Faturando R$ 60 mi, Moldura Minuto quer ser o McDonald’s das molduras

Rede está lançando um modelo de loja mais enxuto, que não realiza o emolduramento dos quadros e entrega em até 48 horas
Loja Smart da Moldura Minuto: sem emolduramento, lojas custam menos da metade que unidades tradicionais (Moldura Minuto/Divulgação)
Loja Smart da Moldura Minuto: sem emolduramento, lojas custam menos da metade que unidades tradicionais (Moldura Minuto/Divulgação)
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Luciana LimaPublicado em 24/04/2022 às 10:00.

O baque da pandemia e as mudanças de comportamento do consumidor após o isolamento obrigaram que muitas empresas revisassem o seu modelo de negócios. E isso não foi diferente para a Moldura Minuto, franquia especializada em molduras rápidas e personalizadas, que faturou R$ 60 milhões em 2021.

Fundada em 1999, a rede conta com 60 unidades e está lançando um formato novo de loja mais enxuto, sem estoque ou maquinário específico para emolduramento dos quadros. Batizadas de smart, elas possuem metragens menores e contam apenas com mostruários de molduras e paspatures. Como resultado, é possível abrir lojas do modelo com apenas R$ 100 mil, enquanto que as unidades tradicionais não saem por menos de R$ 280 mil.

“Depois da pandemia, entendemos que o comportamento do cliente havia mudado e só emoldurar de forma rápida não era o suficiente. Agora, ele queria comprar 100% pela internet, ou comprar na loja e receber em casa, algo que não fazíamos. Do outro lado, com a crise, meu franqueado queria investir menos em uma nova loja”, diz Antônio Carlos Viegas, fundador da Moldura Minuto.

Antônio Viegas, da Moldura Minuto: fábrica inspirada em fast-foods para entregar molduras com rapidez (Moldura Minuto/Divulgação)

Fast-food das molduras

Para que o negócio de lojas de moldura sem emolduramento desse certo, Viegas investiu R$ 1,5 milhão na construção de uma fábrica em São Paulo, responsável pela montagem dos quadros.

Em outra frente, a companhia contratou um gestor de tecnologia, cargo que até então não existia, e investiu R$ 5 milhões em tecnologia e logística. Com isso, desenvolveram um sistema próprio para acompanhar em tempo real os motoristas e otimizar as rotas, algo que permite que as entregas sejam feitas dentro de 48 horas.

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O segredo, segundo Viegas, está na formatação da fábrica, que passou a contar com linhas de montagem em série.

“Uma das partes mais trabalhosas do processo de emolduramento, não é o corte de vidro nem de moldura e, sim, a montagem dos quadros. Por isso, criamos células de montagem na fábrica, em paralelo com linhas de corte e limpeza para ganhar celeridade. Me inspirei no modelo de produção rápida do McDonald 's, em que os lanches chegam montados para as lojas”, diz.

A ambição do empreendedor, entretanto, é diminuir o tempo de entrega ainda mais, para apenas 24 horas, algo que deve ficar apenas para 2023. "O sonho é ter a fábrica funcionando sem parar para entregar nesse prazo. A nossa é inspiração é nos fast-foods, que prometiam dar o lanche de graça se não entregassem no prazo. Queremos fazer o mesmo com os quadros”, completa.

União do online e offline

Atualmente, 12 lojas da rede da Moldura Minuto são no formato smart, mas a meta da companhia é abrir mais 30 unidades no modelo até o final do ano e, no longo prazo, torná-la a loja padrão da franquia. “Nós não iremos exigir que os franqueados antigos mudem para o modelo smart, mas a nossa aposta é que, com o tempo, eles percebam que o formato é mais rentável”, diz.

Viegas admite que, no começo da pandemia, a companhia resistiu em realizar a entrega dos quadros, pois enxergava que atuar com logística era algo caro e complexo. Dois anos depois, o cenário mudou e o foco da rede é nos clientes que compram online porque eles gastam mais do que aqueles que vão à loja física. “O nosso ticket médio para as vendas online aumentou de R$ 380 para R$ 595. Além do investimento em tecnologia, aprendemos a vender à distância”, diz.

Entretanto, o empreendedor afirma que as lojas físicas ainda são importantes na estratégia da companhia, mas precisam atuar cada vez mais de forma consultiva. “Boa parte dos nossos clientes vêm para a loja sem saber ao certo o que querem. Por isso eu preciso ter um atendimento humanizado e próximo. O nosso foco é unir o online com o offline”, completa.