Peter Magyar, candidato pelo partido Tisza, após votar em Budapeste (Ferenc Isza/AFP)
Repórter de internacional e economia
Publicado em 12 de abril de 2026 às 15h40.
Última atualização em 12 de abril de 2026 às 15h47.
A Hungria realiza eleições nacionais neste domingo, 12, e os primeiros resultados da apuração indicam Peter Magyar à frente de Viktor Orbán, de direita nacionalista e aliado da família Bolsonaro e do presidente americano Donald Trump.
Com 21,5% dos votos apurados, o partido de Magyar obtinha 128 assentos no Parlamento, ante 62 do partido de Orbán. O Congresso húngaro tem 199 vagas.
Os 7,5 milhões de eleitores no país, assim como os mais de 500 mil registrados no exterior, podem escolher entre cinco partidos, em um sistema eleitoral majoritário misto muito favorável ao partido de Orbán, Fidesz (União Cívica Húngara).
Orbán, de 62 anos, tornou-se uma referência da direita nacionalista internacional, dentro e fora da Europa, por suas posições contrárias à imigração, sua oposição aos direitos LGBTQIA+. Ele busca o quinto mandato.
As seções eleitorais abriram às 6h e fecharam às 19h (14h em Brasília). A taxa de participação era de 77,8% às 18h30 na hora local, segundo a Comissão Eleitoral, um recorde.
Pesquisas de institutos independentes preveem uma ampla vitória do partido de oposição Tisza, de Magyar, de 45 anos, que em dois anos conseguiu construir um movimento capaz de fazer sombra ao primeiro-ministro, cuja popularidade caiu devido à desaceleração da economia.
"Escolhemos entre o Leste e o Ocidente, entre a propaganda e um debate público honesto, entre a corrupção e uma vida pública íntegra", disse Magyar após votar em Budapeste.
Orbán transformou este país de 9,5 milhões de habitantes em um modelo de democracia antiliberal. Entre os dirigentes da UE, é uma exceção por sua proximidade com o presidente russo Vladimir Putin, e criticou as sanções do bloco contra a Rússia desde que ela invadiu a Ucrânia em 2022.
Por sua vez, instituições próximas ao poder preveem uma vitória da coalizão Fidesz-KDNP, de Orbán, que busca um quinto mandato consecutivo.
Se a disputa for muito apertada, é possível que não seja declarado um vencedor até a conclusão da contagem total dos votos no próximo sábado, segundo a Comissão Eleitoral.
O vice-presidente dos EUA, JD Vance, com o premiê húngaro Viktor Orbán, em encontro em Budapeste (Attila Kisbenedek/AFP)
"Felizmente, temos muitos amigos no mundo. Da América à China, passando pela Rússia e o mundo turco", declarou Orbán após votar, e disse que não permitirá que Bruxelas "prive" a Hungria de "seu futuro e sua soberania".
O vice-presidente americano JD Vance visitou Budapeste nesta semana para apoiar Orbán e criticar a ingerência dos "burocratas de Bruxelas".
O próprio Trump multiplicou as mensagens na sexta-feira, prometendo colocar a "potência econômica" dos Estados Unidos a serviço de Orbán, que encarna a luta contra a imigração e a defesa da "civilização ocidental".
Durante a campanha, Orbán prometeu prosseguir sua repressão contra as "falsas organizações da sociedade civil, os jornalistas vendidos, os juízes e os políticos".
Orbán também se apresenta como um baluarte contra a Ucrânia, que acusa de querer arrastar os húngaros para a guerra.
Com AFP.