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Assad avisa que não cederá

"A Síria continuará sendo o coração vivo do mundo árabe e não renunciará a seus princípios", afirmou o presidente


	Bashar al-Assad: presidente fez estas declarações enquanto o chefe da coalizão opositora síria reivindica uma resposta clara de Damasco a sua proposta de diálogo
 (AFP)

Bashar al-Assad: presidente fez estas declarações enquanto o chefe da coalizão opositora síria reivindica uma resposta clara de Damasco a sua proposta de diálogo (AFP)

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Da Redação

Publicado em 11 de fevereiro de 2013, 17h59.

Damasco - O presidente sírio, Bashar al-Assad, afirmou nesta segunda-feira que seu regime não cederá às pressões, no conflito entre suas tropas e os rebeldes, marcado nesta segunda-feira por um inédito atentado em uma cidade turca fronteriça.

"A Síria continuará sendo o coração vivo do mundo árabe e não renunciará a seus princípios (...) mesmo se estiver submetida a pressões cada vez maiores ou se for objeto de variados complôs" afirmou o presidente diante de uma delegação jordaniana, segundo a agência oficial SANA.

O presidente fez estas declarações enquanto o chefe da coalizão opositora síria, Ahmed Moaz al Khatib, reivindica uma resposta clara de Damasco a sua proposta de diálogo e enquanto os rebeldes obtinham uma importante vitória ao tomar o controle da represa do Eufrates, a maior da Síria.

Na fronteira com a Turquia, país que apoia a rebelião, pelo menos dez pessoas morreram e 30 ficaram feridas com a explosão de um carro bomba, segundo Ancara. É o atentado mais grave nesta área desde o início do conflito sírio há quase 23 meses.

A explosão provocada por um veículo com matrícula síria, aconteceu na área que separa o território turco do posto fronteiriço sírio de Bab al Hawa, controlado pelos rebeldes.


Trata-se do incidente mais grave na fronteira entre ambos os países, antes isolados, desde a queda, em outubro, de um morteiro do exército sírio em uma cidade turca, que matou cinco civis.

Por outro lado, no norte da Síria, a represa estratégica do Eufrates, que irriga milhares de hectares, foi tomada por rebeldes islamitas, segundo o Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH).

Trata-se da "maior perda econômica para o regime desde o começo da revolta", segundo esta organização, que conta com uma ampla rede de militantes e fontes médicas civis e militares em todo o país.

"Nenhuma resposta clara" de Damasco

Com a esperança de pôr fim a um conflito que, em quase dois anos, deixou mais de 60.000 mortos, segundo dados da ONU, o líder opositor Ahmed Moaz al Khatib manteve nesta segunda-feira sua oferta de diálogo com condições e lamentou não ter no momento "nenhuma resposta clara" do governo de Damasco.


"Até agora não houve nenhum contato oficial com nenhuma parte", declarou à imprensa no Cairo.

"Dirijo uma última mensagem ao regime para que tente compreender o sofrimento do povo sírio, porque a revolução continuará e não será detida jamais", afirmou.

Apesar das críticas de outros opositores, Khatib disse que está disposto a ter conversas diretas com representantes do regime sobre a saída do presidente Assad.

A oferta de diálogo de Khatib recebeu o aval dos Estados Unidos, da Liga Árabe e, sobretudo, dos grandes aliados da Síria, Rússia e Irã.

Enquanto isso, o exército continuou bombardeando as áreas rebeldes, em particular as situadas próximas a Damasco.

Em um tipo de atentado cada vez mais comum, 14 membros dos serviços sírios de inteligência morreram nesta segunda-feira em um duplo ataque suicida com carros-bomba no nordeste do país, segundo o OSDH.

A maioria desses atentados foi reivindicada pelos jihadistas da Frente Al Nusra, considerado por Washington como "uma organização terrorista".