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Brilho artificial: como diamantes criados em laboratório ganharam espaço no mercado de luxo

Fruto dos avanços da ciência, as gemas sintéticas são indistinguíveis das naturais e devem se tornar um fonte significativa da renda do mercado de diamantes

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Diamante sintético: mesmas propriedades (Universal Education/Universal Images Group/Getty Images)

Diamante sintético: mesmas propriedades (Universal Education/Universal Images Group/Getty Images)

Carbono, temperaturas extremamente altas e muita pressão. Esses são os elementos básicos para o nascimento de um diamante na natureza. Há outro item importante: o tempo. Nesse caso, devemos considerar alguns milhões de anos na receita. Mas não há mais por que esperar. Em laboratórios de empresas como as americanas Diamond Foundry e De Beers, é possível obter uma gema de igual cintilar em apenas dois meses, de forma sustentável e sem o custo ambiental causado pela mineração de pedras preciosas.

Existem algumas formas de chegar a um diamante de laboratório. Um dos métodos, conhecido como deposição química de vapor (CVD), envolve a deposição controlada de uma fina camada de carbono sobre um substrato por meio de reações químicas. À medida que o carbono se acumula, os átomos se organizam de forma cristalina, resultando em um diamante. Já no método HPHT, uma sigla em inglês para cristalização do carbono, ocorre uma imitação acelerada das condições naturais, transformando um material carbonizado em um lindo cristal.

O resultado é impressionante até mesmo para especialistas. “Diamantes artificiais possuem as mesmas propriedades físicas, ópticas e químicas de seus equivalentes naturais. Sua dureza, seu brilho e sua clareza são indistinguíveis dos naturais”, afirma Luiz Antônio Silveira, gemólogo do Gem Lab, empresa de avaliação de pedras.

Mas há quem se mantenha conservador diante da novidade. Grifes como Bvlgari e Cartier olham com ressalvas para a inovação e defendem a visão de que apenas os diamantes naturais são dignos de fazer parte do exclusivo mundo do luxo. Para o Natural Diamond Council, órgão representativo da indústria, somente os diamantes naturais são valiosos, raros e preciosos, enquanto os cultivados em laboratório são apenas substitutos baratos, com valor estritamente ligado aos custos de produção.

Embora a técnica de fabricação não seja uma descoberta recente — diamantes artificiais são usados no setor industrial desde a década de 1990 — o investimento do grupo LVMH no valor de 90 milhões de dólares na startup israelense de diamantes cultivados em laboratório Lusix mostra que esse poderá ser o caminho do mercado. Trata-se, afinal, do maior conglomerado de luxo do mundo. A previsão é que as pedras artificiais incrementem em breve em 15% as receitas do mercado joalheiro, de 85 bilhões de dólares.

Um primeiro olhar sobre o que a Lusix é capaz de fazer veio pela TAG Heuer, marca do grupo LVMH, que lançou em abril o Carrera Plasma, o primeiro relógio com diamantes incrustados cultivados em laboratório, ao preço de 360.000 dólares. Na apresentação do produto, Frédéric Arnault, chefe da marca e filho do CEO da LVMH, Bernard Arnault, afirmou que não se trata de uma substituição, mas que a inovação garante novas possibilidades. “Usamos o que há de diferente e inerente a essa tecnologia, permitindo-nos novas formas e texturas. Continua­remos a oferecer peças cravejadas de diamantes naturais”, disse o executivo e herdeiro.

Com mais a perder, marcas como a Swarovski, reconhecida por seus cristais, lançou a coleção Created Diamonds, oferecendo joias com diamantes cultivados em laboratório. A Chopard, empenhada em reduzir o impacto ecológico causado pela mineração, também adotou as gemas em suas criações. A Tiffany & Co., famosa por seus anéis de noivado, lançou a coleção Tiffany True em 2019, que apresenta opções com diamantes artificiais ao lado das gemas naturais, uma tendência que logo estará lapidada.  

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