Negócios

Baré, Fruki, Coroa, Jesus: conheça os refrigerantes de guaraná que bombam pelos estados do Brasil

Uma dos bons exemplos de que o Brasil é realmente um país continental é a quantidade de refrigerantes regionais que são fenômenos pelo país

Fruki, Coroa, Jesus: três marcas famosas de refrigerantes regionais (Divulgação)

Fruki, Coroa, Jesus: três marcas famosas de refrigerantes regionais (Divulgação)

Daniel Giussani
Daniel Giussani

Repórter de Negócios

Publicado em 25 de maio de 2024 às 08h54.

Tudo sobreRefrigerantes
Saiba mais

Um bom exemplo de algo que materializa a frase "o Brasil é um país continental" é a quantidade de refrigerantes de guaraná que existem por aí. Além dos líderes nacionais, como Guaraná Antarctica, Kuat e Fanta Guaraná, muitos estados têm seus próprios campeões de venda — e xodós dos consumidores.

É o caso do Baré, por exemplo, fenômeno em Manaus desde 1960, e do Fruki, refrigerante gaúcho que faturou 640 milhões de reais no ano passado.

A EXAME passeou por cinco estados brasileiros para contar a história de seus "refrigerantes de estimação". Muitos outros não estão nesta lista, mas estarão em próximas. Fique de olho — e saboreie com moderação.

Baré (Amazonas)

Inspirado na tribo Barés da Amazonas, o refrigerante Baré surgiu nos anos 1960 em Manaus, no Amazonas. Nacionalmente, segundo o blog Viva os Anos 80, a bebida se popularizou durante os anos de 1980, com o lançamento de sabores tutti-frutti e noz-de-cola.

À época, a Baré era fabricada pela Antárctica. Hoje, pertence à Ambev. A transferência de dono aconteceu quando houve a fusão entre a Companhia Antarctica Paulista e a Companhia Cervejaria Brahma, em 2000. Logo na sequência, a bebida começou a desaparecer de algumas prateleiras, mas até hoje é comercializada no Amazonas, onde é um grande sucesso.

Crush, Mirinda, Grapette: o que aconteceu com os famosos refrigerantes que bombaram nos anos 80

Fruki (Rio Grande do Sul)

No Rio Grande do Sul, quando se fala em refrigerante de guaraná, logo pensa-se na Fruki, uma marca criada em 1924 com plantas industriais em Paverama e em Lajeado. Atualmente, a marca produz, além dos refrigerantes, uma linha de cervejas chamada Bellavista e a água mineral Água da Pedra. Aliás, com as enchentes que assolam o estado desde o final de abril, a empresa focou sua produção na fabricação de água potável e mineral, inclusive para doação. O grupo ainda tem linhas de sucos e energéticos, mas o forte mesmo segue sendo os refrigerantes, presente em praticamente todos os supermercados, restaurantes e bares gaúchos.

Com capacidade para produzir 600 milhões de litros de bebidas por ano, a empresa completa seu centenário neste ano com um faturamento recorde de 640 milhões de reais. Além do Rio Grande do Sul, também vende bebidas em Santa Catarina. 

Coroa (Espírito Santo)

O Grupo Coroa teve sua origem com o imigrante austríaco Roberto Carlos Kautsky. Após fracassar no comércio de café, Roberto começou suas experiências com o vinho de laranja em 1930. A empresa, inicialmente chamada de "Néctar de Laranja", foi formalmente estabelecida em 1933 sob o nome de Roberto Carlos Kautsky​​. Em 1950, incentivado por seus filhos, ele diversificou a produção para incluir refrigerantes, começando com o guaraná. Esse movimento marcou o início da transformação da fábrica artesanal de vinhos para uma fábrica de refrigerantes​​. Aos poucos, foi adicionando novos produtos na linha de produção, como refrigerantes de laranja e de limão e água mineral. Já nos anos 2000, passou a produzir também cervejas.

A marca virou referência no seu estado natal, o Espírito Santo. Por lá, tem cerca de 20% do mercado de refrigerantes e está presente em mais de 40.000 pontos de venda. Recentemente, comemorou um crescimento de faturamento na faixa de 17%, mas não divulgou qual foi o valor bruto. 

Quer dicas para decolar o seu negócio? Receba informações exclusivas de empreendedorismo diretamente no seu WhatsApp. Participe já do canal Exame Empreenda

Mate Couro (Minas Gerais)

Em Minas, uma das bebidas tradicionais mistura guaraná com as ervas mate e chapéu-de-couro, ambas muito tradicionais em solo mineiro. Trata-se da Mate Couro, criada por ali em 1947. Fundada por seis amigos mineiros, entre eles um farmacêutico, a bebida logo ganhou o gosto do pessoal do Estado. Em 1972, ganhou uma fábrica de 52.000 metros quadrados na região metropolitana de Belo Horizonte. 

Ao longo do século passado, a empresa lidou com a produção pelo contrato de franquias, o primeiro com a Pepsico e depois com a Companhia Antarctica Paulista. A partir de 2003, assumiu o próprio controle comercial. Hoje em dia, além do refrigerante, também vende sucos e água. Além da marca Mate Couro, também é responsável pela marca de refrigerantes Nick, com os sabores limão, abacaxi, cola e uva.

Guaraná Jesus (Maranhão)

Guaraná Jesus

De cor rosa, com sabor doce e peculiar, o Guaraná Jesus é um refrigerante típico do Maranhão e ícone do Estado nordestino. O nome, também peculiar, faz referência a Jesus Norberto Gomes, farmacêutico maranhense responsável pela bebida. A cor rosa e o sabor adocicado que lembrava vagamente os sabores de cravo e canela, ingredientes muito consumidos no Estado do Maranhão, se tornaram muito populares, a ponto do Guaraná Jesus se tornar praticamente um símbolo cultural maranhense.

No ano de 1960, a família Gomes vendeu a produção para a Cervejaria Antarctica Paulista. A marca, porém, continuou sendo de propriedade dos fundadores. Isso gerou uma briga judicial que fez a produção voltar aos Gomes, que voltaram a vendê-la em 1980, para a Companhia Maranhense de Refrigerantes.

Em 2001 a The Coca-Cola Company comprou os direitos da marca Guaraná Jesus e cinco anos mais tarde uma franquia da Coca Cola chamada Renosa comprou a Companhia Maranhense de Refrigerantes, fazendo com que o Guaraná Jesus continuasse a ser comercializado no Maranhão. Hoje também está em outros Estados, principalmente do nordeste brasileiro.

Acompanhe tudo sobre:Refrigerantes

Mais de Negócios

Maior hub de inovação do RS, Caldeira reabre após ficar embaixo d'água com a enchente; veja fotos

"Europa e EUA temem carros elétricos chineses", diz fundador da BYD

A inovação que mudou a indústria: como a Nespresso transformou o consumo de café com suas cápsulas?

Quem é a empresa do Paraná que fará casas 'tipo Lego' a preço de custo para as vítimas da enchente

Mais na Exame