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Alcolumbre diz que PEC do fim da escala 6x1 será votado após as eleições

Liderança do governo no Congresso considerou haver risco de rejeição da proposta se ela fosse votada nesta semana

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP)  (Saulo Cruz/Agência Senado)

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP) (Saulo Cruz/Agência Senado)

Ivan Martínez-Vargas
Ivan Martínez-Vargas

Repórter especial em Brasília

Publicado em 3 de setembro de 2026 às 18h59.

Última atualização em 3 de setembro de 2026 às 19h04.

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O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), afirmou nesta quinta-feira, 3, que vai pautar para votação no plenário a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que põe fim à escala 6x1 apenas depois das eleições.

A expectativa já era de que a matéria não fosse pautada nesta semana de esforço concentrado após o líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-AP) ter dito que havia risco de que o texto fosse rejeitado caso fosse para a votação.

Alcolumbre fez o anúncio após um discurso do senador Paulo Paim (PT-RS), defensor histórico da redução da jornada de trabalho e da implementação da escala 5x2, com dois dias de descanso remunerado obrigatório.

Paim, que está no terceiro mandato como senador e tem 76 anos, decidiu neste ano não se candidatar à reeleição e encerrar a carreira política. "Quero sair daqui com orgulho de todos os senadores e senadoras, num grande acordo pelo país. Estou me aposentando (...). Faltam três meses para eu chegar em casa (para o fim do mandato)", disse.

Após o discurso do senador gaúcho, Alcolumbre respondeu: "Vossa Excelência (Paim) estará aqui votando, após as eleições, o fim da escala 6x1 no plenário do Senado Federal". O presidente do Senado não disse, porém, se se referia ao primeiro ou ao segundo turno do pleito. 

Com isso, o presidente do Senado acaba com a pretensão do governo Lula de tentar articular a convocação de uma sessão presencial do Senado antes do primeiro turno das eleições, marcado para 4 de outubro.

Risco de derrota

Na véspera, após a aprovação do texto pela Comissão de Constituição e Justiça do Senado, em conversa com o líder do governo no Congresso, Randolge Rodrigues (PT-AP), Alcolumbre (União Brasil-AP) indagou-o se a equipe de articulação tinha certeza de ter os 49 votos necessários para a votação da matéria. O líder do governo, porém, respondeu que o mapa de votação da base aliada mostrava, no máximo, 54 votos garantidos a favor da PEC.

Com um plenário esvaziado por uma manobra atribuída por Randolfe à oposição, em especial aos senadores Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e Rogério Marinho (PL-RN), a avaliação foi de que a aprovação estaria em risco.

"A responsabilidade de colocar 49 votos era nossa. No mapa que fizemos, havia risco. Poderíamos conseguir a aprovação, mas havia risco e não é adequado correr riscos (de rejeição da PEC) sobre esse tema. O não voto, o não registro do voto já poderia comprometer a votação. Ouvimos o presidente Davi Alcolumbre e, na argumentação do presidente, ele perguntou se tínhamos certeza de ter o número. Não tínhamos, pelo papel de mobilização que a oposição fez", afirmou Randolfe Rodrigues.

Randolfe diz que o governo Lula vai tentar articular a convocação de uma sessão presencial do Senado na semana de esforço concentrado, a ser realizada em outubro, entre o primeiro turno e o segundo.

O risco, no entanto, é que senadores que hoje disputam a reeleição e que são pressionados pela popularidade do fim da escala 6x1 junto à opinião pública, não tenham mais incentivos para aprovar o texto depois da eleição.

Nesta quinta, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva também buscou atribuir a não votação da PEC no Senado nesta semana à oposição. Em uma postagem na rede social X, o presidente disse que Marinho atuou "para impedir o avanço da pauta".

O que diz a PEC?

A proposta prevê a redução da jornada semanal de trabalho das atuais 44 horas para 42 horas em até 60 dias após a promulgação da PEC, além da adoção da escala 5x2, com duas folgas obrigatórias por semana. Após 12 meses da primeira etapa, a carga horária cairá para 40 horas semanais.

O texto determina ainda que uma das folgas ocorra “preferencialmente aos domingos” e estabelece um prazo de 60 dias para a adaptação das convenções coletivas às novas regras.

Trabalhadores com remuneração superior a duas vezes e meia o teto do Regime Geral de Previdência Social — atualmente em R$ 21.188,88 — ficarão dispensados do controle de jornada e ponto, salvo previsão contrária em acordo coletivo ou decisão das empresas.

A tramitação da PEC enfrentou resistência de parlamentares ligados ao setor empresarial e de integrantes da oposição, que afirmam que a medida pode elevar os custos trabalhistas e afetar a geração de empregos.

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