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Exame/IDEIA: o congelante e essencial estado onde Trump passou a perder

Polo automobilístico e na fria região dos Grandes Lagos, o Michigan deu vitória a Trump em 2016. Agora, Biden lidera no estado, mostra pesquisa Exame/IDEIA

Trump no Michigan em 2017: polo automotivo americano perdeu espaço na economia e motivou parte dos eleitores a votar no presidente (Jonathan Ernst/Reuters)

Trump no Michigan em 2017: polo automotivo americano perdeu espaço na economia e motivou parte dos eleitores a votar no presidente (Jonathan Ernst/Reuters)

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Carolina Riveira

Publicado em 18 de setembro de 2020 às 11h23.

Última atualização em 18 de setembro de 2020 às 14h03.

As eleições americanas têm alguns estados cruciais. Há quatro anos, no último pleito presidencial, a candidata democrata Hillary Clinton perdeu para Donald Trump em um deles: o Michigan, que fica na congelante região dos Grandes Lagos no norte dos Estados Unidos. Naquela ocasião, Trump venceu por pouco menos de 11.000 votos entre os 4 milhões de votantes.

Desta vez, o presidente aparece perdendo no estado, segundo nova pesquisa de intenção de voto exclusiva feita com eleitores dos Estados Unidos pelo Exame/IDEIA, que une Exame Research, braço de análise de investimentos da EXAME, e o IDEIA, instituto de pesquisa especializado em opinião pública.

A sondagem mostrou que 51% dos eleitores no estado votaria em Joe Biden se a eleição fosse realizada hoje, ante 43% de Trump e 6% indecisos.

Trump lidera entre os mais velhos e no segmento rural, enquanto Biden lidera entre negros, jovens e pessoas que votarão pelo correio -- modalidade criticada pelo presidente

O número de pessoas que desaprova o presidente, passados quatro anos de mandato, também é maior do que as que avaliam bem o governo. "Como foi em 2016, Michigan será decisivo", disse Maurício Moura, fundador do IDEIA e pesquisador na Universidade George Washington, ao apresentar os resultados da pesquisa no podcast EXAME Política, que vai ao ar todas as sextas-feiras com os principais temas da eleição americana (ouça o episódio no fim da reportagem)

(Arte/Exame)

O Michigan é lar da cidade de Detroit, que foi por muito tempo um dos maiores polos automobilísticos e industriais do mundo, mas tem sofrido desafios econômicos em meio à queda global dessa indústria. Esse foi um dos motivos que levou parte dos eleitores para Trump há quatro anos.

A derrota apertada de Hillary Clinton no Michigan é até hoje lembrada no Partido Democrata como um dos pontos cruciais que a fizeram perder a eleição

"Alguns inclusive atribuem a derrota da Hillary a uma candidata do partido verde chamada Jill Stein, que teve 51.000 votos. Talvez o destino do país tivesse sido outro se não houvesse esse candidata", explicou Moura.

A menos de dois meses da eleição, marcada para 3 de novembro, Biden vence em todas as quatro regiões do Michigan, com uma margem maior do que Hillary tinha no mesmo período, aponta Moura.

De 2016 para cá, algumas coisas mudaram: os democratas tiveram bons resultados na eleição para o Senado e elegeram até mesmo a governadora do Michigan, Gretchen Whitmer, de 49 anos e também considerada uma das promessas do partido.

"Os democratas têm crescido muito no Michigan", diz Maurício Moura, do IDEIA

O Michigan tem cerca de 10 milhões de habitantes (menos do que a cidade de São Paulo), mas o suficiente para garantir 16 votos no colégio eleitoral americano. É um número significativo dentre os 538 votos totais do colégio eleitoral e levando-se em conta que a maioria dos estados tem menos de 10 votos.

No sistema eleitoral americano, vale lembrar, cada estado tem um número de votos e a tendência e quem ganha leva todos os votos na maior parte dos estados, mesmo que a vitória tenha sido apertada (entenda o colégio eleitoral neste episódio do podcast EXAME Política).

Nacionalmente, Trump também aparece perdendo para Biden. O presidente tem 44% de intenções de voto, contra 52% de Biden, como mostrou pesquisa recenta do Exame/IDEIA.

Biden também aparece vencendo, além do Michigan, em outros estados decisivos -- o que importa mais nos EUA do que os votos absolutos nacionalmente. Mas a disputa será novamente apertada. Na Flórida, por exemplo, outro dos estados decisivos, os candidatos aparecem virtualmente empatados. A Flórida tem 29 votos no colégio eleitoral (um dos estados com mais votos).

O podcast EXAME Política vai ar toda as sextas-feiras com os principais temas da eleição americana. Ouça o novo episódio abaixo e siga na sua plataforma de áudio preferida para acompanhar os próximos programas.

https://open.spotify.com/show/0tuTDgNeyryxTAG4fIpLKz

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