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50 anos da Apple: como Steve Jobs liderou a virada histórica da empresa

De quase falência a US$ 108 bilhões, retorno de Jobs redefiniu a Apple com iMac, iPod, iPhone e iPad

Steve Jobs: fundador da Apple saiu e voltou para a empresa (Montagem EXAME/Canva/Wikimedia Commons)

Steve Jobs: fundador da Apple saiu e voltou para a empresa (Montagem EXAME/Canva/Wikimedia Commons)

Publicado em 1 de abril de 2026 às 04h51.

Antes das blusas pretas de gola alta virarem uniforme, Steve Jobs já tinha feito — e desfeito — a Apple. Jobs ajudou a criar a empresa direto de uma garagem em 1976, foi expulso em 1985 e em 1997 voltou para reconstruí-la quando ela estava à beira do colapso.

No começo, a história seguiu o roteiro clássico do Vale do Silício.

Em uma garagem na Califórnia, Jobs e Steve Wozniak lançaram o Apple II, que transformou o computador pessoal em produto de massa e levou a empresa a cerca de US$ 1,5 bilhão em receita em 1982. O passo seguinte foi o Macintosh,  dois anos depois, que colocou interface gráfica e mouse nas mãos do consumidor.

A virada aconteceu rápido. Conflitos de gestão escalaram, e em 1985 Jobs deixou a empresa após disputa com o CEO John Sculley. Sem ele, a Apple perdeu direção: acumulou produtos, perdeu mercado e entrou em uma sequência de prejuízos.

No fim dos anos 1990, o cenário era complexo. Em 1997, a companhia registrou perdas superiores a US$ 1 bilhão, operava com cerca de 90 dias de caixa e acumulava um portfólio fragmentado, sem direção clara de produto.

Mas a tentativa de resolver os problemas começou um ano antes, em 1996, quando a Apple comprou a NeXT por cerca de US$ 400 milhões. O movimento trouxe de volta o fundador que havia deixado a empresa uma década antes. Jobs assumiu primeiro como conselheiro, mas rapidamente se tornou o líder da empresa que havia fundado há decadas.

A reestruturação foi imediata. Ele eliminou linhas redundantes para reduzir o portfólio a poucos produtos centrais e contratou Tim Cook para ajudá-lo a resolver problemas que, à época, marcavam a Apple.

Em paralelo, firmou uma parceria com a Microsoft, que investiu US$ 150 milhões e garantiu a continuidade do Office no Mac, assegurando relevância corporativa.

Os efeitos apareceram em sequência. Em 1998, a Apple voltou ao lucro, com cerca de US$ 309 milhões. O ponto de inflexão foi o iMac, um desktop integrado que combinou design diferenciado, facilidade de uso e conexão à internet, reposicionando a marca e reativando a demanda.

De fabricante de PCs a empresa de produtos

Com a base reorganizada, Jobs mudou a lógica da empresa.

O conceito de hub digital colocou o Mac no centro e abriu caminho para novos dispositivos.

O primeiro foi o iPod, em 2001. Integrado ao iTunes, ele levou a Apple para o mercado de música digital e criou um ecossistema próprio.

Mas o verdadeiro divisor de águas veio em 2007. O iPhone reuniu hardware, software e uma interface baseada em toque em um único dispositivo. Naquele momento, a Apple substituiu a lógica fragmentada dos celulares da época, que dependiam de teclados físicos e sistemas limitados.

A proposta evoluiu rapidamente com a App Store. Ao abrir o sistema para desenvolvedores externos dentro de um ambiente controlado, a Apple transformou o iPhone em uma plataforma contínua, capaz de incorporar novas funções ao longo do tempo, sem depender de novos aparelhos para cada mudança relevante.

Esse modelo ampliou o papel do dispositivo. O iPhone, então, deixou de ser apenas um telefone e passou a concentrar múltiplas funções — comunicação, consumo de conteúdo e acesso a serviços digitais — dentro de um único ecossistema.

Ao mesmo tempo, a empresa estruturou uma nova dinâmica de receita. Além da venda do aparelho, passou a gerar faturamento por meio de aplicativos, distribuição de conteúdo e serviços digitais, criando uma base recorrente que se expandia com o uso do dispositivo.

Em 2010, o iPad expandiu esse modelo para tablets, consolidando a presença da Apple em múltiplas categorias.

Os números acompanharam a transformação. A receita saiu de cerca de US$ 7,1 bilhões, em 1997, para aproximadamente US$ 108 bilhões em 2011. O lucro líquido chegou a cerca de US$ 25,9 bilhões. E Jobs estava no centro de tudo.

A saída de Jobs

Nos últimos anos à frente da Apple, Steve Jobs reduziu sua presença na operação. A partir de 2009, problemas de saúde limitaram sua atuação direta e exigiram a redistribuição das responsabilidades executivas.

A rotina da empresa, antes centralizada em suas decisões, passou a depender de uma estrutura mais distribuída, com executivos assumindo funções-chave no dia a dia.

Em janeiro de 2011, Jobs entrou em licença médica e transferiu o comando operacional ao COO, Tim Cook. Cook já coordenava áreas estratégicas, como operações e cadeia de suprimentos, e assumiu a condução da empresa em um momento de expansão global, com alta demanda por iPhone, iPad e Mac. A Apple mantinha ritmo acelerado de lançamentos e crescimento, com presença consolidada em múltiplos mercados.

Em agosto daquele ano, Jobs formalizou sua saída do cargo de CEO. Na comunicação ao conselho, indicou Cook como sucessor direto. Permaneceu como chairman, mantendo influência nas diretrizes estratégicas e na visão de longo prazo da companhia.

A transição ocorreu no auge da empresa. A Apple registrava receitas superiores a US$ 100 bilhões, sustentadas por um portfólio integrado de produtos e serviços. O modelo combinava hardware, software e distribuição digital em um ecossistema fechado, com alcance global e base crescente de usuários.

Em outubro de 2011, dois meses após a mudança de liderança, Jobs morreu aos 56 anos. A empresa seguiu operando com a estrutura que ele havia estabelecido, apoiada em processos definidos, cadeia global de produção e um portfólio consolidado.

A mudança de comando não alterou o funcionamento central da companhia. A Apple manteve a integração entre produtos, software e serviços, preservando a lógica construída ao longo dos anos anteriores.

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