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Supertufão Saola ameaça sul da China e pode ser a maior tempestade em 70 Anos

Autoridades da China continental emitiram um alerta máximo

Tufão Saola obrigou milhares de pessoas a abandonarem suas casas durante a passagem pelo norte das Filipinas durante a semana (AFP/AFP Photo)

Tufão Saola obrigou milhares de pessoas a abandonarem suas casas durante a passagem pelo norte das Filipinas durante a semana (AFP/AFP Photo)

AFP
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Agência de notícias

Publicado em 1 de setembro de 2023 às 07h26.

Última atualização em 1 de setembro de 2023 às 07h26.

Dezenas de milhões de pessoas no sul da China se preparavam nesta sexta-feira, 1, para a passagem do supertufão Saola, que paralisou cidades como Hong Kong e Shenzhen, e ameaça virar a tempestade mais potente na região em sete décadas.

As autoridades da China continental emitiram um alerta máximo de tufão que, segundo o Centro Meteorológico Nacional, pode ser o "mais potente" desde 1949 a tocar o delta do rio das Pérolas, que atravessa várias cidades importantes, como Hong Kong, Guangzhou, Shenzhen e Macau.

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Diante da possibilidade de um impacto direto em Hong Kong, as autoridades anunciaram que cogitam elevar o alerta ao nível máximo, o que só aconteceu 16 vezes desde o fim da Segunda Guerra Mundial.

Às 15H00 (4H00 de Brasília), Saola estava 140 quilômetros ao leste-sudeste de Hong Kong, com ventos de 210 km/h.

O supertufão pode atingir uma área a menos de 50 quilômetros ao sul, provocando uma tempestade ao redor de Victoria Harbour, segundo a meteorologia.

A cidade vizinha de Shenzhen, na China continental, anunciou a suspensão de quase todas as atividades a partir das 16H00 (5H00 de Brasília) e dos transportes três horas depois.

"Exceto os funcionários dos serviços de emergência e de proteção, recomendamos às pessoas que não saiam às ruas", afirmou o Departamento de Emergência da cidade de 17,7 milhões de habitantes.

"A cidade abrirá todos os refúgios para que as pessoas encontrem proteção", acrescentou o departamento.

Risco de graves inundações

En Hong Kong, o observatório meteorológico prevê que o ciclone provocará "graves inundações", similares às provocadas pelo tufão Mangkhut em 2018.

O Mangkhut deixou mais de 300 feridos em Hong Kong e provocou seis mortes na China, onde mais de três milhões de pessoas foram afetadas nas províncias do sul.

As ruas de Hong Kong amanheceram praticamente desertas, com uma leve chuva, que nas próximas horas deve evoluir para tempestades intensas, com fortes rajadas de ventos.

O centro financeiro internacional suspendeu a sessão da Bolsa de Valores e adiou o retorno do ano letivo.

Em Shenzhen, "as pessoas correram para estocar alimentos no último minuto", disse o proprietário de um pequeno mercado, Lu Yiming.

Centenas de voos foram cancelados, informaram as autoridades aeroportuárias.

As viagens de trens a partir de e com destino a Guangzhou também foram suspensas até sábado.

"Vai impactar a nossa vida", declarou Wu Wenlai, 43 anos, que administra um restaurante, obrigado a paralisar as atividades, no subúrbio de Shenzhen.

Macau, conhecida pelos cassinos, também emitiu um alerta de tufão de maior gravidade.

Tufões intensos

A mudança climático aumentou a intensidade das tempestades tropicais, com mais chuvas e rajadas ainda mais fortes que provocam inundações repentinas e danos às regiões costeiras, afirmam os cientistas.

O tufão Saola obrigou milhares de pessoas a abandonarem suas casas durante a passagem pelo norte das Filipinas durante a semana, mas não foram relatadas vítimas até o momento.

O sul da China é afetado com frequência no verão e outono (hemisfério norte, inverno e primavera no Brasil) por tufões que se formam nas águas quentes ao leste das Filipinas e avançam em direção ao oeste.

Embora possam causar perturbações em cidades como Hong Kong, as mortes são raras devido aos avanços nos métodos de construção e nos sistemas de gestão de inundações.

Em uma praia de Hong Kong, algumas pessoas aproveitaram para surfar as grandes ondas provocadas pela proximidade do tufão.

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