Por equidade, elas criaram grupo de investidoras para startups femininas

A Sororitê, criada por Flávia Mello e Erica Fridman, é uma rede que conecta empreendedoras e investidoras e já movimentou mais de R$ 2,5 milhões em um ano
Flávia Mello, cofundadora da Sororitê: rede já viabilizou mais de R$ 2,5 milhões para startups femininas (Sororitê/Divulgação)
Flávia Mello, cofundadora da Sororitê: rede já viabilizou mais de R$ 2,5 milhões para startups femininas (Sororitê/Divulgação)
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Maria Clara Dias

Publicado em 25/03/2022 às 16:22.

Última atualização em 25/03/2022 às 16:39.

Para Erica Fridman e Flávia Mello, há uma lacuna gigantesca entre a defesa da equidade de gênero na inovação e a quantidade real de mulheres no ecossistema empreendedor. Não é um problema apenas entre as fundadoras. Pelo contrário. Ainda são poucas as mulheres que sentam às mesas das rodadas de investimento em startups iniciantes — nos cálculos da Anjos do Brasil, elas são apenas 13%.

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Pensando nisso, as duas criaram a Sororitê, uma rede de investidoras que pretende reunir e engajar mulheres dispostas a investir em startups em estágio inicial fundadas por outras mulheres. Também fazem parte da liderança da rede Mariana Figueira e Jaana Goeggel.

Investidoras-anjo, as duas se conheceram em um evento sobre o tema em março do ano passado, quando decidiram criar a rede. De lá para cá, a Sororitê reuniu 60 investidoras que, juntas, já aportaram cerca de R$ 2,5 milhões em mais de 20 startups femininas.

Em outra frente, a rede é a oportunidade de encontrar um ambiente para conexões e trocas, explica Fridman. “Muitas vezes, nos falamos por achar que nossa dúvida ou inquietação pode ser ridicularizada em um meio predominantemente masculino e intimidador”, conta. “Com a Sororitê, a ideia é criar um espaço confortável para a troca de ideias e dúvidas. Como investidoras, sentíamos falta desse lugar e eu mesma já sofri essas dores”.

Na prática, esse ambiente se dá em encontros virtuais feitos mensalmente com todas as participantes da rede para a discussão de temas como acesso a capital e características, riscos e benefícios do investimento-anjo para novatas interessadas na modalidade.

O apoio às investidoras, porém, não é o único propósito da Sororitê. As startups que não concluem rodadas de investimentos na rede também recebem orientações e mentorias para crescer seus negócios e captar recursos no futuro. “Ter um lugar como esse é um motor para que empresas saiam do papel, principalmente startups femininas”, diz Mello.

Mello, que tem passagens por big techs como Uber e Facebook, é investidora-anjo e mentora de empresas fundadas por mulheres que desenvolvem soluções para o público feminino como SafeSpace, Feel, Oya, Todas Group e HerMoney. Já Fridman é mentora de empreendedores na aceleradora global Founder Institute e investidora-anjo de mais de dez startups.

A familiaridade com os problemas apresentados por empreendedoras em pitchs de 1 minuto também facilitam a captação de investimentos, segundo Fridman. “É muito confortável para uma mulher que criou uma femtech explicar as dores que a startup soluciona e ser compreendida por mulheres que também sabem do que se trata, sem gaps de gênero”.

No portfólio das investidas pelas investidoras da rede da Sororitê estão startups como a Feel, de saúde e bem-estar sexual feminino, a fintech HerMoney e a startup de live commerce Mimo.

“Isso é fazer história e é motivo de orgulho para nós. Agora, queremos continuar provocando impacto no ecossistema de investimento-anjo no país, provando que é possível alcançar a equidade”, diz Mello.

No futuro, a Sororitê também pretende ir além do investimento-anjo, conectando empreendedoras e investidoras dispostas a apresentarem propostas e depositaram cheques maiores em empresas mais maduras. “É o nosso sonho. Pular todos os portões e sermos capazes de atuar em todas as pontas", afirma Fridman.

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