Com R$ 35 mi, Vittude quer provar que saúde mental é papo corporativo

Healthtech que oferece plataforma para atendimento psicológico para empresas recebeu aporte série A e quer expandir pelo país
Tatiana Pimenta, CEO e fundadora da Vittude: startup recebeu R$ 35 milhões (Vittude/Divulgação)
Tatiana Pimenta, CEO e fundadora da Vittude: startup recebeu R$ 35 milhões (Vittude/Divulgação)
Por Maria Clara DiasPublicado em 15/03/2022 09:30 | Última atualização em 17/03/2022 12:27Tempo de Leitura: 4 min de leitura

A peregrinação em busca de uma consulta médica vai muito além dos conflitos de agenda em rotinas atribuladas. Ela começa ainda na busca por profissionais em redes credenciadas confusas de operadoras de saúde e passa pela dificuldade em encontrar médicos qualificados para atender necessidades específicas, como no caso do atendimento psicológico.

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De olho nisso, Tatiana Pimenta fundou em 2016 a Vittude, startup de saúde mental e psicologia online para empresas. A ideia para o empreendimento surgiu de uma vivência pessoal. Após ter depressão, em 2012, Tatiana teve dificuldades para encontrar psicólogos que atendessem seu plano de saúde, além de ter tido experiências negativas com profissionais nada experientes em lidar com o problema.

A tese da Vittude está baseada na responsabilização das empresas pelo bem-estar e saúde mental dos funcionários. “Vi uma oportunidade de mercado ali, e que é muito mais simples entender o papel das empresas em preservar esse bem-estar do que dar às pessoas a difícil missão de encontrar bons psicólogos e pagar por isso”, diz a CEO e fundadora da startup.

Na prática, a healthtech oferece uma plataforma de atendimento psicológico online, conectando pacientes (funcionários das empresas clientes) e profissionais de psicologia. A Vittude também fica a cargo de toda a curadoria na escolha desses psicólogos — que hoje são mais de 700. Já na carteira de clientes estão 160 grandes empresas, entre elas Grupo Boticário, Banco do Brasil e Saint-Gobain.

Outro pilar importante para a startup está na educação. Na prática, a Vittude pretende ir além dos serviços de terapia em si, mas também ensinar conceitos básicos ligados à saúde mental, como ansiedade, segurança psicológica e dicas sobre como respeitar os limites e evitar o estresse crônico.  “Ajudamos as empresas a entenderem para que serve e todos os benefícios de uma terapia para a cultura organizacional, e também ensinamos às pessoas sobre o que de fato é saúde mental e como ela pode ajudar em vários momentos da vida”, diz.

A lógica é imperativa. Com a pandemia, a saúde mental passou a ser assunto central nas empresas.  Um levantamento realizado pela B2P, consultoria especializada no acompanhamento e gestão de funcionários afastados por razões médicas, mostra que os transtornos mentais foram a segunda principal causa de afastamentos no trabalho entre março de 2020 e março de 2021. Além disso, em 2022, o burnout passou a ser considerado oficialmente uma doença de trabalho pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

O cenário colaborou para uma expansão na própria startup. Nos últimos 2 anos, a healthtech multiplicou por 10 o número de clientes, e por 30 o número vidas atendidas, para mais de 600.000. “Passa a ser estratégico que as organizações olhem para saúde mental como maneira de prevenir que cenários como esse ocorram”, diz.

Novos recursos

Agora, a startup acaba de receber um aporte série A de R$ 35 milhões para levar a proposta a um número maior de empresas pelo país. A rodada foi liderada pela gestora de private equity Crescera Capital, que já aportou em empresas como Tembici e Rock Content, e teve participação de Redpoint eVentures e Endeavor ScaleUp Ventures.

Com o aporte, a Vittude deve investir em melhorias tecnológicas para atrair mais empresas, com a intenção de chegar a pelo menos 300 clientes e, de quebra, atingir o primeiro milhão de vidas atendidas. No radar estão novos recursos preditivos para antecipar e prevenir adoecimentos. “Vamos ajudar empresas a usar dados para manter o time mais saudável do que adoecendo”, diz.

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