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Cervejeiro amador dos EUA recria cerveja egípcia de 3 mil anos

Inspirado em receitas do Egito Antigo, cervejeiro usa figos raros e fermento de 850 a.C. para criar a bebida

A cerveja era parte da dieta cotidiana dos faraós egípcios há mais de 5 mil anos (Getty Images/Getty Images)

A cerveja era parte da dieta cotidiana dos faraós egípcios há mais de 5 mil anos (Getty Images/Getty Images)

Fernando Olivieri
Fernando Olivieri

Redator na Exame

Publicado em 25 de junho de 2024 às 12h52.

Última atualização em 25 de junho de 2024 às 13h24.

Durante a pandemia, Dylan McDonnell, um cervejeiro amador de Utah, nos Estados Unidos, teve a ideia de recriar uma cerveja inspirada em antigas receitas egípcias, utilizando fermento de 850 a.C.. A inspiração veio de Seamus Blackley, influenciador e designer de videogames, que fez pão com fermento egípcio de 4,5 mil anos. McDonnell decidiu tentar fazer o mesmo com cerveja. A reportagem é do The New York Times.

Recentemente, ele produziu uma cerveja âmbar que acredita ser a mais próxima do que Ramsés, o Grande, poderia ter bebido. Nos últimos anos, houve várias tentativas de recriar cervejas antigas, mas o americano foi além ao buscar ingredientes exatos que os egípcios usariam, fermentando-os com levedura antiga.

Enquanto o vinho é frequentemente associado à civilização greco-romana, “a cerveja era integral para as sociedades antigas no Levante e no antigo Oriente Próximo”, disse Marie Hopwood, estudiosa de cerveja antiga, em entrevista ao NYT. “Todos bebiam cerveja”, especialmente porque a água muitas vezes estava contaminada. Somente recentemente, a arqueologia da cerveja ganhou o respeito dado ao estudo do vinho, devido a preconceitos modernos.

Teor alcoólico menor e quente

A cerveja antiga teria menos teor alcoólico e era servida quente. Mulheres geralmente eram as responsáveis por fabricá-la. Limitado pelo trabalho e pela família, McDonnell levou mais de três anos para realizar sua ideia. Ele consultou o Papiro Ebers, um texto egípcio de receitas médicas de 1500 a.C., e encontrou cerca de 75 receitas de cerveja, compilando os ingredientes mais mencionados: tâmaras do deserto, mel de Sidra do Iêmen, figos sicômoros, passas douradas israelenses, bagas de zimbro espinhosas, alfarroba, cominho preto e incenso.

Figos sicômoros foram especialmente difíceis de encontrar. Mas, por sorte, a amiga Marika Dalley Snider, historiadora da arquitetura, encontrou uma família no Egito que cultivava esses figos há gerações. Para os grãos base, McDonnell escolheu cevada roxa egípcia e trigo emmer. Ele também procurou um fermento antigo, encontrando uma cepa extraída de uma ânfora em Israel usada pelos filisteus por volta de 850 a.C.

O fermento tem a capacidade de ficar dormente por longos períodos. As células em uma colônia dormente “ainda se comunicam”, disse Itai Gutman, fundador da Primer’s Yeast, que vende cepas antigas de microrganismos. Ele argumenta que a diferença entre o fermento antigo e o comercial é a mesma entre um lobo e um golden retriever. O fermento comercial cria um perfil de sabor mais previsível, enquanto o fermento selvagem é associado a sabores "off".

McDonnell ficou satisfeito com sua mistura histórica, que é inicialmente azeda, mas depois se torna mais complexa, com uma qualidade refrescante e parecida com a sidra. O sabor sugere damasco, com baixa carbonatação. Frequentemente perguntam a McDonnell como a cerveja se chama. Sem planos de vender a bebida, ele decidiu por um nome que reflete o perfil de sabor e suas origens: “Sabor do Sinai”.

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