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O crescimento do café na China: de tradição milenar a tendência moderna

Consumo da bebida mais que dobrou no gigante asiático nas últimas duas décadas

Café: consumo da bebida na China mais que dobrou nas últimas duas décadas (ABIC/Reprodução)

Café: consumo da bebida na China mais que dobrou nas últimas duas décadas (ABIC/Reprodução)

China2Brazil
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Agência

Publicado em 19 de outubro de 2023 às 19h00.

Última atualização em 10 de janeiro de 2024 às 11h01.

Embora o chá seja a bebida quente dominante na China há séculos, o café tem conquistado um espaço crescente no mercado chinês. De acordo com a Organização Internacional do Café, o consumo de café na China mais que dobrou nas últimas duas décadas, passando de 231 mil sacas de 60 kg em 2002 para 2,8 milhões em 2022.

Segundo um estudo da consultoria Frost & Sullivan, em 2020, cerca de 330 milhões de pessoas consumiam café na China, enquanto em 2013 eram apenas 190 milhões. O estudo também revelou que os jovens são os principais amantes da bebida no país, especialmente os que têm entre 20 e 34 anos.

Além disso, o valor do mercado de café na China também duplicou de 2015 a 2020, passando de 47 bilhões de RMB (cerca de US$ 7 bilhões) para 82 bilhões de RMB (cerca de US$ 12 bilhões). Espera-se que o mercado de café na China continue a aumentar a uma taxa composta anual de 22%, atingindo um valor estimado de 219 bilhões de RMB (cerca de US$ 32 bilhões) até 2025. As projeções do setor sugerem que, se esse crescimento persistir, a China poderá se tornar o maior consumidor mundial de café até 2040, superando grandes mercados como o Brasil e os Estados Unidos.

Em meio à crise global causada pela pandemia, o mercado de café na China mostrou-se resistente e dinâmico, sofrendo menos impactos do que outros setores da economia. Essa resiliência deve-se à capacidade dos consumidores e produtores de se adaptarem às mudanças impostas pelo cenário de crise, buscando novas formas de apreciar e comercializar a bebida.

Durante os períodos de bloqueio, muitos chineses recorreram ao delivery ou ao comércio eletrônico para adquirir seus cafés favoritos, aproveitando as facilidades oferecidas pelas plataformas digitais e pelos aplicativos de pagamento. Além disso, alguns consumidores optaram por preparar o próprio café em casa, aumentando a demanda por grãos, cápsulas e máquinas expressas.

O mercado de café na China também se beneficiou do perfil dos consumidores, que são em sua maioria jovens urbanos, com alto poder aquisitivo e interessados por novidades. Esses consumidores estão sempre em busca de novas experiências, sabores e estilos de vida, e veem o café como uma forma de expressar sua personalidade e seu status social.

A indústria de café na China acompanhou essa demanda crescente e diversificada, oferecendo produtos e serviços cada vez mais personalizados. O número de cafeterias no país atingiu 148.000 em 2021, o que equivale a 10,5 estabelecimentos para cada 100 mil pessoas. Essas cafeterias variam desde as grandes redes internacionais até as pequenas lojas locais, passando pelas cafeterias boutique, que se destacam pela qualidade, pelo design e pelo ambiente.

Com esses fatores favoráveis, o mercado de café na China tem um grande potencial de expansão nos próximos anos. Estima-se que o valor do mercado ultrapasse a impressionante marca de 1 trilhão de RMB (cerca de US$138,5 bilhões) até 2025, superando significativamente os 381,7 bilhões de RMB registrados em 2021.

Cafeterias boutique na China: o fenômeno asiático que conquistou o mundo do café

Uma das tendências que vem se destacando no mercado de café na China é o surgimento das cafeterias boutique, que oferecem uma experiência diferenciada de consumo da bebida, com produtos de alta qualidade, design moderno e ambiente aconchegante. Essas cafeterias buscam atender às demandas dos consumidores mais exigentes, que procuram não apenas uma bebida, mas também uma experiência mais sofisticada.

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