Como a China usou o WeChat para conter a covid-19 -- e vigiar as notícias

O aplicativo adotou um código QR para alertar os usuários de uma possível contaminação do vírus e censurar mensagens críticas ao governo

Um dos aplicativos de mensagens instantâneas mais populares da China, o WeChat, está desempenhando um papel importante no combate ao coronavírus. Tão popular quanto o WhatsApp no Brasil, é por meio do WeChat que grande parte da população chinesa recebe informações relevantes sobre o país e o governo.

Entre as medidas adotadas pelo aplicativo, está o uso de código QR para rastrear usuários que utilizam o transporte público. Quando o indivíduo entra em algum meio de transporte - como táxi, metrô ou ônibus -, ele consegue enviar suas informações para o aplicativo por um código. Se este passageiro for depois diagnosticado com a covid-19, o aplicativo envia uma mensagem a todos que também utilizaram o mesmo transporte, avisando-os de uma possível contaminação.

Além disso, também é possível acessar, sem sair do app, um mapa digital que indica onde, nas proximidades, estão registrados casos de pacientes com a doença. Outra medida - e uma das mais controversas - foi a censura de algumas palavras e frases. Para tentar conter a histeria sobre a nova doença, o app da companhia Tencent proibiu algumas mensagens com termos relacionados com a doença.

Em entrevista ao site BuzzFeed, um porta-voz da empresa afirmou que a intenção era combater a desinformação: "Lançamos uma variedade de ferramentas e recursos na plataforma para ajudar os usuários a permanecerem seguros e se protegerem contra a epidemia de coronavírus em andamento. Vale ressaltar, isso inclui desmascarar rumores falsos", disse.

O aplicativo está utilizando sua influência para tentar controlar questões ligadas com a pandemia global. Considerado um super app, ele é popular por conseguir reunir quase todos os serviços básicos para os usuários. Para os chineses, o WeChat pode ser considerado uma loja de aplicativos e ferramentas, atuando quase como um monopólio.

Sendo assim, o aplicativo se tornou um refúgio para muitas das respostas que os usuários precisavam. Com ele, é possível realizar videoconferências, o que facilita o trabalho remoto, pagar contas e, ainda, receber notícias sobre a situação do país.

Sabendo disso, a Tencent passou a bloquear informações de terceiros que chegavam para o aplicativo sem verificação prévia, com a intenção de monopolizar os serviços promovidos por eles. No caso do WeChat Work, que é a ferramenta de trabalho do app, mais de 800 milhões de pessoas a estão utilizando.

Entre os veículos de divulgação de notícias que foram banidos do aplicativo da Tencent, estão os portais ITHome e 36Kr, que estavam divulgando notícias alarmantes sobre o novo coronavírus. Serviços que atuam como seus concorrentes, como a startup ByteDance, responsável pelo aplicativo de trabalho remoto Feishu, também foram banidos.

Para o jornal South China Morning Post, a Tencent respondeu que os serviços  haviam desrespeitado as regras de conduta do aplicativo; eles, por sua vez, negam terem feito isso. O ecossistema de programas conta, atualmente, com mais de 1,2 bilhão de usuários mensalmente ativos.

Obrigado por ler a EXAME! Que tal se tornar assinante?


Tenha acesso ilimitado ao melhor conteúdo de seu dia. Em poucos minutos, você cria sua conta e continua lendo esta matéria. Vamos lá?


Falta pouco para você liberar seu acesso.

exame digital

R$ 12,90/mês
  • Acesse onde e quando quiser.

  • Acesso ilimitado a conteúdos exclusivos sobre macroeconomia, mercados, carreira, empreendedorismo, tecnologia e finanças.
Assine

exame digital + impressa

R$ 29,90/mês
  • Acesse onde e quando quiser

  • Acesso ilimitado a conteúdos exclusivos sobre macroeconomia, mercados, carreira, empreendedorismo, tecnologia e finanças.

  • Edição impressa mensal.

  • Frete grátis
Assine

Já é assinante? Entre aqui.