Para ir além de cursos para programadores, Alura compra a edtech PM3

A plataforma de cursos online para desenvolvedores viu uma oportunidade de entrar no mercado de gestão de produtos. O valor da transação não foi divulgado

A escola de cursos online Alura, conhecida pelas formações na área de programação, acaba de anunciar a compra de participação relevante na edtech PM3, especializada na formação de profissionais da área de gestão de produtos digitais. O valor da transação não foi divulgado pelas empresas.

Para a Alura, fundada em 2013 pelos irmãos Paulo e Guilherme Silveira, a aquisição da startup é uma forma de complementar seu portfólio de produtos. Hoje, ela oferece mais de 1.200 cursos para a formação de desenvolvedores. Com a pandemia impulsionando o mercado de tecnologia, a empresa vê oportunidades de crescer ajudando outros profissionais que também trabalham com software, como os gerentes de produto, designers e cientistas de dados.

Nesse sentido, a PM3 é um complemento perfeito. Fundada há três anos por Marcell Almeida, Bruno Coutinho e Dan Printes, a empresa ajudou a construir no mercado brasileiro uma cultura de gestão de produtos digitais. Os sócios, que trabalharam como gerentes de produtos em companhias como Nubank e OLX, desenvolveram os cursos para ajudar novos entrantes no mercado de tecnologia a partir das necessidades que enfrentaram enquanto profissionais.

“Nosso conteúdo é aprofundado e se diferencia por trazer cases brasileiros de empresas como Nubank, Loggi e Conta Azul. Até então, tudo que existia no mercado eram cursos focados nas estratégias das empresas do Vale do Silício, que são muito diferentes da nossa realidade”, diz Marcell Almeida.

A edtech oferece 110 horas de conteúdo divididas em três cursos (Product Management, Product Discovery e Product Growth). Desde sua fundação, em 2018, a empresa já formou mais de 4.000 alunos. Só no ano passado, a operação cresceu 240% e terminou o ano com cerca de 3 milhões de reais de faturamento. Agora, com a entrada da Alura no negócio, a PM3 espera chegar ao final de 2021 com receita de 11 milhões de reais e um time de 12 pessoas.

Apesar da complementaridade dos cursos, as marcas decidiram seguir separadas, até para manter as suas comunidades de ex-alunos ativas, mas vão aproveitar as sinergias dos negócios para ampliar a oferta de cursos e chegar a mais estudantes. “Queremos ser a ponte que conecta e forma o mercado de tecnologia, startups e inovação no país”, diz Paulo Silveira, presidente do Grupo Alura.

A expansão da Alura

Silveira afirma que, depois dessa primeira aquisição, a estratégia de fusões e aquisições da Alura será cuidadosa. O plano não é comprar dezenas de empresas para ganhar market share mais rapidamente. “Estamos buscando comunidades de pessoas apaixonadas por tecnologia e pela nova economia. Se algum dia encontrarmos outra empresa que atue com skilling ou reskilling em áreas que fazem sentido para gente, vamos considerar outras aquisições”, diz o executivo.

No ano passado, a escola de cursos faturou sozinha 73 milhões, em um ano desafiador para o negócio. Com a pandemia, a empresa se viu impedida de continuar com as aulas presenciais nas unidades de São Paulo, Brasília e Rio de Janeiro. Em uma semana, ela precisou adaptar os cursos síncronos para o universo digital. Segundo Silveira, o negócio teve um pequeno declínio na receita em março e abril, mas logo voltou ao patamar anterior de faturamento. No ano, enquanto as matrículas nos cursos presenciais caíram 50%, a plataforma de cursos online assíncronos cresceu 60% e chegou a marca de 75.000 alunos ativos.

Agora, com apoio dos investidores institucionais, como o fundo Crescera Capital e o australiano Seek, a escola está aproveitando o bom momento do mercado de tecnologia para crescer e projeta faturar, com a PM3, 100 milhões de reais em 2021. Além disso, a companhia trabalha na tradução dos seus cursos para espanhol para poder levar sua plataforma para outros países da América Latina ainda neste ano.

O timing não poderia ser melhor. Segundo um relatório da Associação Brasileira das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação, o déficit de profissionais na área de tecnologia pode chegar a 260.000 pessoas até 2024 no Brasil. Essa escassez, associada a uma maior digitalização da economia, levou as empresas que atuam no segmento a correr para conquistar os bons profissionais. Dados da consultoria em recursos humanos Revelo mostram que os salários oferecidos aos profissionais de tecnologia dispararam cerca de 20% em 2020, em média.

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