Saraiva busca aval de credores para encolher para 13 lojas e evitar quebra

Rede de livrarias vai propor em assembleia se desfazer de até 44 das 57 unidades para abater dívida no processo de recuperação judicial

A Saraiva, que já foi a maior rede de livrarias do país, propõe encolher ainda mais para tentar sobreviver. A empresa centenária submete aos credores nesta quarta-feira, 9, alterações ao plano de recuperação judicial: o objetivo é se desfazer de até 44 das 57 lojas remanescentes e fazer uso do dinheiro para abater parte das dívidas de 595 milhões de reais.

Há dois anos, antes de ver a crise se agravar e entrar com o pedido de recuperação judicial, a Saraiva tinha mais de cem lojas no país.

Há dúvidas sobre se os credores estarão dispostos a aprovar o plano. É um grupo formado por shoppings, editoras e, do lado financeiro, o Banco do Brasil. A proposta prevê a hipótese de os credores assumirem as lojas, o que é igualmente incerto.

A companhia teve a recuperação judicial homologada há pouco mais de um ano. Mas não conseguiu cumprir com o plano, que já era considerado muito prejudicial aos credores por prever o pagamento de apenas 5% da dívida ao longo de 15 anos. Os demais 95% viriam na forma de debêntures emitidas no 16º ano depois da homologação do plano.

A pandemia do novo coronavírus, que chegou a levar ao fechamento de todas as lojas físicas da Saraiva em março e abril, interrompeu qualquer perspectiva de cumprimento do plano. No segundo trimestre, as receitas brutas caíram 83% na comparação com o mesmo período de 2019, para 28 milhões de reais. A operação online não evitou a queda.

Pelo aditamento apresentado no início de julho, a Saraiva divide as 57 lojas remanescentes em seis unidades produtivas isoladas (UPIs), separadas por regiões geográficas. E monta dois grupos que seriam colocados à venda em leilão, um com cinco UPIs e 41 lojas; e outro com quatro UPIs e 44 unidades (ou seja, há lojas coincidentes). A proposta é vender apenas o agrupamento de lojas que receber a maior oferta e continuar com o outro lote.

O comprador levaria os respectivos contratos de locação das lojas, algumas das quais em pontos valorizados, como o aeroporto de Guarulhos e os shoppings Morumbi e Pátio Paulista, todos em São Paulo; assumiria os funcionários das unidades e os estoques de livros. Mas há incertezas. Empresas que administram shoppings, como a Multiplan, e editoras proprietárias de livros cedidos em consignação podem questionar a legalidade da venda.

No melhor cenário, a rede de livrarias conseguirá nesta quarta aval dos credores para a mudança do plano de recuperação judicial e, em leilão posterior, reduzirá a dívida para 211 milhões de reais. No pior cenário, a proposta não será aprovada ou não conseguirá compradores e a Saraiva poderá ficar mais próxima da decretação de falência.

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