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Após aumento na rejeição, Bolsonaro questiona credibilidade do Datafolha

"Alguém acredita em Datafolha?", disse o presidente; pesquisa mostrou que reprovação do governo passou de 33% para 38% em dois meses

Bolsonaro: presidente questionou credibilidade de pesquisa que aponta alta em sua reprovação (Antonio Cruz/Agência Brasil)

Bolsonaro: presidente questionou credibilidade de pesquisa que aponta alta em sua reprovação (Antonio Cruz/Agência Brasil)

EC

Estadão Conteúdo

Publicado em 2 de setembro de 2019 às 13h35.

Última atualização em 2 de setembro de 2019 às 15h21.

Brasília — O presidente Jair Bolsonaro questionou o resultado da pesquisa do instituto Datafolha divulgado nesta segunda-feira (02), com registro de aumento na sua reprovação de 33% para 38% em dois meses.

"Alguém acredita em Datafolha? Você acredita em Papai Noel?", respondeu o presidente a jornalistas ao ser questionado sobre os números. Ele falou com a imprensa na saída do Palácio da Alvorada, pela manhã.

Em seguida, indagado sobre o fato de ter dito que números de pesquisa anterior, sobre 86% dos brasileiros rejeitarem garimpo em terras indígenas, faziam sentido, ele falou que "de vez em quando, quando a pesquisa não é política, há tendência de fazer a coisa certa".

Com o resultado, Bolsonaro segue sendo o presidente mais mal avaliado neste período de nove meses de governo, desde Fernando Henrique Cardoso.

Em uma segunda pesquisa divulgada nesta manhã, o Datafolha indica que, se o segundo turno das eleições presidenciais de 2018 acontecesse hoje, Fernando Haddad seria eleito com 42% dos votos, contra 36% de Jair Bolsonaro.

Mais cedo, pelo Twitter, Bolsonaro voltou a criticar o instituto de pesquisa Datafolha. Ele publicou uma imagem de setembro do ano passado, um mês antes da votação, na qual Haddad possuía 45% do votos no segundo turno, o que acabou não se confirmando.

"Segundo o mesmo Datafolha que diz que eu seria derrotado se as eleições fossem hoje, eu perdi as eleições de 2018. Muito confiável!", escreveu o presidente na rede social.

A confiança em pesquisas eleitorais foi questionada diversas vezes durante o pleito do ano passado, o mais polarizado desde a redemocratização em 1989.

De acordo com especialistas, a partir do momento em que as pesquisas são divulgadas, elas passam a influenciar os votos dos eleitores, em um cálculo que ficou conhecido como “voto útil”. 

O melhor critério para medir a confiabilidade é analisar as pesquisas mais próximas do resultado por causa do cálculo do voto útil e da volubilidade dos eleitores.

Na véspera das eleições, em 27 de outubro, uma pesquisa Datafolha mostrou Bolsonaro com 55% e Haddad com 45% das intenções de voto — praticamente o mesmo resultado das urnas, que foi de 55,13% dos votos válidos para Bolsonaro e 44,87% para Haddad.

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