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Após debate da Band, eleição entre Flávio e Lula também está empatada nas redes, diz CEO da Datrix

Relatório da empresa aponta que Lula lidera em volume de publicações e interações, enquanto Flávio Bolsonaro mantém vantagem entre perfis influentes; diferença no sentimento caiu de 27,8 para 5,5 pontos em uma semana

 (Imagem gerada por IA/EXAME)

(Imagem gerada por IA/EXAME)

André Martins
André Martins

Repórter de Brasil e Economia

Publicado em 21 de outubro de 2026 às 06h00.

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RESUMO +

Um levantamento da Datrix sobre as redes sociais na reta final do segundo turno das eleições de 2026 mostra uma aproximação entre Lula e Flávio Bolsonaro nos indicadores de engajamento e sentimento. Lula mantém a liderança no volume de publicações, interações e seguidores, enquanto Flávio aparece à frente na quantidade de perfis influentes que publicam sobre sua candidatura. Para João Paulo Castro, CEO da Datrix, a disputa presidencial está virtualmente empatada também no ambiente digital.


A disputa entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) pela Presidência da República está praticamente empatada também nas redes sociais, segundo avaliação de João Paulo Castro, CEO e cofundador da Datrix.

Um levantamento da empresa mostra que a diferença no saldo de sentimento das publicações sobre os dois candidatos caiu de 27,8 para 5,5 pontos em uma semana, após a realização das sabatinas no Jornal Nacional e do debate da Band.

O relatório, que analisou publicações entre 27 de setembro e 19 de outubro, aponta que Lula mantém a liderança no volume de conversas, no número de seguidores e nas interações nas redes.

Flávio, por sua vez, registra crescimento proporcional maior em relação ao período anterior ao primeiro turno e continua com mais perfis influentes publicando sobre sua candidatura.

Para Castro, os números revelam uma disputa equilibrada, embora os indicadores de influência digital ainda apresentem diferenças entre os candidatos.

"A disputa pela Presidência da República está virtualmente empatada, também nas redes. Mas uma tendência ainda segue mais positiva para Flávio Bolsonaro quando olhamos para os perfis mais influentes", afirma o executivo, em análise publicada no relatório.

O estudo considera publicações públicas sobre os candidatos, o desempenho de seus perfis oficiais no Facebook, Instagram, X e YouTube, a atuação de influenciadores e a classificação do sentimento das mensagens. Também acompanha o interesse por Lula e Flávio no Google durante o debate realizado em 18 de outubro.

Diferença entre Lula e Flávio nas redes diminui

Lula segue à frente de Flávio no volume de publicações, impressões e interações. Na reta final, entre 14 e 18 de outubro, o presidente registrou 2,26 vezes o número de publicações sobre o adversário, 1,45 vez as impressões e 1,92 vez as interações.

A diferença, no entanto, diminuiu em comparação com a semana anterior ao primeiro turno, entre 27 de setembro e 3 de outubro.

Naquele período, Lula tinha 2,58 vezes o volume de interações de Flávio. A relação passou para 1,92 vez na reta final, uma redução de 25,4% na distância entre os dois.

Em relação à base anterior ao primeiro turno, as interações sobre Flávio cresceram 128,4%, enquanto as de Lula aumentaram 70,4%, segundo a Datrix.

O movimento também ocorreu nas outras métricas analisadas. As publicações sobre Flávio aumentaram 58%, ante 48,4% sobre Lula. Nas impressões, que representam o alcance potencial das mensagens, o crescimento foi de 37,9% para Flávio e de 12,3% para o presidente.

Apesar da aproximação, o levantamento mostra que Lula recuperou a vantagem no volume de interações depois de ter ficado atrás do adversário nos dois dias imediatamente posteriores ao primeiro turno.

Lula tem mais seguidores, mas Flávio cresce mais

O levantamento também comparou o desempenho dos perfis oficiais dos candidatos.

Em 19 de outubro, Lula somava 37,6 milhões de seguidores no Instagram, X, Facebook e YouTube, contra 24,8 milhões de Flávio Bolsonaro.

A vantagem de Lula na base de seguidores caiu de 61% para 52% desde 3 de outubro, porque Flávio ganhou 3,1 milhões de seguidores no período, ante 2,7 milhões do presidente.

O Instagram concentra as maiores bases dos dois candidatos. Lula tinha 17,81 milhões de seguidores na plataforma, contra 14,69 milhões de Flávio, uma diferença de 21%.

No X, a distância era maior: 10,79 milhões para Lula e 3,8 milhões para Flávio.

A pesquisa também identificou mudanças no ritmo de crescimento das contas.

Entre 7 e 13 de outubro, período em que a campanha de Lula organizou uma sala de influenciadores em seu comitê, o presidente ganhou, em média, 209,7 mil seguidores por dia, contra 136 mil de Flávio.

A diferença desapareceu na reta final. Entre 14 e 18 de outubro, Lula ganhou 157,4 mil seguidores por dia, enquanto Flávio registrou 160,6 mil.

O engajamento por mil seguidores também ficou próximo: 32,5 interações diárias para Lula e 32,2 para Flávio.

Flávio mantém vantagem entre perfis influentes

Uma das principais diferenças identificadas pelo levantamento está na participação de perfis considerados influentes.

A Datrix incluiu nessa categoria veículos de imprensa, políticos e influenciadores com pelo menos 10 mil seguidores que publicaram sobre os candidatos.

Na semana anterior ao primeiro turno, para cada 100 perfis influentes que publicavam sobre Flávio, 50 publicavam sobre Lula.

Na reta final, a relação passou para 63 perfis sobre Lula para cada 100 sobre Flávio.

Isso significa que a distância diminuiu, mas a quantidade de perfis influentes que publicam sobre o senador ainda é maior.

Segundo a Datrix, Flávio tinha 2,02 vezes a quantidade de perfis influentes de Lula antes do primeiro turno. Na reta final, a proporção caiu para 1,59 vez.

Para João Paulo Castro, a diferença na atuação digital das duas campanhas ainda é relevante.

"A campanha de Lula parece que já entendeu a importância da influência digital na conversão de votos, mas ainda não é capaz de manter um nível de engajamento tão resiliente e perene quanto o da base bolsonarista, que, além de mais robusta, parece ser mais organizada e estruturada", afirma.

A avaliação é do executivo e não representa uma medição direta da conversão de engajamento em votos.

Sentimento sobre os candidatos se aproxima antes do segundo turno

A mudança mais expressiva do relatório ocorreu no saldo de sentimento das publicações.

O indicador é calculado pela diferença entre o percentual de mensagens positivas e negativas sobre cada candidato.

Entre 5 e 11 de outubro, Lula apresentava saldo negativo de 10,6 pontos, enquanto Flávio tinha saldo positivo de 17,2 pontos. A diferença entre os dois era de 27,8 pontos.

Na semana seguinte, de 12 a 18 de outubro, Lula passou a registrar saldo negativo de 0,6 ponto, enquanto Flávio ficou com saldo positivo de 4,9 pontos.

Com isso, a diferença entre os candidatos diminuiu de 27,8 para 5,5 pontos em uma semana, embora o saldo de Flávio ainda fosse mais positivo.

A melhora de Lula ocorreu principalmente pelo aumento das publicações positivas, que passaram de 20% para 30% do total analisado.

No caso de Flávio, a proporção de publicações negativas aumentou de 27% para 34%, enquanto as positivas passaram de 44% para 39%.

Sabatinas e debate da Band tiveram repercussões diferentes

A análise diária mostra que os eventos da reta final produziram oscilações importantes na avaliação dos candidatos nas redes.

Após a sabatina de Lula no Jornal Nacional, em 15 de outubro, a diferença no saldo de sentimento passou de 5,4 pontos favoráveis a Flávio, na referência anterior, para 12 pontos no dia 16.

Presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante entrevista à TV Globo (Ricardo Stuckert)

Depois da sabatina de Flávio, realizada em 16 de outubro, a vantagem do senador atingiu 41,1 pontos no dia seguinte. Segundo o relatório, o resultado foi impulsionado por publicações de elogio e apoio ao candidato.

O senador e candidato à Presidência pelo PL, Flávio Bolsonaro, em sabatina na TV Globo (Manoella Mello/Globo/Divulgação)

No dia do debate da Band, em 18 de outubro, o cenário foi diferente.

O saldo de sentimento ficou praticamente igual: 2,3 pontos positivos para Lula e 2,4 pontos positivos para Flávio Bolsonaro, uma diferença de apenas 0,1 ponto.

No dia seguinte, com dados ainda parciais, Flávio voltou a apresentar vantagem de 8,4 pontos.

O relatório também identificou que os temas mais discutidos tiveram efeitos distintos. Entre os assuntos associados a Lula estavam ataques e ofensas, questionamentos envolvendo o caso do INSS e cobranças para que Flávio abrisse seus sigilos bancário e telefônico.

Já a conversa sobre Flávio incluiu questionamentos sobre patrimônio e declarações do candidato, além de publicações de apoio relacionadas aos atos realizados em Salvador e na Avenida Paulista.

A Datrix ressalta que a vantagem de sentimento também depende da rede social analisada. Entre 16 e 19 de outubro, Flávio tinha vantagem de 7,1 pontos no conjunto das plataformas. Sem um único perfil responsável pela amplificação de mensagens, a diferença caía para 2,7 pontos.

Fora do X, por outro lado, a vantagem chegava a 16,5 pontos.

Lula liderou buscas no início do debate, mas Flávio teve maior pico no Google

O levantamento analisou ainda o interesse de busca pelos dois candidatos no Google Trends durante a noite do debate da Band.

Lula liderou as buscas no início do programa e atingiu um pico de 85 pontos no índice da plataforma às 20h44.

Flávio alcançou o pico de 100 pontos às 22h04, passando à frente do presidente no indicador.

Na comparação do período entre 22h e meia-noite, o interesse por Flávio foi 1,3 vez o registrado por Lula.

Segundo a Datrix, parte do aumento esteve relacionada a pesquisas sobre assuntos negativos envolvendo o senador e a uma convocação organizada nas redes para impulsionar determinados termos.

O relatório observa que o Google Trends mede interesse relativo de busca, e não quantidade absoluta de pesquisas. Também ressalta que procurar informações sobre um candidato não significa concordar com ele ou apoiá-lo.

Disputa digital pode influenciar a reta final?

Na avaliação de João Paulo Castro, a campanha presidencial demonstra que os acontecimentos nos meios tradicionais de comunicação estão diretamente ligados às discussões nas redes sociais.

"O embate visceral, mas com poucas ideias e planos de governo, visto no debate da Band é o exemplo irrefutável de que não existe mais separação entre a comunicação digital e a analógica", afirma o executivo.

Castro também avalia que a reta final será marcada pela disputa pela influência digital e pela capacidade das campanhas de mobilizar seus apoiadores.

Apesar dessa avaliação, os indicadores do relatório não permitem estabelecer quantos votos são influenciados pelas publicações ou pelo engajamento nas plataformas.

O levantamento mede a repercussão digital dos candidatos, e não a intenção de voto dos eleitores. Por isso, o equilíbrio identificado nas redes não significa, necessariamente, empate nas urnas.

Como foi feito o levantamento da Datrix?

O relatório da Datrix analisou dados entre 27 de setembro e 19 de outubro de 2026, sendo o último dia considerado parcialmente.

A empresa monitorou publicações públicas sobre os candidatos, impressões potenciais, interações, crescimento de seguidores e participação de perfis influentes.

Na análise de sentimento, utilizou uma amostra aleatória ponderada para representar as publicações de cada dia, com margem de erro estimada em cerca de cinco pontos percentuais por candidato e dia.

O monitoramento dos perfis oficiais considerou Facebook, Instagram, X e YouTube. O TikTok ficou de fora da comparação porque Flávio não tinha perfil na base acompanhada pela empresa.

O relatório também informa que a classificação de sentimento e de temas apresenta limitações metodológicas e que os fatos citados na imprensa não foram verificados de maneira independente pela Datrix.

A eleição presidencial está marcada para 25 de outubro.


Perguntas frequentes

Quem lidera nas redes sociais, Lula ou Flávio Bolsonaro? +

Segundo a Datrix, Lula lidera em volume de publicações, interações e seguidores. Flávio Bolsonaro, por sua vez, tem mais perfis influentes publicando sobre ele e apresentou saldo de sentimento mais positivo na última semana analisada.

O que o levantamento da Datrix mostrou após o debate da Band? +

No dia do debate, em 18 de outubro, o saldo de sentimento foi de 2,3 pontos positivos para Lula e 2,4 pontos positivos para Flávio Bolsonaro, uma diferença de apenas 0,1 ponto. No dia seguinte, com dados parciais, Flávio voltou a apresentar vantagem de 8,4 pontos.

Quantos seguidores Lula e Flávio Bolsonaro têm nas redes sociais? +

Em 19 de outubro de 2026, Lula somava aproximadamente 37,6 milhões de seguidores no Instagram, X, Facebook e YouTube, contra 24,8 milhões de Flávio Bolsonaro. A vantagem do presidente era de 52%, segundo a Datrix.

Quem ganhou mais seguidores durante o segundo turno? +

Entre 3 e 19 de outubro, Flávio Bolsonaro ganhou 3,1 milhões de seguidores nas plataformas monitoradas, enquanto Lula ganhou 2,7 milhões. Com isso, a diferença proporcional entre as bases dos candidatos diminuiu.

O que significa o saldo de sentimento nas redes sociais? +

O saldo de sentimento é calculado pela diferença entre o percentual de publicações classificadas como positivas e negativas sobre cada candidato. Entre 12 e 18 de outubro, Lula registrou saldo de -0,6 ponto, enquanto Flávio Bolsonaro teve +4,9 pontos, segundo a Datrix.

O empate nas redes sociais significa empate na eleição presidencial? +

Não necessariamente. O relatório da Datrix mede repercussão digital, volume de publicações, engajamento, seguidores e sentimento nas redes sociais. Esses indicadores não equivalem à intenção de voto e não permitem prever o resultado do segundo turno das eleições de 2026.

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