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Cellva é a primeira biotech brasileira a participar de incubadora de tecnologias para alimentação

Startup fundada em 2022 desenvolveu tecnologia 100% nacional para produzir gordura a partir de células e sem a necessidade de abater animais

Sergio Pinto e Bibiana Matte investiram R$ 1 milhão para fundar a Cellva, que desenvolve tecnologia 100% nacional ( Juan Gasparin/Divulgação)

Sergio Pinto e Bibiana Matte investiram R$ 1 milhão para fundar a Cellva, que desenvolve tecnologia 100% nacional ( Juan Gasparin/Divulgação)

Da Redação
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Redação Exame

Publicado em 4 de outubro de 2023 às 06h25.

A startup brasileira Cellva, que desenvolve gordura animal a partir de células e sem abate, se tornou a primeira do país a ser selecionada pela incubadora da organização sem fins lucrativos europeia ProVeg, que apoia empresas que produzam alternativas ou tecnologia para a alimentação com potencial de remover os animais do prato.

Desde 2018, a ProVeg já apoiou mais de 90 startups, que juntas angariaram acima de 300 milhões de euros. A Cellva é a sexta empresa do mundo e a primeira do hemisfério sul a investir no desenvolvimento de biotecnologia voltada para produção de gorduras e lipídios, sendo a única que apresentou protótipos. 

Fundada em 2022 por Sergio Pinto e Bibiana Matte, a companhia brasileira retira células de porcos, sem sacrificá-los, e as nutre com apoio de biorreatores para produzir a gordura. Entre as vantagens da até então chamada “gordura cultivada”, estão o bem-estar animal, melhor qualidade nutricional e eficiência na produção.

“Levamos 21 dias para produzi-la, em vez dos 24 meses da criação suína. Além disso, os porcos seguem vivos e não precisamos de grandes áreas de pasto ou granjas. Outro ponto importante é que se trata de um produto de origem animal, mas não transgênico e com uma qualidade nutricional mais alta porque podemos adaptar a alimentação da célula de forma a ter menos ‘gordura ruim’ e melhor perfil de ácidos graxos”, explicou o CEO Sergio Pinto, em entrevista recente à Exame.

O foco é vender o produto para a indústria de alimentos – inclusive, a empresa já fez testes para incluí-la tanto em produtos plant-based quanto em biscoitos, caramelo e até chocolate. A tecnologia, porém, ainda aguarda aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), e a previsão da startup é que isso ocorra até o fim de 2024. 

A Cellva teve investimento inicial de R$ 1 milhão dos sócios e trabalha há dois anos na tecnologia, que é 100% nacional. Também está no radar da startup, que está em fase de captação de investimentos, licenciar os ingredientes e a formulação para que a produção possa ser replicada dentro e fora do Brasil.

De olho em investidores

Além da startup brasileira, empresas da Argentina, Espanha, Bulgária, Cingapura e Estados Unidos participarão do programa da Proveg. Elas receberão apoio para desenvolver produtos que vão desde bife de atum e caviar à base de plantas até tecnologia para extrair proteína de girassol, uma alternativa apontada como mais nutritiva do que soja e ervilha.

"Nesta fase, estávamos procurando startups de alto impacto que inovam com propostas de valor verdadeiramente únicas, bases tecnológicas e equipes fortes e tecnologia claramente diferenciada", diz Antje Rauscher, co-head e líder de parcerias da incubadora ProVeg.

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As startups selecionadas receberão suporte remoto durante 12 semanas, incluindo mentoria com especialistas em biotecnologia para o desenvolvimento dos produtos e estudo de marcos regulatórios. Em dezembro, haverá um “Demo Day”, quando cada uma apresentará seus negócios para um painel de investidores e uma audiência internacional.

“Será o início da nossa expansão para a Europa. A partir da ProVeg, estaremos no radar da rede de investidores europeus e parceiros na transferência de tecnologia”, destaca a pesquisadora e CSO da Cellva, Bibiana Matte.

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