Empresas vendem testes de coronavírus pelo Rappi, feitos em drive-thru

A cada teste de covid-19 vendido, outro será doado, em parceria de empresas como Rappi, Vitta, Cia da Consulta, Loggi e Iguatemi. Serão 800 testes por dia

Um grupo de empresas, de saúde a logística e pagamentos, se uniu há algumas semanas para uma tarefa ambiciosa: comprar um batalhão de testes do novo coronavírus, disponibilizá-los ao maior número de pessoas possível e, com isso, aumentar os níveis de testagem (ainda muito baixos) no Brasil.

O projeto começa a ser posto em prática nesta quarta-feira, 20. Milhares de testes começam a ser vendidos hoje pela plataforma do aplicativo Rappi, como parte do movimento “#2em2”, criado por uma dezena de empresas em São Paulo.

O movimento ganhou esse nome porque, a cada teste vendido, um será doado para hospitais públicos e filantrópicos na mesma região onde o primeiro teste foi comprado. Os próprios usuários também podem optar, na hora da compra, por doar um teste. Cada unidade será vendida a 251 reais — a preço de custo, segundo as empresas.

Participam do projeto de startups a grandes conglomerados: nomes como Vitta, Stone, Cia. da Consulta, Rappi, Loggi, Iguatemi, Mattos Filho, XP, QR Consulting, OrbitaeSic Works e a ONG Renovatio.

“O movimento #2em2 nasce quase como uma resposta da sociedade civil para um dos maiores desafios dessa pandemia, que é a qualidade e quantidade de testes disponíveis”, diz Tiago Barros, diretor da startup de saúde Vitta e um dos responsáveis pela operação.

Os testes vendidos são do tipo rápido, que, com uma amostra de sangue, identifica anticorpos contra o coronavírus no corpo dos pacientes. O teste específico usado pelo grupo será feito com metodologia de plasma sanguíneo.

As coletas serão feitas nos estacionamentos dos shoppings em modelo de drive thru por profissionais de saúde treinados pela Cia da Consulta, uma das empresas parceiras. A capacidade é de 800 testes por dia.

O primeiro espaço onde os testes ocorrerão será no shopping Iguatemi, na unidade da Av. Brigadeiro Faria Lima. Outras unidades do grupo Iguatemi também podem receber mutirões de teste à medida em que o projeto avançar.

A testagem começa a partir do próximo dia 25 de maio. Para evitar aglomerações, será preciso agendar um horário na hora da compra pelo Rappi. O resultado será enviado digitalmente entre dois e cinco dias.

Projeto “2em2”: união de empresas para disponibilizar testes

Projeto “2em2”: união de empresas para disponibilizar testes (2em2/Divulgação)

União das empresas

O projeto formou uma banca médica para avaliar a qualidade e confiabilidade dos testes adquiridos, em parceria com o laboratório médico-científico da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do ABC (UFABC). O conselho ainda tem nomes como o infectologista David Uip, que foi responsável pela resposta ao coronavírus junto ao governo de São Paulo. As empresas afirmam que os testes adquiridos têm precisão acima de 97%.

Cada empresa contribuiu com uma parte da operação e doou tanto recursos quanto alocação de pessoas e espaço. As doações são operacionalizadas pela ONG Renovatio. A Loggi ajuda com a logística. O escritório Mattos Filho concedeu profissionais para ajudar na questão jurídica, como a proteção dos dados pessoais de quem fizer os testes. A Stone isentou a taxa dos cartões usados nos pagamentos. A Vitta, uma das idealizadoras do movimento e que atua em telemedicina, está ajudando com seus conhecimentos de medicina no Brasil e especialistas médicos.

Uma equipe de desenvolvedores da Rappi, que concentrará a venda dos testes, elaborou toda a interface e estrutura para as vendas pelo aplicativo da empresa. A Cremer, uma das maiores empresas de insumos hospitalares do Brasil, também ajudou na importação dos testes.

Barros, da Vitta, afirma que não há ainda uma meta de quantos testes devem ser realizados. O grupo já comprou um estoque de milhares de testes, e pretende comprar uma segunda leva. O objetivo é que o movimento se espalhe pelo restante do país, para que mais empresas façam testes em suas respectivas regiões. “Nosso sonho é que o movimento se repita em várias regiões do Brasil, que seja abraçado também por empresas de outros lugares para além de São Paulo”, diz Barros.