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A terra dos vinhos verdes: noroeste de Portugal produz 80 milhões de litros ao ano

Vinhas e adegas, montanhas e jardins, vilas e cidades históricas: explore os sabores do norte de Portugal

Monverde Wine ­Experience Hotel: recantos de luxo (Divulgação/Divulgação)

Monverde Wine ­Experience Hotel: recantos de luxo (Divulgação/Divulgação)

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Carolina Gehlen

19 de janeiro de 2023, 06h00

No frescor do mar e das serras, o noroeste de Portugal revela a complexidade de seus famosos vinhos verdes, sejam eles brancos, tintos ou rosés. Sim, vinhos verdes não se referem à cor, mas à região onde são produzidos.

Ali, o clima frio e chuvoso acentua a umidade, cobrindo as serras de verde e inspirando o nome dos vinhos. Mas é preciso ir além da cor, seguindo o caminho dos ventos, das chuvas e da terra, para descobrir toda a sua diversidade.

Os vários rios que circundam a região, como o Minho, o Cávado, o Douro, o Ave ou o Lima, demarcam as nove sub-regiões que ocupam uma área total de cerca de 16.000 alqueires de vinha, correspondendo a cerca de 15% da área vitícola portuguesa.

Na região estão cerca de 16.000 viticultores e 1.400 marcas, com produção anual de 80 milhões de litros para mais de 100 mercados de exportação. Se os números estão aquecidos, não falta frescor entre os vinhos.

Sem grandes amplitudes térmicas e com elevada precipitação sobretudo no inverno e na primavera, as temperaturas amenas dão sabor e cor aos vinhos brancos jovens — os mais conhecidos. Mas também é possível encontrar vinhos com um estilo mais complexo e estruturado, com alguns anos de envelhecimento.

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(Arte/Exame)

A terra dos vinhos verdes

Para conhecer a região, comece pela sub-região de Monção e Melgaço, saindo do Porto em direção à divisa entre Portugal e Espanha, onde uma cadeia de montanhas bloqueia ventos do Atlântico, tornando o clima mais quente e seco.

Essas características favorecem castas como a alvarinho, especialidade da Quinta do Soalheiro, que produz um dos melhores e mais premiados alvarinhos da região, um vinho mais rico e complexo, com frescura aromática, sabor intenso e um extraordinário potencial de evolução em garrafa.

A propriedade utiliza um modo de produção biológico que respeita a biodiversidade da flora e da fauna. A partir de 18 euros, é possível agendar uma prova que inclui visita à adega e às vinhas onde pode-se apreciar a vista panorâmica do vale.

Nas provas, aprende-se sobre as tradições locais e das famílias produtoras, já que muitas propriedades estão no mesmo clã há várias gerações. Se você tiver sede de mais histórias, conheça Ponte de Lima, a vila mais antiga de Portugal, no Alto Minho — conhecida pela famosa ponte romana sobre o Rio Lima.

O centro histórico da cidade é patrimônio mundial da humanidade pela Unesco e local do Centro de Interpretação e Promoção de Vinho Verde — uma casa torreada do século 17 com espaço para exposições, sala de prova e loja de vinhos de produtores locais. Experimente um dos vinhos mais aromáticos da região, da casta de uvas loureiro, originária do Vale do Rio Lima.

Além do excelente aroma, possui notável acidez e baixos índices alcoólicos, uma ótima pedida para quem ainda terá um passeio longo pela frente.

Ponte de Lima: a beleza da região revela-se na harmonia entre natureza e cultura (Nick Brundle Photography/Getty Images)

Atenção à estadia

Seguindo viagem, nada mais apropriado do que um repouso — e mais uma prova — em um luxuoso hotel. Na Quinta da Lixa, localizado em Telões (Amarante), fica o Monverde Wine Experience Hotel, premiado no Best of Wine Tourism e comandado pela família Meireles.

Inaugurado em 2015, foi o primeiro hotel vínico criado na Região dos Vinhos Verdes, inserido numa propriedade rodeada por vinhedos. O hotel investiu recentemente na ampliação das acomodações, o que permitiu acrescentar 16 novos quartos e suítes, que se juntam às 30 unidades que já existiam e foram totalmente revitalizadas.

O conceito dos quartos integra o ambiente à produção vinícola. Na Quinta da Lixa, o restaurante comandado pelo chef Carlos Silva inspira-se na gastronomia local utilizando produtos da região harmonizados com os vinhos verdes. Aqui, não deixe de provar a casta de uvas avesso, com sabor frutado, intenso, fresco e encorpado.

Antes de voltar ao Porto dê uma passada em Penafiel, na sub-região de Sousa, e conheça a Quinta da Aveleda, que produz vinhos há mais de 150 anos e está, atualmente, nas mãos da quinta geração da família Guedes. Na Aveleda se produz o conhecido Casal Garcia, presente em mais de 80 países e a marca de vinho verde mais vendida no mundo.

Além do Garcia, não deixe de provar a versão Aveleda Loureiro & Alvarinho, mistura de duas das principais castas de verdes, com intensidade aromática e notas cítricas de frutas brancas associadas ao corpo aveludado que resulta da fermentação do alvarinho. Na Quinta, além das provas, não deixe de conhecer o espaço encantador em que fica o terreno, com belos jardins, atividades ao ar livre e refeições que podem ser agendadas. Os serviços personalizados de enoturismo são adequados a cada visitante ou grupo.

Quinta da Aveleda: uma viagem pelos sentidos, com aromas e cores que variam de acordo com a estação do ano (Divulgação/Divulgação)

A visita imperdível ao Porto

De volta ao Porto é possível conhecer a Comissão de Viticultura da Região dos Vinhos Verdes, localizada no portuense Palacete Silva Monteiro, edifício do século 19 e chamado na época de “A Casa Mais Bonita do Porto”.

Nessa instituição são controladas a produção e o comércio dos vinhos da região, assegurando a genuinidade e a qualidade do vinho verde. Ali são realizadas visitas guiadas que terminam com uma prova de vinhos verdes nos jardins da Casa do Vinho Verde, acompanhados de uma vista deslumbrante para o Rio Douro e a Vila Nova de Gaia. O valor cobrado por pessoa é de 5 euros.

Para uma experiência completa, não deixe de conhecer os verdes tintos e rosés feitos de castas autóctones, como vinhão (tinta) e espadeiro ou padeiro (castas tintas recomendadas para a produção de vinhos rosés).

No final da viagem você terá vontade de encher as malas com garrafas. Fique atento: é permitido trazer 12 litros de vinho por pessoa nas bagagens despachadas em voos internacionais com destino ao Brasil. Um boa solução para trazer as garrafas e não ocupar muito espaço são os sacos plásticos infláveis. O conjunto de sacos mais a bombinha para encher não pesam, e você vai utilizando à medida que for necessário.

Fique atento também ao peso: levar uma balança portátil sempre ajuda. Depois de tantas provas, difícil é escolher quais rótulos trazer. A boa notícia é que muitos vinhos verdes — como os da Soalheiro, Quinta da Lixa e Aveleda — podem ser comprados aqui mesmo no Brasil.

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(Publicidade/Exame)