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Ministro de Defesa sul-coreano renuncia e Pyongyang ameaça

Oposição do país vinha pedindo a saída de Kim Tae-young por não gostarem da resposta dada à investida de Pyongyang

Kim Tae-young, ministro da Defesa sul-coreano, foi pressionado para renunciar (Alex Wong/Getty Images)

Kim Tae-young, ministro da Defesa sul-coreano, foi pressionado para renunciar (Alex Wong/Getty Images)

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Da Redação

Publicado em 25 de novembro de 2010 às 09h02.

Seul - O regime comunista da Coreia do Norte ameaçou nesta quinta-feira efetuar "poderosos ataques" à Coreia do Sul, enquanto o ministro da Defesa sul-coreano, Kim Tae-young, apresentou sua renúncia ao cargo, segundo agências dos dois países.

De acordo com a agência "Yonhap", o presidente sul-coreano, Lee Myung-bak, aceitou sua renúncia, um pedido de setores da oposição que queriam uma resposta mais contundente do Governo diante das "provocações" do regime comunista norte-coreano. Um porta-voz oficial disse que o Governo deve anunciar o nome do sucessor de Kim nesta sexta-feira.

Dois dias depois do episódio que causou a morte de dois militares e dois civis na ilha sul-coreana de Yeonpyeong, a Coreia do Norte advertiu seu vizinho que responderia "qualquer provocação" com uma "segunda e terceira rodada de ataques", segundo a agência oficial "KCNA".

O regime de Kim Jong-il culpou ainda os Estados Unidos, principal aliado de Seul, de ter semeado a disputa nas instáveis águas do Mar Amarelo após ter estabelecido de forma unilateral, no fim da Guerra da Coreia (1950-1953), uma fronteira muito próxima à costa norte-coreana.

As águas do litoral ocidental da península coreana foram palco de inúmeros incidentes entre os dois países, embora o da última terça-feira tenha sido um dos mais graves em seis décadas.


A Coreia do Sul, que tem tropas permanentes em suas cinco ilhas do Mar Amarelo, ordenou nesta quinta-feira o fortalecimento da defesa na região para que o país esteja preparado para "outra provocação" norte-coreana que "pode ocorrer em qualquer momento", segundo o presidente Lee Myung-bak.

Os soldados desdobrados nas ilhas receberão armamento de última geração, segundo fontes oficiais informaram nesta quinta-feira após uma reunião do presidente com seus ministros e assessores de segurança nacional e economia.

Além disso, o Governo de Seul decidiu modificar as chamadas "regras de combate" na região, ou seja, o tipo de resposta militar dada em um possível ataque norte-coreano, informou a agência local "Yonhap".

Até agora, essas normas eram "bastante passivas" para evitar uma escalada da violência, segundo o porta-voz presidencial sul-coreano, Hong Sang-pyo, mas caso sejam revisadas, permitirão reações mais contundentes a certos ataques, como os dirigidos a civis.

As novas regras serão discutidas com as forças militares dos EUA no país, cerca de 28.500 soldados que permanecem na península como legado do conflito coreano há 60 anos.

De acordo com a Coreia do Sul, o ataque teria sido ordenado pelo líder norte-coreano para reforçar o poder de seu filho mais novo e provável sucessor, Kim Jong-un, na cúpula militar.

Segundo a imprensa conservadora sul-coreana, o ditador, de 68 anos, teria visitado, junto com o jovem Kim, que estima-se que tenha 27 anos, a base militar de onde foram efetuados os disparos contra Yeonpyeong alguns dias antes do ataque.

Enquanto isso, a Coreia do Sul prossegue com seus esforços diplomáticos para que a comunidade internacional pressione Pyongyang para que interrompa suas provocações.


Com a condenação de praticamente toda a comunidade internacional ao ataque de terça-feira, Seul se concentrou em obter o respaldo de Moscou e Pequim, que considera "vitais" para responder ao ataque à ilha de Yeonpyeong.

O apoio da Rússia, que também mantém laços com Pyongyang, e da própria China é indispensável para uma eventual condenação no Conselho de Segurança da ONU, no qual ambos têm poder de veto, embora Seul ainda não tenha detalhado se levará o caso ao organismo.

A China, o principal aliado político e econômico do regime norte-coreano, expressou sua preocupação com o incidente e a deterioração da situação na região, mas não chegou a condenar abertamente a Coreia do Norte.

Pequim sofre pressão dos EUA e do Japão, cujos responsáveis de Relações Exteriores, Hillary Clinton e Seiji Maehara, mantiveram nesta quinta-feira uma conversa telefônica na qual concordaram em que a influência chinesa é fundamental para diminuir tensões.

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