começou com mais de uma hora de atraso.

Castro, que atuava como interino desde agosto, foi oficializado após julgamento do Tribunal Especial Misto, nesta sexta-feira, dia 30 de abril, que oficializou o impeachment do governador eleito Wilson Witzel (PSC). O placar final foi de 10 votos a favor do impeachment, e nenhum contra. Ao final da sessão, ainda foi decidida a inelegibilidade de Witzel por um período de cinco anos.

Após ser empossado, Castro fez um breve discurso. O governador pediu por um minuto de silêncio em homenagem às vítimas da Covid-19 e agradeceu sua família.

No texto, disse acreditar na ciência para combater a pandemia. Disse que o Rio enfrenta uma terceira onda da covid-19, e destacou um planejamento econômico e de segurança pública.

"Não há futuro sem uma gestão austera, comprometida com as contas públicas. Continuaremos com a recuperação fiscal, vamos melhorar os serviços públicos, devolvendo a confiança a quem quer investir no estado. Seremos um governo de diálogo que vai olhar dia e noite por quem precisa", disse.

Apesar do discurso de hoje, desde que assumiu como governador em exercício, Castro sempre se posicionou contra o lockdown e teve discussões com prefeitos que anunciaram medidas mais restritivas no feriado prolongado entre o fim de março e o início de abril. Teve desavenças com o prefeito do Rio, Eduardo Paes, quando este apelidou a antecipação de feriados de "Castrofolia".

Na época, o governador pediu que a população evitasse festas, mas recebeu diversos convidados em Itaipava para comemorar o seu aniversário, mesmo com a existência de um decreto da prefeitura de Petrópolis, que proibia aglomerações. Durante o feriado antecipado e prolongado, também circulou na internet um vídeo de Castro cantando pagode durante uma festa em fevereiro.

Leilão da Cedae

Em seu discurso de abertura, o deputado André Ceciliano (PT), presidente da Assembleia Legislativa, fez um apelo especial com relação à segurança pública, citando o fato de um dos blocos envolvidos no leilão da Cedae não receber propostas por estar localizado em uma área dominada por milícias.

"Inauguramos hoje um novo capítulo na história do estado. Sua posse confere a legitimidade para tomar as ações necessárias para o restabelecimento do estado do Rio de Janeiro. O Rio foi o estado que menos gerou vagas de emprego no último ano e que em abril mais teve mortes por Covid-19 no país. Com relação à segurança, o leilão da Cedae não teve ofertas em um bloco porque empresas alegaram violência na região", disse Ceciliano.

Na tarde desta sexta-feira, dia 30, Castro acompanhou o leilão da Cedae na Bolsa de Valores em São Paulo — que acabou com a venda das operações em três dos quatro blocos do estado fluminense. O assunto foi rapidamente comentado em seu vídeo, no qual destacou acreditar que a concessão trará melhorias e ampliação dos serviços de água e de esgoto.

"Ontem foi um dia de vitória, um dia de glória para o Rio de Janeiro, com a concessão dos serviços de água e esgoto", disse Castro em vídeo antes da posse. "E não tenho dúvida que essa concessão vai ajudar a gente a reequilibrar as contas do nosso estado. Mas, principalmente, fazer um grande investimento em infra-estrutura, e também levar para a casa das pessoas, universalizar a água, universalizar o esgoto e com certeza melhorar a vida de cada um que mora nesse estado."

Castro encerra o vídeo pedindo para que as pessoas "rezem por esse novo tempo", e completa dizendo estar de peito e braços abertos para que se "possa realmente mudar essa trajetória do nosso estado".

Quem é Cláudio Castro, oficializado governador do Rio

Cláudio Bomfim de Castro e Silva (PSC) é advogado, católico e cantor religioso com dois álbuns gravados. No site oficial do governo, ele é apresentado também como músico, compositor e evangelizador. Desde a redemocratização, foi o vice-governador mais jovem do Rio de Janeiro com 41 anos. Por 12 anos, Castro trabalhou na Alerj como chefe de gabinete do deputado estadual Márcio Pacheco (PSC). Deixou a função em 2016 para ser eleito vereador no Rio, cargo que ocupou por dois anos até ser eleito vice-governador. Na época, foi o 9º vereador com menos votos: 10.262. Ele obteve um número dez vezes menor do que o mais votado, Carlos Bolsonaro (PSC), seu cologa de partido.

Nascido em Santos, em São Paulo, veio morar no Rio quando ainda era criança. Ao lado de Witzel, trabalhou à frente do Detran e do Departamento de Estradas e Rodagem (DER). Em 2019, Castro recebeu a medalha Pedro Ernesto, a mais alta honraria da Câmara de Vereadores carioca.

Como vereador, Castro foi autor de 11 propostas como criação de incentivos ao esporte, a publicização da fila de espera para serviços de saúde e o tombamento do escotismo como patrimônio imaterial do Rio de Janeiro. No entanto, aprovou apenas dois projetos de autoria exclusiva: o tombamento da Festa do Cantinho das Concertinas, na Cadeg, como bem imaterial, e outro que obrigava a Prefeitura a usar recursos advindos de multas de trânsito.

Em seu gabinete, uma equipe trabalhava junto à igreja para ouvir padres e a comunidade católica. Castro era mais próximo dos bispos neo pentecostais do que dos católicos progressistas. Um deles, é o arcebispo do Rio Dom Orani Tempesta, a quem costumava recorrer.

Foi Castro quem editou, em conjunto com o vereador Felipe Michel (Progressistas), o decreto legislativo que concedeu o título de cidadão honorário a Witzel, em dezembro de 2018. No ano de 2012, Castro se candidatou ao Legislativo da capital, mas não foi eleito.

Como cantor, ele lançou seu primeiro álbum solo em 2011. O trabalho "Em nome do Pai", tem o mesmo nome da banda que integrava na paróquia São Francisco de Paula, na Barra da Tijuca. Já o último lançamento, o disco "Dia de Celebração", é de 2015.

Castro foi investigado na Operação Catarata, em setembro do ano passado, quando era apurado o desvio de R$ 66 milhões em contratos de assistência social no governo do estado e da Prefeitura. Um dos presos foi o empresário Marcus Vinicius Azevedo da Silva, que tinha sido assessor de Castro na Câmara.

A empresa de Marcus Vinícius, segundo o Ministério Público, fazia parte das licitações de fachada. Bruno Selem, que também foi preso no esquema e era funcionário da Servlog, diz que o dono da empresa, Flávio Chadud, pagou R$ 100 mil a Cláudio Castro em propina. No entanto, Castro nega a acusação e processa o delator.

No momento, o Ministério Público investiga pessoas com foro especial, como Castro, em esfera estadual. O governador nega qualquer ato ilícito.

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