Para não perder iate, bilionários russos ficam de fora de festas na Europa

Após o anúncio de sanções, membros da elite do país precisam se afastar das comemorações para preservar patrimônio
Bilionários da Rússia: já foram apreendidos mais de uma dúzia de iates avaliados em mais de US$ 2,25 bilhões (AFP/AFP)
Bilionários da Rússia: já foram apreendidos mais de uma dúzia de iates avaliados em mais de US$ 2,25 bilhões (AFP/AFP)
Por O GloboPublicado em 21/05/2022 17:49 | Última atualização em 21/05/2022 17:49Tempo de Leitura: 3 min de leitura

Magnatas russos estão se afastando do Mar das Baleares este ano. A região é conhecida como ponto de encontro para festas nos preparativos para o verão europeu pelas boates famosas e ensolaradas ilhas espanholas.

No entanto, as águas se tornaram traiçoeiras para os oligarcas desde que a Espanha, Itália e outros governos começaram a confiscar megaiates e outros bens de luxo após o início da guerra entre a Rússia e a Ucrânia.

Já foram apreendidos mais de uma dúzia de iates avaliados em mais de US$ 2,25 bilhões, segundo a Bloomberg.

Mais conhecido pelas ilhas turísticas de Maiorca e Ibiza, apenas um navio ligado a um magnata russo sancionado foi visto na região recentemente, depois que as sanções foram impostas aos russos, de acordo com uma análise da Bloomberg News a partir de números da Spire Global, que fornece dados de inteligência marítima.

— Todo russo rico que possui um megaiate, mesmo que não esteja nas listas sancionadas agora, definitivamente pensará duas vezes antes de mudar seus iates para Maiorca, Ibiza ou qualquer lugar da Europa — disse Denis Suka, um influenciador conhecido como Yacht Mogul à Bloomberg.

A Espanha em abril apreendeu o superiate Tango de US$ 95 milhões vinculado a Viktor Vekselberg em nome dos Estados Unidos enquanto estava em Maiorca. Pelo menos três outros navios, incluindo o Lady Anastasia, que também estava em Maiorca, foram apreendidos pelo governo espanhol.

Isso levou os megaiates ligados a oligarcas e magnatas nas listas de sanções a ficarem longe do Mar das Baleares, uma parte do Mar Mediterrâneo localizada entre o leste da Espanha, o sul da França e a ilha italiana da Sardenha.

— Ibiza e Maiorca são os destinos favoritos dos russos com dinheiro. No verão, Ibiza é um centro de festas 24 horas por dia, 7 dias por semana, mas nenhum russo levaria seus iates para lá agora — disse Suka.

Das três dúzias de navios de russos sancionados rastreados pelo Spire, o único que enfrentou essas águas nesta primavera foi o Solaris, vinculado ao bilionário Roman Abramovich.

O navio estava ancorado em Barcelona quando a Rússia invadiu a Ucrânia em 24 de fevereiro e rapidamente saiu da região dias depois, de acordo com dados do navio compilados pela Bloomberg.

Desde o início da guerra, os luxuosos palácios flutuantes se espalharam para destinos menos propensos a apreender os navios. No topo dessa lista estão as águas do Mar Laccadive, que faz fronteira com as ilhas tropicais das Maldivas.

Pelo menos cinco buscaram a segurança das Maldivas e das águas vizinhas, incluindo o Nord, de US$ 500 milhões, ligado ao bilionário do aço Alexey Mordashov. O Nord parou brevemente no Sri Lanka em março, enquanto navegava para a segurança do porto russo de Vladivostok.

Os iates parecem estar procurando jurisdições confortáveis onde possam se esconder: Seychelles, Maldivas, Dubai, Fiji, esperando que estejam longe o suficiente do alcance das sanções — disse Ian Ralby, executivo-chefe da IR Consilium, uma empresa que presta consultoria de segurança marítima.