Empresa do ano, Localiza&Co chega aos 50 anos com ambição internacional

Empresa do ano em MELHORES E MAIORES, a Localiza completa cinco décadas com ambições renovadas dentro e fora do Brasil

Nova edição da revista EXAME: Localiza é escolhida empresa do ano no Melhores e Maiores.  (Leandro Fonseca/Exame)
Nova edição da revista EXAME: Localiza é escolhida empresa do ano no Melhores e Maiores. (Leandro Fonseca/Exame)
Natalia Viri
Natalia Viri

Editora do EXAME IN

Publicado em 14 de setembro de 2023 às 06h00.

Última atualização em 14 de setembro de 2023 às 09h28.

Em setembro de 2020, enquanto boa parte das empresas ainda tentava se reerguer durante a pandemia, a Localiza deu o passo mais ousado de seus quase 50 anos de história.

A companhia anunciou a fusão com a Locamerica/Unidas, a segunda maior locadora de veículos do país, numa combinação de negócios que a consolidaria não só na liderança isolada do segmento no Brasil, mas como uma das maiores do mundo, com uma frota que hoje chega a quase 600.000 carros. Após um longo processo no órgão antitruste — que deu seu aval com o placar apertado de 3 votos a 2 —, 2022 marcou finalmente a conclusão da transação e o casamento de duas empresas que compartilham o mesmo CEP e o mesmo DNA.

Assim como MELHORES E MAIORES, a Localiza, escolhida Empresa do Ano em 2023, também completa seu cinquentenário. Nasceu em 1973, quando as duplas de irmãos Eugênio Mattar e Salim Mattar, e Antônio Carlos Brandão Resende e Flávio Brandão Resende abriram uma agência no centro de Belo Horizonte com então seis Fuscas financiados. Os automóveis estão até hoje, com seu verde-bandeira reluzente, na sede da companhia.

Também mineira, a Locamerica foi fundada 20 anos depois, na época como Locarval e com uma frota de 16 carros, pelas mãos dos sócios Luis Fernando Porto e Sergio Augusto Guerra de Resende — e, em 2017, já havia se fundido à Unidas. “Foi o fechamento de um sonho, que acelerou muito nossos planos”, diz Eugênio Mattar, hoje na presidência do conselho da Localiza. “Trabalhamos muito ao longo de dois anos para fazer essa transação acontecer e, ao mesmo tempo, para manter a excelência dos negócios enquanto eles ainda estavam separados.”

(Arte/Exame)

No ano passado, a Localiza (agora rebatizada de Localiza&Co) faturou 21,6 bilhões de reais, 25% mais do que no ano anterior, já levando em conta os resultados proforma, que consolidavam os números de ambas as empresas, mesmo antes da concretização da fusão. No mesmo período, a Localiza teve uma adição líquida de 100.000 veículos à frota — já considerada a venda de 50.000 carros exigida pelo Cade para aprovar a transação.

Mais do que apenas se desfazer dos ativos, como frequentemente recomenda o regulador, a Localiza teve de fazer um carve-out: criar uma nova companhia que abrigasse esses veículos, 200 agências e a marca Unidas — e encontrar um comprador. A transação foi fechada em agosto de 2022, por 3,5 bilhões de reais, com o fundo de private equity Brookfield.

Bruno Lasansky e Eugênio Mattar, no carro que deu início ao negócio: preocupação com governança é tida como prioridade (Leandro Fonseca/Exame)

“Tivemos uma integração muito bem-sucedida, primeiro e principalmente porque cuidamos muito bem dos clientes e conseguimos manter os mais altos índices de excelência no atendimento”, afirma o CEO Bruno Lasansky. Em segundo lugar, como fator de sucesso, ele aponta a clareza da governança. “O presidente do conselho, o Eugênio, além do Luis Fernando Porto [da Locamerica], que passou a ser o vice-presidente do conselho, e eu tivemos um alinhamento muito claro do papel de cada um, e uma relação de confiança.”

Numa fusão de empresas de portes diferentes — os acionistas da Localiza ficaram com 78% da companhia resultante —, a Localiza&Co escalou Marco Túlio de Oliveira, ex-CFO da Locamerica e hoje responsável pela divisão de veículos pesados do grupo, para liderar a integração. “Isso simboliza que não era uma compra, e sim uma fusão”, diz Mattar. “Nesses casos, é importante ter planejamento, execução e, principalmente, humildade para mostrar que não existe ganhador ou perdedor.”

O lucro da Localiza foi de 2,7 bilhões de reais no ano passado, uma queda de 10% em relação a 2021, já excluindo os gastos extraordinários da fusão. Isso num momento em que as sinergias tinham apenas começado a ser capturadas. No ano passado, a Localiza definiu as estruturas, a nova marca e agora está atualizando a cultura da recente companhia. “A margem Ebitda, que mede a eficiência operacional, já começou a mostrar uma evolução importante a partir do primeiro trimestre de 2023”, diz Lasansky.

Loja da Localiza: agora o cliente pode destravar o carro diretamente pelo celular, sem a necessidade de passar pelo balcão (Leandro Fonseca/Exame)

Uma nova geração de fundadores

A Localiza atravessou boa parte da pandemia e a maior transformação de sua história em meio a um processo de sucessão, que marcou a entrada do primeiro CEO não fundador da companhia. Com nove anos de Localiza e até então no cargo de COO, -Lasansky, um engenheiro industrial nascido na Argentina, substituiu Eugênio Mattar que, por sua vez, tinha sucedido a seu irmão Salim. A transição, no entanto, não foi usual. “Acreditamos muito em empresa de dono, que tenha dono no conselho, dono na execução”, afirma -Mattar, que criou um programa inovador para formar o que chama de “nova geração de fundadores”.

Há dois anos, a Localiza levou aos acionistas a proposta de transferir até 2,5% do capital da empresa para novos executivos, que seriam escolhidos a dedo, numa participação a ser recebida além da remuneração usual. Lasansky foi o primeiro a ser agraciado, e periodicamente outros executivos poderão entrar na lista. Pacotes de remuneração polpudos costumam levantar as sobrancelhas dos investidores. Para evitar ruídos, Eugênio colocou a pasta embaixo do braço e fez um roadshow com os principais acionistas, colhendo os frutos da percepção de boa governança semeados pela companhia desde o IPO, em 2005. “Normalmente, os conselhos têm pouca interação com o mercado. Mas, nessas pautas de governança, resolvi assumir esse processo de engajamento”, diz.

(Arte/Exame)

A diferença em relação a outros pacotes de remuneração, além do valor, é que o prazo total de vesting (quando os executivos têm o direito de receber suas ações) é de 20 anos. Uma boa parcela vem logo no começo, para marcar o status da nova posição, porém mais da metade das ações só são recebidas no longo prazo. A ideia é de que os administradores tenham uma participação acionária relevante ao longo do tempo para fazerem da Localiza seu projeto de vida pessoal e patrimonial. Hoje, juntos, os fundadores da Localiza e da antiga Locamerica têm pouco mais de 20% do capital. “Somos uma corporation, mas queremos que o mercado tenha referência e que a empresa tenha uma estratégia sempre de longo prazo. Nós vamos envelhecer e queremos que esses executivos se tornem os acionistas que levarão a empresa para a frente”, diz Mattar.

Os próximos 50

A Localiza ainda vê uma avenida de expansão para sua principal atividade — e vem investindo em novos serviços e em inovação para estar cada vez mais presente na vida dos brasileiros. O Localiza Meoo, serviço de carro por assinatura como alternativa ao carro próprio, já tem mais de 40.000 clientes. Na mesma linha, o Localiza Zarp, voltado para motoristas de aplicativo com parceria da Uber, já tem dezenas de milhares de usuários. No fim do ano passado, a companhia lançou, ainda, o Localiza+, com serviços de manutenção e reparo em oficinas parceiras para quem tem carro próprio. “Compramos carros muito bem, montamos um processo de manutenção baratíssimo, um processo de vendas espetacular e somos uma empresa -triple A, com custo de capital barato”, diz Mattar. “Conseguimos ter custo baixo e entregar um nível de serviço de excelência para o cliente.”

Cidade do México: o país de 125 milhões de habitantes é uma das prioridades da companhia para os próximos anos (Getty Images/Getty Images)

Em todas as frentes, a tecnologia é uma das principais apostas. Desde o ano passado, a empresa vem escalando o Localiza Fast: o cliente aluga o carro pelo celular e não precisa ir até o guichê para retirá-lo. Ao chegar à loja, vai direto ao estacionamento, encontra o veículo, tira uma selfie pelo celular, e o carro destrava. Com base em uma tecnologia proprietária, o sistema está disponível em 90 lojas e já é usado em um de cada dez aluguéis de carros no Brasil. No Zarp e na divisão de pesados, o uso de ferramentas de telemetria permite mostrar o padrão de direção dos motoristas, levando em conta fatores como velocidade praticada, ultrapassagens arriscadas, freadas bruscas ou curvas muito intensas. “Isso contribui tanto para a eficiência, reduzindo o consumo de combustível e o custo de manutenção, e aumentando a vida útil, quanto para a prevenção de acidentes”, aponta Lasansky.

A empresa começou sua expansão internacional e acaba de inaugurar sua operação no México — um país com 125 milhões de habitantes e PIB equivalente a 60% ao do Brasil e que ainda não tem uma grande locadora consolidada. “Vamos operar lá como sempre operamos: aprendendo e ajustando. E só vamos acelerar o crescimento quando as bases do negócio estiverem construídas”, diz o CEO. “E, para nós, um negócio de sucesso é aquele que encanta o cliente, gera valor e tem uma equipe engajada.”

Com 70 anos completos neste ano e 50 anos de Localiza, Mattar afirma não conseguir vislumbrar os próximos 50. “Sempre achei que eu fosse um sonhador, mas, quando olho a Localiza hoje, percebo que nunca fui capaz de sonhar com tudo isso”, diz. “O time é competente e sonha alto. Eu tenho certeza de que a turma vai fazer alguma coisa maior do que eu estou imaginando.”


(Publicidade/Exame)

Acompanhe tudo sobre:MM2023Localiza

Mais de Revista Exame

Mais na Exame