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Setor de carne brasileiro busca investimento da Índia e abertura da Coreia do Sul

Segundo Roberto Perosa, presidente da Abiec, a agenda envolve tanto aportes financeiros quanto intercâmbio tecnológico

Roberto Perosa, presidente da Abiec: "Há, sim, a possibilidade de uma ligeira queda nas exportações totais de carne bovina brasileira. O primeiro semestre será muito forte, mas o segundo semestre tende a ser de menor intensidade", diz. (Abiec/Divulgação)

Roberto Perosa, presidente da Abiec: "Há, sim, a possibilidade de uma ligeira queda nas exportações totais de carne bovina brasileira. O primeiro semestre será muito forte, mas o segundo semestre tende a ser de menor intensidade", diz. (Abiec/Divulgação)

Publicado em 20 de fevereiro de 2026 às 09h17.

Última atualização em 20 de fevereiro de 2026 às 09h55.

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NOVA DÉLI* e SÃO PAULO A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC) prepara uma nova ofensiva na Ásia, com missão oficial na Índia e passagem prevista pela Coreia do Sul para tratar de investimentos, cooperação tecnológica e abertura de mercados para a carne bovina brasileira.

A visita à Índia ocorre a convite do governo brasileiro e integra a comitiva do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em Nova Délhi. Segundo o presidente da ABIEC, Roberto Perosa, o objetivo é aproximar empresas indianas do setor produtivo nacional.

“Estamos avaliando oportunidades de parceria com o setor produtivo da Índia. Existem grandes empresas especializadas no processamento de búfalos que querem investir no Brasil. Trouxemos empresários do setor para fazer essa conexão e avaliar novos investimentos”, afirmou, em entrevista a jornalistas nesta sexta-feira, 20.

De acordo com Perosa, a agenda envolve tanto aportes financeiros quanto intercâmbio tecnológico. Além disso, há avanço nas tratativas institucionais com a entidade equivalente à ABIEC na Índia. “Estamos avançados no entendimento para estabelecer parcerias entre as duas associações”, afirmou.

No sábado, 21, um encontro empresarial organizado pela Apex deve reunir 250 empresários brasileiros e 600 empresários indianos já confirmados.

Além do setor de proteínas, a agenda incluiu reunião com o ministro da Agricultura e Bem-Estar dos Agricultores da Índia, Shri Shivraj Singh Chouhan. Participaram também os ministros brasileiros Carlos Fávaro, da Agricultura e Pecuária, e Paulo Teixeira, do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar.

Entre os temas tratados estiveram bioinsumos, mecanização, inteligência artificial aplicada ao campo e a complementaridade produtiva entre os dois países. Segundo os representantes, Brasil e Índia compartilham desafios relacionados à segurança alimentar e ao aumento da produtividade com sustentabilidade.

De acordo com Fávaro, a reunião abriu espaço para avanços concretos no comércio bilateral. O Brasil manifestou disposição para importar romã e noz-macadâmia da Índia e, em contrapartida, busca a abertura do feijão-guandu, além da ampliação de oportunidades para a carne de frango brasileira e a erva-mate.

Coreia do Sul é prioridade

Após a passagem pela Índia, a missão segue para a Coreia do Sul, considerada o principal objetivo da agenda internacional.

“A Coreia é o grande foco dessa missão. O Brasil ainda não tem acesso ao mercado coreano de carne bovina, que é altamente importador”, afirmou Perosa.

Segundo o executivo, a abertura do mercado sul-coreano integra a estratégia de diversificação de destinos conduzida pela ABIEC em conjunto com o governo brasileiro.

O Japão também está no radar, com negociações em estágio mais avançado. Em março, inclusive, o Brasil deve receber representantes do governo japonês para inspeções em frigoríficos brasileiros.

“O Japão está um pouco mais adiantado. Já a Coreia, talvez com essa visita presidencial, ganhe impulso nas etapas necessárias para a abertura”, disse.

Atualmente, o processo de habilitação sanitária encontra-se na terceira fase de um total estimado entre oito e dez etapas. “Ainda falta uma visita da autoridade sanitária sul-coreana ao Brasil, além do cumprimento de exigências documentais complementares”, disse.

*O jornalista viajou a convite da ApexBrasil

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