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Focus descobre a mina de ouro do mercado livre de energia

Com apenas dois anos de existência e oito empregados, a FOCUS chegou a um faturamento de 462 milhões de dólares. E quer mais
Alan Zelazo, sócio-diretor da Focus: crescendo no ritmo da expansão do mercado livre de energia elétrica (Germano Lüders/Exame)
Alan Zelazo, sócio-diretor da Focus: crescendo no ritmo da expansão do mercado livre de energia elétrica (Germano Lüders/Exame)
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Carlos Rydlewski

Publicado em 16/08/2018 às 11:20.

Última atualização em 16/08/2018 às 19:52.

paulistana Focus, que atua na compra e venda de energia, parece ter descoberto uma mina de ouro. Em 2017, com apenas oito empregados e dois anos de existência, faturou 462 milhões de dólares e lucrou 7 milhões de dólares. O resultado proporcionou um excelente retorno, de 89% sobre o patrimônio. A “mina de ouro” da Focus é o mercado livre de energia, um dos dois blocos que compõem o setor elétrico no Brasil. Nesse segmento, os consumidores escolhem de quem comprar energia. Isso pode ser feito diretamente com as geradoras ou com empresas especializadas na comercialização de energia — as condições do negócio são pactuadas entre as partes. O outro bloco do setor elétrico é o mercado cativo, responsável por 70% do total e que é atendido por distribuidores regionais. Nele, o preço e os demais parâmetros de fornecimento são regulados pela Agência Nacional de Energia Elétrica.

No mercado livre, as empresas agem em três frentes. As tradings compram e vendem energia e ganham com a diferença que obtêm nessas negociações. Outras empresas fazem a gestão de contratos entre vendedores e consumidores. Há também as que montam operações estruturadas, incluindo num só pacote desde o financiamento até a securitização das transações. A Focus decidiu abraçar todas essas frentes. Além disso, investe na aquisição de geradoras. Em 2017, comprou duas pequenas centrais hidrelétricas, com capacidade total de 5,6 mega-watts, o suficiente para abastecer dois shopping centers. “Estamos de olho não só em novas oportunidades de geração  mas também na área de transmissão”, diz Alan Zelazo, sócio-diretor da Focus. “Nosso objetivo é oferecer uma plataforma completa de negócios aos clientes.”

Zelazo está no ramo há 17 anos. Trabalhou na mesa de negociação de energia de bancos de investimento. “Mas sempre pensava em empreender.” Em 2014, montou um plano de negócios. No ano seguinte, a Focus foi criada por um grupo de quatro sócios. No final de 2017 tinha oito empregados, mas agora já tem 25. Neste ano, prevê aumentar a receita em 35% em relação ao ano passado. Em boa medida, o rápido crescimento é resultado de mudanças ocorridas nos últimos seis anos no setor. Em 2015, as tarifas de energia subiram, em média, 50%, em consequên-cia do uso de térmicas e dos efeitos da Medida Provisória no 579, assinada pela ex-presidente Dilma Rousseff em 2012, que tratava da renovação das concessões de geradoras e transmissoras. Tais fatores, aliados ao agravamento da crise econômica, promoveram uma migração recorde de companhias do mercado cativo para o livre. Com a mudança, elas obtiveram uma redução média de 20% no custo do insumo. Três mil companhias realizaram essa migração entre 2015 e 2018, impulsionando os negócios da Focus.

Hoje, dois tipos de empresa podem aderir ao mercado livre. Elas precisam ter grande demanda, superior a 3 megawatts, ou uma necessidade menor (a partir de 500 quilowatts), mas nesse caso devem adquirir energia de fontes incentivadas — eólica, biomassa ou solar. A ampliação desses grupos está sendo discutida no Congresso. Ainda que o debate esteja se arrastando, Pedro Manfredini, responsável pelo setor de energia no banco Itaú BBA, define como positivas as perspectivas do segmento. “Ele oferece vantagens inequívocas aos consumidores, como descontos no preço final e acordos feitos sob medida”, diz Manfredini. Bom para a Focus, que tem como trunfo um contrato em carteira para fornecimento de energia até 2035. “Por ser tão longo, ele nos dá um ótimo fôlego”, afirma Zelazo. E que fôlego.

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