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Wiser, de Flávio Augusto, quer ir além do cursinho de inglês

A Wiser multiplicou o número de estudantes por seis nos anos de pandemia e deve fechar 2022 com faturamento de R$ 500 milhões

 (Wiser/Divulgação)

(Wiser/Divulgação)

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Mariana Desidério

1 de abril de 2022, 11h33

A pandemia da covid-19 foi um baque para boa parte das empresas de educação, que viram minguar a procura por seus cursos presenciais. Mas não para todas. A Wiser, dona da rede de escolas de inglês Wise Up, multiplicou o número de estudantes por seis nos anos de pandemia – foi de 65 mil para 400 mil alunos em 2022. A expectativa é fechar o ano com faturamento de 500 milhões de reais, mais que o dobro do registrado em 2019, quando chegou a 196 milhões de reais.

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O segredo do sucesso, segundo o presidente da Wiser, Flavio Augusto da Silva, foi a agilidade na tomada de decisão, e o olhar atento às tendências do mercado. Antes do coronavírus fechar as centenas de unidades da Wise Up, a empresa já estava com o olho no online. A Wise Up começou a investir no digital em 2018 e lançou seus primeiros cursos online em outubro de 2019. “Tínhamos o modelo online pronto e fomos rápidos em mudar”, diz Flávio Augusto. “Se está entrando água no seu navio, você precisa ser rápido e jogar o piano no mar, não pode ficar apegado”.

Ao observar o quadro da covid-19 nos países asiáticos e europeus o empresário logo percebeu que as medidas de isolamento social durariam bastante tempo no Brasil. “Vi que precisávamos de um plano que permitisse ficar com unidades fechadas por pelo menos dois anos”, lembra. As escolas da Wise Up fecharam no dia 18 de março de 2020, uma quarta-feira. No dia 23, a empresa já tinha um plano de ação que a transformava em uma rede com foco nos cursos online.

Os franqueados da marca foram incentivados a entregar os imóveis e adaptaram seus negócios para o universo online. A adesão rápida da rede ao online gerou resultados. A Wise Up não teve queda de receita na pandemia e ainda cresceu. Hoje a rede tem alunos em diversos países e continua operando no modelo de franquias, inclusive com cursos presenciais, após o fim das medidas de isolamento social. “Conseguimos passar por esse momento de incerteza fazendo uma adaptação de modelo muito bem sucedida”, afirma.

Além do inglês

A mudança de foco da empresa para o online abriu outro campo para a Wiser. A empresa deixou de focar apenas nos cursos de línguas e passou a olhar para todo tipo de curso que aumentasse a empregabilidade de seus clientes. A partir dessa tese – e com uma boa geração de caixa --, a Wiser foi às compras.

Nos últimos nove meses a empresa fez cinco aquisições. Os alvos são empresas com modelo de negócio já validado, que geram caixa e têm ebitda anual entre 5 milhões e 20 milhões de reais. “São empresas que já dão resultado e com as quais podemos contribuir para acelerar”, diz Silva.

A estratégia de aquisição é a seguinte: a Wiser compra uma participação minoritária no negócio com possibilidade de levar uma fatia maior ou até comparar 100% da empresa no futuro. Uma vez feita a aquisição, a Wiser entra para acelerar frentes como investimento em tecnologia, canal de vendas, gestão e marketing, a fim de impulsionar o crescimento das investidas.

“Percebemos que poderíamos usar nossa máquina de vendas e nossa expertise com outras empresas e montar um hub de edtechs”, afirma Carlos Lazar, diretor de estratégia da Wiser, que já mapeou mais de 100 edtechs com o perfil buscado pela companhia.

Das cinco aquisições recentes, três foram anunciadas este mês: o curso preparatório para concursos militares Eu Militar, a empresa especializada em cursos de vendas Vende-C,  e a plataforma BuQme, que oferece videoaulas sobre best-sellers. As outras duas empresas foram adquiridas no ano passado: a Conquer, escola de negócios da nova economia, e a Aprova Total, plataforma preparatória para o Enem e vestibulares. As frentes de negócios da Wiser ainda incluem a escola de empreendedorismo Meu Sucesso.com e a editora Buzz.

Com as aquisições, a expectativa da Wiser é fechar 2022 com faturamento de 500 milhões de reais. No médio e longo prazo, a meta é gerar 1 bilhão de reais em valor nas adquiridas e, lá na frente, estudar um IPO.

A avaliação de Flavio Augusto é de que o consumidor está mudando sua percepção sobre os cursos online. Na visão do empresário, deve haver um aumento da preferência por esse tipo de curso, mesmo com o fim das regras de isolamento social. “Nos Estados Unidos, tem curso online de faculdade que é mais caro do que o presencial, porque entrega mais comodidade e economia de tempo”, diz o empresário. “As pessoas perceberam que EAD não é curso de segunda categoria”.

A seu favor, a Wiser tem a vantagem de trabalhar com cursos não regulados, que podem ser oferecidos da forma que mais interessar ao consumidor. Isso permite que a empresa seja muito mais asset light do que gigantes como a Cogna, por exemplo, que precisa oferecer cursos presenciais e arcar com os altos custos da estrutura física. Após mais de 20 anos no negócio de cursos presenciais, Flávio Augusto não descarta voltar a focar nessa modalidade. Mas não agora. “Estamos focados no online”, diz.

A escolha permite que a Wiser concentre esforços para surfar a onda de cursos na internet que pipocaram nos últimos dois anos. “Ele está olhando para um mercado pouco profissionalizado, com muita demanda e que começou a ver muitas empresas surgirem na pandemia”, afirma Daniel Damiani, sócio da JK Capital, especializada em fusões e aquisições com forte atuação no segmento de educação. Para essas empresas, se associar à Wiser  significa profissionalizar áreas estratégicas do negócio. É um nicho ainda pouco significativo para as gigantes do setor, por ser formado principalmente por pequenas empresas nativas digitais. Enquanto as gigantes não chegam, a Wiser segue em frente.

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