Restrições contra empresas chinesas entram em vigor nos EUA

Em mais uma briga entre Washington e Pequim, mais de 30 companhias chinesas ficarão proibidas de fazer negócios com empresas baseadas nos Estados Unidos
 (Jonathan Ernst/Reuters)
(Jonathan Ernst/Reuters)
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Gabriela Ruic

Publicado em 05/06/2020 às 06:52.

Última atualização em 05/06/2020 às 07:50.

Menos de seis meses depois da assinatura do acordo comercial fase um entre os Estados Unidos e a China, a relação entre Washington e Pequim está novamente estremecida. A partir desta sexta-feira (5), 33 empresas chinesas serão adicionadas a uma lista de entidades que terão acesso restrito à compra de bens americanos ou a itens produzidos em outros países, mas que façam uso ou contenham tecnologia americana.

A motivação do governo de Donald Trump na implementação da medida se baseia na acusação de que tais entidades estariam ajudando a China na perseguição dos muçulmanos da etnia uigur que vivem na província de Xinjiang. Algumas das empresas, diz o Departamento do Comércio dos Estados Unidos, foram listadas por “serem complacentes com a violação de direitos e abusos cometidos pela China” contra essas pessoas.

Segundo a organização Minority Reports, os uigures são um povo remanescente de um império de mesmo nome e que vive majoritariamente no Cazaquistão. Uma parte emigrou para o território que hoje faz parte da China, principalmente Xinjiang, e são alvo de uma campanha de repressão de Pequim. Nos últimos anos, essa perseguição se traduziu em campos de detenção, com denúncias de violência: segundo a rede britânica BBC, havia um milhão de pessoas detidas sem julgamento nesses campos em 2019.

A ideia, portanto, seria a de punir a China por essas violações, ao mesmo tempo em que os Estados Unidos golpeiam o desenvolvimento militar do país. Entre as empresas que entrarão nesta lista, estão companhias focadas no desenvolvimento de tecnologias de reconhecimento facial e inteligência artificial.

No fim de maio, os Estados Unidos já haviam ameaçado revogar o tratamento especial dado a Hong Kong no comércio com os Estados Unidos depois que a Casa Branca decidir que não considera mais o território como uma região autônoma da China. As novas restrições às empresas chinesas são mais um capítulo da disputa cada vez mais acirrada entre as duas maiores economias do mundo, que parece não ter data para acabar.