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Temer reúne bancada mas tensão no PMDB ainda permanece

A rebeldia no PMDB preocupa a presidente Dilma Rousseff, que pediu na reunião de coordenação política na segunda-feira que os ministros trabalhem contra as divisões no partido

Após a reunião, Alves admitiu que é preciso "ouvir mais" e prometeu mais "diálogo" para evitar novas distensões dentro da legenda e da base aliada (Fabio Rodrigues Pozzebom/ABr)

Após a reunião, Alves admitiu que é preciso "ouvir mais" e prometeu mais "diálogo" para evitar novas distensões dentro da legenda e da base aliada (Fabio Rodrigues Pozzebom/ABr)

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Da Redação

Publicado em 23 de agosto de 2011 às 16h46.

Brasília - O vice-presidente Michel Temer se reuniu na segunda-feira com um grupo de deputados insatisfeitos com a falta de diálogo interno no PMDB e conseguiu reduzir parte da tensão interna, mas ainda há focos de resistência que podem manter a bancada dividida.

A rebeldia no PMDB preocupa a presidente Dilma Rousseff, que pediu na reunião de coordenação política na segunda-feira que os ministros mais próximos a ela trabalhem para acabar com as divisões no maior partido aliado e em outras legendas, como o Partido Progressista (PP).

Na reunião dos peemedebistas, o líder da bancada na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN), alvo de críticas dos rebeldes, reconheceu que deixou a desejar em alguns momentos e se comprometeu a ser mais democrático em suas decisões.

"Eu ficava duas três horas ouvindo deputados individualmente no confessionário (uma sala reservada do gabinete da liderança) e deixava de falar com o coletivo. Agora vou falar para todos, para que todos ouçam", disse Alves a jornalistas.

Segundo o deputado Danilo Forte (CE), um dos líderes do grupo de 35 deputados insatisfeitos --a bancada tem 80 parlamentares--, "o Michel (Temer) disse que ele (Alves) precisava assinar um termo de ajustamento de conduta".

Alves considera que esse grupo não é homogêneo. Na avaliação dele, há, por exemplo, aqueles que querem a saída do ministro do Turismo, Pedro Novais, aqueles que reclamam das decisões partidárias, e outros que exigem a votação da Emenda 29 (que regulamenta os gastos na área da saúde).

Um auxiliar de Temer, que falou sob a condição de anonimato, disse que a reunião serviu para abrir o diálogo, mas que assim como os relacionamentos amorosos, as tensões são resolvidas "aos poucos".


Uma outra iniciativa que pode ajudar na redução das tensões na bancada da Câmara é um jantar organizado por Temer nesta terça-feira e que contará com a presença de Dilma. Oficialmente, será uma homenagem ao novo ministro da Agricultura, Mendes Ribeiro, mas também servirá como gesto político da presidente em relação ao PMDB.

Até mesmo o ex-ministro da Defesa, Nelson Jobim, foi convidado e aceitou ir ao jantar. Será a primeira vez que Dilma e Jobim deverão se encontrar depois da saída abrupta dele do ministério, motivada por críticas a colegas de governo numa entrevista.

Relatoria e turismo

Apesar das ações de Temer e Dilma, ainda restam questões pontuais que continuarão como foco de tensão na bancada.

Os peemedebistas rebeldes insistem em substituir o deputado Eduardo Cunha (RJ), tido como protegido de Alves, da relatoria do Código de Processo Civil pelo deputado Arthur Maia (BA), um advogado. O líder da bancada não aceita a troca e sugere outra solução.

"Nós podemos manter o relator e nomear quatro subrrelatores para as principais áreas do Código e formar uma comissão de 15 notáveis (de fora do Congresso) para auxiliar na Comissão Especial (criada para fazer a reforma)", disse a jornalistas antes de levar a sugestão para a bancada nesta terça.

Entre os que defendem a saída do ministro do Turismo está a vice-presidente da Câmara, Rose de Freitas (ES), que acredita que ele não tem mais condições políticas e administrativas de continuar no cargo.

"Ela fez essa avaliação para mim, mas eu disse que isso era um desrespeito com um deputado da nossa bancada com sete mandatos na Câmara", contou Alves a jornalistas.

O líder da bancada é considerado o padrinho político da indicação de Novais, que sofre com denúncias de desvios de recursos públicos em seu ministério desde a Operação Voucher, da Polícia Federal, no início do mês.

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