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Países na Cúpula América do Sul-África pedem reforço

Evento contou com a presença da presidente brasileira, Dilma Rousseff, e de seu colega boliviano, Evo Morales
Dilma discursa em Malabo (©afp.com / Patrick Fort)
Dilma discursa em Malabo (©afp.com / Patrick Fort)
Por Da RedaçãoPublicado em 13/06/2013 07:48 | Última atualização em 13/06/2013 07:48Tempo de Leitura: 5 min de leitura

Malabo - A associação ASA (América do Sul-África) chamou atenção para uma cooperação reforçada para o desenvolvimento, em uma cúpula realizada nesta sexta-feira na Guiné Equatorial que contou com a presença da presidente brasileira, Dilma Rousseff, e de seu colega boliviano, Evo Morales, onde foi lida uma mensagem para o dirigente venezuelano Hugo Chávez.

À noite, os chefes de Estado adotaram uma declaração conjunta em que "apoiam o enfoque global da crise do Mali tal como indicam a União Africana e o Conselho de Segurança das Nações Unidas".

Também pedem à comunidade internacional que apoie os processos de "retorno à ordem constitucional" em Madagascar e Guiné Bissau, à "normalização e estabilização" da República Democrática do Congo e África Central.

"Acredito, do fundo do coração, que o século 21, as próximas décadas, serão de afirmação do mundo em desenvolvimento e, especialmente, da África e da América Latina", afirmou Rousseff na III Cúpula América do Sul-África, que contou com a presença de cerca de 20 chefes de Estado.

"Nós temos a oportunidade histórica de reduzir a distância, tanto econômica quanto social, que ainda nos separa dos países mais avançados. Seremos – África e América do Sul – protagonistas decisivos desse novo cenário histórico e de uma cultura de paz, solidariedade, justiça social e cooperação fraterna", afirmou a presidente do Brasil.

Em seu discurso diante dos presentes na cúpula, Dilma Rousseff propôs concretamente "uma parceira na área da formação de professores e gestores para o ensino técnico profissionalizante para a formação de estudantes especialmente do setor agropecuário".

"O Brasil e a África, não só nós temos uma raiz cultural, social e histórica do ponto de vista da nossa nação, (como) acredito que sejamos o país que tenha a maior quantidade de africanos na sua formação, mas também porque fizemos parte de um mesmo grande continente. Portanto, características da agricultura brasileira estão presentes aqui na África, na medida em que nosso solo tem similaridade, os nossos climas têm similaridades", argumentou a presidente.

"Nós usaremos toda a rede que o Brasil tem (...) para dar suporte à formação tanto de estudantes quanto de professores, de técnicos como de agrônomos", acrescentou.

A presidente propôs ampliar a universidade aberta do Brasil de ensino à distância que já funciona em Moçambique e "ampliar as parcerias de pesquisa científica e tecnológica em todos os campos".

No campo da saúde, Rousseff falou da vontade de "fazer una transferência de tecnologia" para a fabricação de antirretrovirais. Atualmente, o Brasil já financia uma fábrica em Moçambique desses medicamentos destinados aos portadores da Aids.


Defendendo a política brasileira de combate à pobreza, a presidente destacou que "entre as grandes contribuições que o Brasil pode prestar, estão todos os nossos programas sociais" de acesso a serviços como eletricidade, água, educação e saúde.

A presidente não deixou passar a oportunidade de insistir em uma das grandes reivindicações de Brasília, ao afirmar: "é urgente a reforma da ONU", porque "nada justifica que África e América do Sul permaneçam sem representação permanente no Conselho de Segurança".

Da mesma forma, a chefe de Estado pediu uma reforma na governança do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial a favor dos países emergentes.

Neste sentido, Dilma Rousseff se pronunciou sobre a Organização Mundial de Comércio, onde o brasileiro Roberto Azevedo é um dos nove candidatos a suceder ao francês Pascal Lamy a frente do organismo a partir de setembro.

"Os interesses comerciais e as nossas parcerias econômicas recomendam esforços articulados para expressão dos nossos interesses na OMC", declarou.

O presidente venezuelano Hugo Chávez, internado em um hospital militar de Caracas para se tratar de um câncer, enviou uma mensagem para ser lida em seu nome na reunião, através de seu chanceler, Elías Jaua.

"Em nossos continentes onde se encontram os recursos naturais suficientes, políticos e históricos que são necessários para salvar o planeta do caos que chegou", afirma a carta.

O presidente venezuelano destacou ainda que a cooperação Sul-Sul deve ser um "autêntico e permanente vínculo de trabalho conjunto" ao destacar que "somos um mesmo povo".

Por sua vez, no discurso de abertura, o presidente da Guiné Equatorial e anfitrião, Teodoro Obiang Nguema, propôs incluir no fórum de discussão os países da América Central e do Caribe.

"Considerando a grande força política e econômica dos países em via de desenvolvimento e o impacto positivo que resultará da cooperação Sul-Sul, propomos que esta cúpula estude a viabilidade de abrir-se a todos os países da Comunidade de Estados Latino-Americanos", declarou Obiang Nguema.

"A ausência dos países centro-americanos e do Caribe não se justifica nem por razão política nem econômica. São países que também foram vítimas do colonialismo e da discriminação implantada nas relações internacionais, pelo que é óbvio que também devem ser integrados nesta grande aliança", argumentou.

A maioria dos oradores coincidiu nos pontos comuns entre África e América do Sul.

O presidente nigeriano, Goodluck Jonathan, destacou que "as duas regiões têm imensas possibilidades tanto no nível de recursos humanos como naturais, que colocam os dois continentes em uma posição vantajosa no contexto da globalização".

Goodluck Jonathan também sublinhou a necessidade de criar um sistema de financiamento para poder avançar.

Vários delegados coincidiram que desde a primeira cúpula de 2006 na Nigéria e a segunda na Venezuela três anos mais tarde, a ASA rendeu poucos frutos.

A ASA reúne 54 países africanos e 12 sul-americanos. Segundo dados do Brasil, as trocas comerciais entre ambas partes passaram de 7 bilhões de dólares, em 2002, para 39 bilhões, em 2011.