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A reserva da agricultura global

Impulsionado por produção trilionária, agronegócio representa um quarto do PIB brasileiro e lidera exportações globais de commodities estratégicas, como soja e milho

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Colheitadeiras de soja, em Mato Grosso: produção agrícola brasileira cresceu 474% desde 1990. País produz 57% da soja global (Axial-Flow/Divulgação)

Colheitadeiras de soja, em Mato Grosso: produção agrícola brasileira cresceu 474% desde 1990. País produz 57% da soja global (Axial-Flow/Divulgação)

A agropecuária sempre foi forte no Brasil. Mas o avanço de 474% na produção de grãos desde 1990 alçou o país a outro patamar globalmente. O resultado veio pela combinação entre a abertura de novas áreas agrícolas, o salto em produtividade — 3,18% ao ano, em média, entre 2000 e 2019, à frente de China (2,03%) e Estados Unidos (0,5%) —,  a conquista de novos mercados internacionais, e o diferencial estratégico de poder usar 27,1 milhões de hectares mais de uma vez no mesmo ano-safra — algumas culturas, como o milho, têm até três safras anuais. Esse dinamismo se traduz em oportunidades de investimentos variadas.

O agro se tornou um motor para a economia interna do país, a ponto de representar 24,8% de seu Produto Interno Bruto (PIB) em 2022, segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea-Esalq/USP).

O Brasil é hoje um dos líderes mundiais no cultivo de commodities estratégicas, como soja (41% do total global), café (37%) e açúcar (21%). O Ministério da Agricultura projeta que o valor bruto da produção agropecuária atingirá a marca inédita de 1,15 trilhão de reais em 2023.

Força exportadora

Nos últimos dez anos, o faturamento das exportações do setor cresceu 66,1% e atingiu 159,1 bilhões de dólares no ano passado 47,6% do total do país. Além disso, o saldo da balança comercial de 142 bilhões de dólares fez do Brasil o maior exportador líquido do agro global.

Hoje, o país está na dianteira internacional nas vendas de soja (57% do total global), milho (28%), café (28%), açúcar (41%), suco de laranja (72%), tabaco (31%), carne bovina (25%) e carne de frango (34%). E deve fechar o ciclo 2023/24 como maior exportador mundial de grãos, com 156,4 milhões de toneladas.

O ano de 2023 ainda promete mais recordes. Nos primeiros sete meses, o Brasil embarcou 19,7% mais soja do que no ano anterior. Já as vendas de milho saltaram 52,9%, fazendo o país desbancar os Estados Unidos como maior vendedor internacional do grão.

De janeiro a julho, também houve crescimento na quantidade negociada de farelo de soja (+6,1%), arroz (+121,1%), carne de frango (+9,9%), carne suína (+13,7%), açúcar (+12,5%) e celulose (+4,6%). Outro destaque foi que a participação do agro nas exportações brasileiras chegou a 50% pela primeira vez, tendo a China como principal destino (37,2%).

Investimento em tecnologia

O investimento maciço em tecnologia e insumos é uma das razões desse sucesso. Entre 1990 e 2022, o crescimento médio anual da demanda foi de 5,2% para fertilizantes e de 8,6% para defensivos agrícolas, segundo a consultoria Cogo Inteligência em Agronegócio.

Segundo Helena Bonna Brandão, gerente de investimentos da ApexBrasil, o Brasil ocupa hoje a quarta posição mundial do consumo global de fertilizantes. “A estimativa é que 85% dos fertilizantes utilizados no Brasil sejam importados, e a ideia é diminuir a dependência internacional para 50% até 2050”, diz. “Isso só será possível com soluções inovadoras, estímulo à pesquisa e investimento em tecnologias adequadas ao nosso solo e clima.”

Dados da Crosara Consultoria reforçam esse panorama: o volume de negócios no mercado de defensivos do Brasil cresceu 94,8% desde 2018 e chegou a 20,5 bilhões de dólares em 2022. A alta é semelhante nos insumos para nutrição foliar (+96,3%), que totalizaram 2,99 bilhões de dólares. Já o faturamento dos biológicos mais do que triplicou no período e chegou a 828,3 bilhões de dólares.

O vigor do agronegócio brasileiro impulsiona também o setor de máquinas e equipamentos. O Brasil vendeu 931.000 tratores e 130.000 colhedoras de grãos e cana só entre 2021 e 2022, segundo a Cogo. A receita de vendas de máquinas e implementos agrícolas subiu 45,1% de 2020 para 2022, chegando a 91,7 bilhões de reais, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq). Mas isso não significa que não há perspectiva de novos investimentos. Hoje, 68% dos 1,45 milhão de tratores e 72% das quase 250.000 colhedoras utilizadas no país têm mais de 11 anos de fabricação.

Desde 1960, mesmo com o aumento da área plantada no país, a relação de hectares por trator caiu de 410 para 123 em 2022. Apesar disso, a proporção de maquinário no campo brasileiro ainda está abaixo das taxas encontradas nos Estados Unidos, com 33 hectares por trator, na União Europeia, com 16 hectares por trator, e na Índia, com 64 hectares para cada unidade de trator. Em suma, a produtividade acima da média mundial do campo brasileiro pode ser ainda mais incentivada — e há uma clara oportunidade para que o mercado chegue a níveis de mecanização de outros países produtores de grãos. 

Futuro e sustentabilidade

O potencial sustentável da produção vem sendo igualmente desenvolvido há pelo menos quatro décadas. O país consolidou  com sucesso práticas como o plantio direto e a fixação biológica de nitrogênio, além de ter incentivado a adoção de sistemas mais eficientes de produção, como a Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF).

Esses fatores, somados ao fato de ser um dos países com maior área de terra agricultável e ter em seu território as riquezas da Amazônia, fazem com que o Brasil seja visto como um forte player internacional para atender à crescente demanda global por alimentos, além de liderar mercados emergentes atrelados à sustentabilidade, como o de carbono, e iniciativas que visam manter a floresta em pé e conter os efeitos das mudanças climáticas.

O uso  eficiente das reservas de água doce — o país dispõe de 12% do total mundial — e o acesso à energia favorecem a agricultura irrigada. Seu uso saltou de 800.000 hectares em 1970 para 8,2 milhões em 2022, mas tem potencial de chegar a 47,7 milhões de hectares, segundo a consultoria Cogo, principalmente no Centro-Oeste (16,3 milhões de hectares).

Nos textos a seguir, é exposta em detalhes cada uma dessas dimensões.

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