Flávio Bolsonaro e Lula durante debate na TV Bandeirantes, no domingo, 18 de outubro (Renato Pizzutto/Band/Divulgação)
Repórter especial em Brasília
Publicado em 21 de outubro de 2026 às 14h51.
A coordenação da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e lideranças do governo no Congresso veem com moderado otimismo os dados da pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira, 21. Os números do levantamento são ressaltados como "animadores" para a militância e, segundo eles, mantêm a esperança de uma eventual virada sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Embora Lula ainda apareça numericamente atrás do rival na pesquisa estimulada, com 44% das intenções de voto, ante 45% de Flávio, os dois candidatos estão empatados em 40% no cenário espontâneo, em que os entrevistados indicam em quem pretendem votar sem que lhes sejam apresentados os nomes dos candidatos.
Há uma semana, a pesquisa estimulada da Quaest mostrava Flávio com 46% e o presidente com 44%. Na espontânea, o resultado apontava 43% para Bolsonaro e 42% para Lula.
Reservadamente, aliados afirmam que é preciso usar os números para intensificar o ânimo de virada da militância pró-Lula e que, apesar de o cenário de virada não ser garantido, é perfeitamente factível se o movimento de desidratação de Flávio Bolsonaro continuar.
O crescimento de indecisos na pesquisa espontânea, que agora representam 14%, é visto como uma oportunidade.
Desde a semana passada, lideranças petistas engajadas na campanha afirmam que os dados da Quaest desta quarta-feira seriam importantes para calibrar as possibilidades de uma eventual virada.
O cenário projetado por um parlamentar diretamente envolvido na campanha e ouvido pela EXAME sob reserva era de um empate numérico, o que ocorreu no cenário espontâneo, o mais relevante, segundo ele.
O secretário de Comunicação do PT, Éden Valadares, destaca a queda na rejeição do presidente Lula, que recuou de 53% para 47%, enquanto a parcela dos que assinalaram que poderiam votar no petista oscilou dois pontos para cima, de 47% para 49%. Valadares diz que a pesquisa "capta um movimento em que o eleitorado percebe o risco de perder as conquistas que o país levou anos para consolidar".
"É o receio de retrocesso, de perder todas as conquistas, não apenas o Bolsa Família, mas o MEI, o Pix, o Farmácia Popular, o aumento real do salário e da aposentadoria, o Pé de Meia, os investimentos no SUS", afirmou.
"Vai ficando claro para o eleitor que Flávio Bolsonaro é um caminho de insegurança ou de uma mudança para pior, do país andar para trás. Por isso cai a rejeição do Presidente Lula e dispara a de Flávio. Isso está mobilizando a sociedade e a gente sente esse movimento nas redes e nas ruas."
A rejeição de Flávio, na verdade, oscilou dois pontos para baixo, de 54% para 52%.
O líder do PT na Câmara, Pedro Uczai (SC), diz que os números são positivos porque mostram ser viável uma virada. "Ainda temos de tomar cuidado porque ele aparece um ponto na frente, mas o cenário é de empate e a nossa militância está mais mobilizada. Há uma onda pró-Lula", diz ele.
Coordenador da campanha de Lula em São Paulo, o advogado Marco Aurélio de Carvalho afirma que o resultado da pesquisa mostra que "a vitória é possível e que a virada já está acontecendo".