Brasil

As 100 cidades mais desenvolvidas do Brasil, segundo a FIRJAN

Ranking de desenvolvimento socioeconômico da Firjan revela disparidades regionais e efeitos da crise na dinâmica das cidades

Florianópolis: número de empresas de tecnologia subiu 3,42% entre 2015 e 2017 (Alfabilesantana/Wikimedia Commons)

Florianópolis: número de empresas de tecnologia subiu 3,42% entre 2015 e 2017 (Alfabilesantana/Wikimedia Commons)

Talita Abrantes

Talita Abrantes

Publicado em 29 de junho de 2018 às 06h30.

Última atualização em 29 de junho de 2018 às 06h30.

São Paulo – Das cem cidades mais desenvolvidas do Brasil, 58 estão em São Paulo. É o que revela o Índice FIRJAN de Desenvolvimento Municipal (IFDM) divulgado no final da tarde desta quinta-feira (28) com dados de 2016 de Emprego e Renda, Saúde e Educação de 5.471 municípios brasileiros (veja a metodologia abaixo). No pódio, só há municípios paulistas. (Leia: Crise pode causar década perdida no mercado de trabalho das cidades)

Louveira, a 70 quilômetros da capital, ocupa a primeira posição do ranking pela segunda vez consecutiva. A cidade que tem pouco mais de 40 mil habitantes conseguiu a nota máxima no IFDM 2016 e é a única no país a registrar um índice acima de 0,9.

Apesar do bom desempenho, a cidade registrou um saldo negativo de 953 vagas de emprego fechadas em 2016 um número sutilmente melhor do que o registrado em 2015, quando houve uma retração de 1.023 postos de trabalho localmente. Mas isso não foi suficiente para melhorar o IFDM Emprego e Renda da cidade, a exemplo do que aconteceu em outros municípios do país.

Por outro lado, 98% dos professores que atuam no ensino básico de Louveira têm ensino superior e apenas 6,9% dos alunos não estão na série adequada para suas idades. 86% das gestantes da cidade têm ao menos 7 consultas pré-natais durante a gestação (a média brasileira é de 69%) e apenas 0,7% das mortes no município são por causas mal-definidas.

Mas as surpresas do topo do ranking são as três cidades seguintes que deram saltos de desenvolvimento no último ano. Olímpia (SP), um importante polo turístico do estado, saiu da posição 83 para a segunda posição (Leia: Este é o plano de Olímpia para virar a "Orlando brasileira").

Impulsionada pela geração de empregos na construção civil, a pequena Estrela do Norte (SP) saltou de 526 para o terceiro lugar. Já Vale Real (RS), de 276 para o quarto lugar, graças à geração de empregos na construção civil e no setor de produtos de metal, de acordo com o relatório.

Entre as capitais, Florianópolis (SC) e Curitiba (PR) são as únicas a figurar entre as cem mais desenvolvidas do país. O Rio de Janeiro, por outro lado, não ficou nem entre as 500 cidades com as melhores notas. O baixo desempenho da capital fluminense foi puxado essencialmente pela retração no IFDM Emprego e Renda.

"O principal fator foi a construção civil. Teve muita obra de infraestrutura para Copa e Olimpíadas e quando isso acabou os empregos não permaneceram", afirma  Jonathas Goulart Costa, coordenador de estudos econômicos da FIRJAN.

Terra de contrastes

Historicamente, as regiões norte e nordeste concentram os piores indicadores socioeconômicos do país. Mas é nas realidades locais que as disparidades com o restante do país (principalmente com o Sul e Sudeste) ficam mais evidentes.

Prova disso é a parca presença de municípios dessas regiões entre os 500 mais desenvolvidos do país, segundo o Índice Firjan de Desenvolvimento Municipal (IFDM), lançado no final da tarde de ontem, com dados de 2016.

Segundo o estudo, apenas 8 dessas cidades são nordestinas e só uma está no Norte do país. No ranking das 100 mais desenvolvidas, listado abaixo, há apenas uma representante das duas regiões: a cidade de Eusébio (CE), da região metropolitana de Fortaleza, está em 94.

Por outro lado, as duas regiões concentram 96% das 500 cidades com os piores indicadores de desenvolvimento socioeconômico do país. Quando se considera todo o conjunto de municípios de cada região, mais da metade do Norte (60%) e do Nordeste (50,1%) foi classificada com desenvolvimento regular ou baixo.

No extremo oposto, está a região Sul do país, a mais desenvolvida de acordo com os cálculos da Firjan: quase todos dos municípios do Sul (mais precisamente 98,8%) foram avaliados com desenvolvimento moderado ou alto - nenhum foi classificado em baixo desenvolvimento.

Na região Sudeste, 92,9% das cidades tiveram classificação semelhante – a exceção fica por conta do norte de Minas Gerais, que concentra o maior número de cidades com desenvolvimento regular da região. Em 2016, o Centro-Oeste, por sua vez, teve 92,4% das cidades com desenvolvimento alto ou moderado.

VEJA AS 100 CIDADES MAIS DESENVOLVIDAS DO PAÍS

Posição no rankingEstadoCidadeIFDMEmprego e RendaEducaçãoSaúde
SPLouveira0.90060.75390.99060.9574
SPOlímpia0.88200.76390.97490.9070
SPEstrela do Norte0.88100.73650.99780.9087
RSVale Real0.88070.79520.88190.9651
PRApucarana0.88060.74960.93950.9526
RSLajeado0.87890.76740.91900.9502
PRToledo0.87860.77310.90610.9566
SCConcórdia0.87810.75440.92390.9560
SPItatiba0.87790.71750.98500.9312
10ºSPItupeva0.87790.75560.93750.9405
11ºSPSão Caetano do Sul0.87730.68440.99200.9555
12ºSPJundiaí0.87710.68150.98800.9618
13ºSPJaguariúna0.87650.73750.96960.9225
14ºSPSão José do Rio Preto0.87530.68080.99270.9526
15ºSPParaguaçu Paulista0.87460.73950.97730.9071
16ºSPMendonça0.87410.66020.99550.9665
17ºSPPaulínia0.87410.75570.97570.8908
18ºPRParanavaí0.87390.73090.94280.9479
19ºPRPato Branco0.87370.76560.91830.9370
20ºSPVinhedo0.87280.69410.98430.9401
21ºSPClementina0.87200.78700.93370.8955
22ºSPSantos0.87020.71510.96270.9329
23ºSPMococa0.86910.69900.96340.9448
24ºSPAmparo0.86870.71990.97200.9141
25ºSCChapecó0.86840.76670.90780.9309
26ºSPBarretos0.86760.73320.95790.9116
27ºSPSão Carlos0.86510.67770.98620.9313
28ºSPPlanalto0.86500.76600.88170.9473
29ºPRMaringá0.86460.74930.89980.9446
30ºSCRio do Sul0.86360.74130.90900.9404
31ºSPIlhabela0.86340.73330.95730.8995
32ºSPAndradina0.86340.70590.96520.9190
34ºSPPorto Feliz0.86320.75480.93470.9000
33ºSPIndaiatuba0.86320.66180.99580.9318
35ºSPNova Odessa0.86280.76670.97490.8469
36ºRSCampo Bom0.86220.71040.93500.9412
37ºSPMarília0.86150.66791.00000.9166
38ºSPMatão0.86150.71550.97660.8925
39ºSPCajamar0.86100.76490.90230.9158
40ºSCJoaçaba0.86080.77230.91430.8956
41ºSPFranca0.86070.70530.96380.9131
42ºSPBorá0.86020.64790.96740.9653
43ºSPHolambra0.85970.66000.99720.9220
44ºSPFernandópolis0.85960.68110.99170.9061
45ºRSMato Leitão0.85870.66240.97230.9414
46ºMGPatos de Minas0.85860.78130.88420.9104
47ºSCFlorianópolis0.85840.76800.88390.9233
48ºSPIracemápolis0.85840.69180.97020.9131
49ºSCBalneário Camboriú0.85750.77030.87150.9308
50ºSPMirassol0.85680.68040.96960.9205
51ºPRJandaia do Sul0.85680.68170.94590.9429
52ºSPItapira0.85620.73610.93680.8958
53ºSPMeridiano0.85620.60560.99830.9647
54ºRSMuçum0.85590.68530.95020.9321
55ºPRCampo Mourão0.85550.73910.86950.9580
56ºSPAtibaia0.85540.66780.99130.9070
57ºRSSerafina Corrêa0.85510.67180.93790.9558
58ºRSBento Gonçalves0.85480.72020.87910.9649
59ºRSCarlos Barbosa0.85440.72610.90600.9312
60ºRSGramado0.85420.76730.86840.9268
61ºPRMedianeira0.85410.78190.89260.8876
62ºSPPotirendaba0.85370.65850.95320.9495
63ºSPParaíso0.85370.74800.94660.8664
64ºSPPresidente Prudente0.85350.72010.95630.8840
65ºRSPicada Café0.85330.59480.99280.9723
66ºSPSanto André0.85320.68450.94670.9285
67ºSPBarueri0.85290.65600.97620.9265
68ºRSGuaporé0.85270.66130.93390.9629
69ºRSSanta Rosa0.85200.74720.90300.9058
70ºSPPratânia0.85200.66030.96300.9326
71ºSPBebedouro0.85160.79170.95000.8132
72ºGOChapadão do Céu0.85160.71740.98640.8510
73ºGOItumbiara0.85140.71980.96160.8727
74ºPRCuritiba0.85140.71150.87410.9685
75ºSPJarinu0.85120.71720.97420.8622
76ºSPAraraquara0.85100.64650.98120.9253
77ºSPPedreira0.85030.65410.96750.9292
78ºRSSanta Cruz do Sul0.85020.73560.86590.9491
79ºSPCatanduva0.85010.70980.97910.8615
80ºSPCampinas0.85010.66350.94830.9383
81ºSPBragança Paulista0.85000.68220.93640.9315
82ºSPPenápolis0.84970.67350.97520.9005
83ºSPTaguaí0.84860.68821.00000.8578
84ºPRFrancisco Beltrão0.84860.79510.85030.9004
85ºPRLondrina0.84830.75630.84220.9464
86ºSCSão Lourenço do Oeste0.84820.72860.87720.9389
87ºRSVeranópolis0.84810.67790.90790.9585
88ºPRMarechal Cândido Rondon0.84800.75450.87690.9126
89ºGOCeres0.84780.62550.99000.9280
90ºSPVotuporanga0.84780.65040.99500.8981
91ºSPLençóis Paulista0.84760.70080.96800.8742
92ºSPValinhos0.84740.65710.93750.9475
93ºSPGabriel Monteiro0.84680.62041.00000.9201
94ºCEEusébio0.84670.66290.95490.9222
95ºRSIjuí0.84660.73250.90790.8995
96ºSPJaci0.84650.65230.92580.9615
97ºRSFarroupilha0.84650.71680.88120.9415
98ºRSFrederico Westphalen0.84630.71140.93140.8960
99ºSPSão João da Boa Vista0.84610.68530.98810.8647
100ºRSIvoti0.84590.69200.90980.9359

 

Metodologia 

O Índice Firjan de Desenvolvimento Municipal varia de 0 a 1: quanto mais próximo de 1, melhor é o desenvolvimento da cidade. A nota é calculada segundo a análise de três conjuntos de indicadores e tem por base indicadores oficiais do governo federal.

Em Emprego e Renda, o índice leva em conta o quanto a cidade gera de empregos formais, sua capacidade de absorver a mão de obra local, quanto de renda formal é gerada, os salários médios e a desigualdade social.

Já em Educação, a Firjan analisa o número de matrículas na educação infantil, a proporção de estudantes que abandonam o ensino fundamental, além da distorção idade-série, o número de professores com ensino superior, a média de aulas diárias e o resultado do Ideb no ensino fundamental.

O índice Saúde é calculado, por sua vez, com base no número de consultas pré-natal, óbitos por causas mal definidas, óbitos infantis por causas evitáveis e número de internações sensíveis à atenção básica (ISAB).

ÍndiceNível de desenvolvimento
IFDM entre 00, 0,4baixo estágio de desenvolvimento
IFDM entre 0,4 E 0,6desenvolvimento regular
IFDM entre 0,6 e 0,8desenvolvimento moderado
IFDM entre 0,8 e 1alto estágio de desenvolvimento
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