As reações políticas, populares (e militares) ao julgamento de Lula

ÀS SETE - Os possíveis desdobramentos da decisão do Supremo Tribunal Federal sobre a prisão de Lula devem ser vistos em diversas frentes

Depois da tempestade vem a calmaria? Não necessariamente. Os desdobramentos da decisão do Supremo Tribunal Federal sobre a prisão de Lula devem ser vistos em diversas frentes.

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A primeira e mais óbvia é a política. Uma vitória no Supremo, na teoria, não muda a possibilidade de Lula se candidatar: condenado em segunda instância, estaria vetado pela Lei da Ficha Limpa.

Mas o martelo teria que ser batido pelo Tribunal Superior Eleitoral, em agosto. Mas uma derrota hoje enterra de vez o sonho da candidatura.

Segundo publicou a agência Reuters, Lula já admite que dificilmente será candidato, e escolheu o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad como plano B.

A entrada de Haddad deve provocar um reequilíbrio de forças na esquerda, possivelmente favorecendo o ex-ministro Ciro Gomes.

A decisão sobre o habeas corpus, qualquer que seja ela, também deve provocar uma nova leva de manifestações contra e a favor do ex-presidente. Autoridades fecharam o acesso à Praça dos Três Poderes, em Brasília.

Na noite de ontem, grupos pedindo a prisão de Lula se reuniram em diversas capitais, e fecharam ao menos oito quarteirões da Avenida Paulista, em São Paulo.

Caso Lula recebe o habeas corpus, os protestos devem se intensificar contra o Judiciário. Segundo o jornal Folha de S. Paulo, manifestantes levaram ontem às ruas cartazes cobrando a ministra Rosa Weber, cujo voto pode desempatar a votação de hoje. Uma derrota de Lula no Supremo deve mobilizar, além de eleitores petistas, grupos como o MST.

Como o Brasil é o país do imprevisível, a noite de ontem trouxe à tona uma possível reação militar a uma decisão favorável ao ex-presidente.

O comandante do Exército, general Eduardo Villas Bôas, afirmou pelo Twitter que repudia a impunidade e que o Exército está "atento às suas missões institucionais".

Segundo o Ministério da Defesa, a mensagem do general é de "confiança e estímulo à concórdia˜. Raul Jungmann, ministro da Segurança Pública, afirmou que a postagem de Villas Bôas é um "chamamento ao bom senso". Seja lá o que isso quiser dizer.

 

 

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