Revista Exame

Whirlpool conseguiu lucrar, mesmo com vendas menores

Dona das marcas Brastemp e Consul, companhia fechou 2016 com um lucro líquido de 78 milhões de dólares — 16% superior ao valor obtido em 2015

DR

Da Redação

Publicado em 10 de agosto de 2017 às 05h51.

Última atualização em 10 de agosto de 2017 às 05h51.

Em um cenário de crise, investimentos em bens duráveis, como fogões e geladeiras, saem da lista de prioridades na maioria dos lares — se o equipamento ainda estiver funcionando, não será substituído por outro mais moderno. O plano de montar um apartamento maior, casar ou ter filhos é adiado por um tempo, até que a economia melhore. Essa tem sido a realidade enfrentada pelas fabricantes de eletroeletrônicos nos últimos anos, e 2016 não foi diferente. A capacidade de se manter de pé durante ciclos econômicos desfavoráveis é um dos desafios das empresas do setor.

“Durante uma crise, a única demanda que persiste é a de reposição. As compras planejadas diminuem bastante”, diz João Carlos Brega, presidente da Whirlpool para a América Latina. Com a retração do consumo, a Whirlpool, dona das marcas Brastemp e Consul, faturou no ano passado pouco mais de 2 bilhões de dólares, queda de 1% em relação a 2015. Mesmo assim, fechou o ano com um lucro líquido de 78 milhões de dólares — 16% superior ao valor obtido em 2015. 

Além disso, conseguiu melhorar a rentabilidade sobre o patrimônio, para 10% no ano passado, ante 8% do anterior. “Trabalhamos nos últimos anos prevendo um cenário de recessão no país, mas não podíamos antever que ela seria tão longa e tão profunda”, diz Brega. “A boa notícia é que pior do que está não tem como ficar, e logo a demanda reprimida que existe no mercado hoje vai se transformar em crescimento.”

De acordo com ele, a Whirlpool se ajusta para encarar desempenhos modestos por mais dois anos e vislumbra uma retomada apenas a partir de 2019.

João Carlos Brega, presidente da Whirlpool: produtos lançados nos últimos quatro anos respondem por 25% da receita | (Leandro Fonseca/EXAME)

O grande mérito da Whirlpool, que tem lhe permitido atravessar momentos difíceis com relativa tranquilidade, é o planejamento. A adequação do tamanho da operação no Brasil começou em 2014. Não houve demissões, mas a empresa deixou de repor profissionais das vagas encerradas organicamente. Outra medida tomada é a contínua expansão de produtos e serviços, diversificando as fontes de receita.

Os dados da própria empresa apontam que produtos e serviços criados nos últimos quatro anos já respondem por cerca de 25% da receita no país. São lançamentos como a cervejeira Consul, os novos preparadores de bebidas B.blend e serviços relacionados ao purificador de água Brastemp, entre outros.

Para seguir crescendo e criando novos mercados, a Whirlpool investe em inovação. “Se nos perguntassem em 2010 se imaginávamos entrar no mercado de bebidas, provavelmente diríamos que não. Hoje temos uma empresa em parceria com a Ambev para produzir cápsulas de refrigerantes para os preparadores de bebidas B.blend, e é um sucesso”, diz Brega.

Os próximos mercados a ser desbravados estão na área de internet das coisas, conectando aparelhos de uso diário à rede mundial de computadores. A Whirlpool já tem parcerias com o Google e a Amazon para esse fim e faz experimentos com conexão de geladeiras, assistentes pessoais e outros produtos. “Quando a economia melhorar, estaremos preparados, mais maduros e com mais novidades”, afirma Brega.

Acompanhe tudo sobre:bens-de-consumoBrastempConsulMelhores e MaioresWhirlpool

Mais de Revista Exame

Swarovski apresenta coleção baseada nos mistérios subaquáticos

Dress watches: IWC apresenta três modelos do Portugieser

Aplicações na adega: o vinho como investimento financeiro

A luta e o recomeço

Mais na Exame