O que a JHSF quer com o novo Cidade Jardim Shops

Com terraços abertos e poucas lojas, o novo empreendimento da companhia tem a cara do novo normal
Novo centro terá terraço, 66 lojas e ala só para sapatos, com marcas como Aquazzura (Germano Lüders/Exame)
Novo centro terá terraço, 66 lojas e ala só para sapatos, com marcas como Aquazzura (Germano Lüders/Exame)
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Daniel Salles

Publicado em 03/12/2020 às 05:51.

Última atualização em 11/02/2021 às 14:16.

Não, o Cidade Jardim Shops, que a JHSF inaugura no dia 5 de dezembro, não foi pensado para a pandemia nem adaptado por imposição dela. “Traçar estratégias de negócios tendo o momento atual como única base é um erro”, sustenta o presidente da companhia, Thiago Alonso de Oliveira. “O que nos move são as tendências de consumo, que vão continuar a existir. Já a pandemia uma hora vai acabar, embora ninguém saiba quando.”

O único reflexo do surto viral foi o atraso na inauguração, inicialmente prometida para maio. Mas que a novidade se mostra o shopping ideal para o chamado “novo normal”, mesmo que seja passageiro, não há dúvida. Erguido no mesmo quarteirão do hotel Fasano, no bairro paulistano dos Jardins, o novo centro comercial é repleto de jardins e terraços a céu aberto, que minimizam os riscos de disseminação do novo coronavírus.

Por outro lado, não há intenção de atrair multidões — são apenas 6.500 metros de área bruta locável, quase seis vezes menos do que o Shopping Cidade Jardim. Enquanto este último abriga 175 lojas, o Shops tem apenas 66, em geral menores do que aquelas que estamos acostumados a frequentar. Uma delas foi ocupada pela versão da Gucci dedicada a artigos para casa; outras duas, pelas grifes francesas Isabel Marant e Inès de la Fressange, que debutam no Brasil.

O chamado shoe saloon reúne grifes de calçados como Aquazzura e Gianvito Rossi. Mais uma novidade e tanto é a área dedicada ao CJ Fashion, o e-commerce da JHSF. Nela, a clientela poderá provar todas as peças à venda e até adquiri-las, mas nada de sair com sacolas — os produtos serão entregues em casa. Também não poderia passar sem registro o primeiro empório do grupo Fasano, com direito a itens como velas e roupões, e o restaurante mediterrâneo Roi, do mesmo dono do carioca L’Atelier Mimolette.

Quem assina o projeto é o arquiteto Arthur Casas, que revestiu parte da fachada e diversas paredes com jardins verticais (é o mesmo autor do Shopping Cidade Jardim). Lojas de departamentos europeias, a exemplo da parisiense Le Bon Marché, serviram de inspiração. O público-alvo são os moradores dos Jardins, de onde várias marcas de luxo debandaram na última década (a recente abertura de uma loja da grife Nati Vozza em frente à entrada do Shops sugere que está em marcha o fenômeno oposto, além do poder aglutinador do novo shopping).

A JHSF pretende erguer mais um centro de compras nos mesmos moldes na Avenida Faria Lima, na altura da Rua Leopoldo Couto de Magalhães Júnior — está previsto para 2023. E mais um shopping, este tradicional, está projetado para o Real Parque, também em São Paulo, com inauguração estimada para 2022. No que depender da JHSF, a disseminação do luxo continua.

(Arte/Exame)