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Emirados exigem retirada "sem condições" dos rebeldes huthis de Hodeida

Os Emirados Árabes, que fazem parte da coalizão contra os rebeldes huthis, exigiram que os rebeldes deixem Hodeida, importante cidade portuária do Iêmen

Se isso não acontecer, estamos determinados a conseguir nossos objetivos, disse Gargash (Abduljabbar Zeyad/Reuters)

Se isso não acontecer, estamos determinados a conseguir nossos objetivos, disse Gargash (Abduljabbar Zeyad/Reuters)

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AFP

Publicado em 18 de junho de 2018 às 14h20.

Dubai - Os Emirados Árabes Unidos, um pilar da coalizão contra os rebeldes huthis no Iêmen, exigiram nesta segunda-feira (18) que os insurgentes se retirem "sem condições" da cidade portuária de Hodeida, essencial para as importações de alimentos e para a chegada de ajuda humanitária.

"A operação militar [para recuperar] o porto de Hodeida continuará, a menos que os rebeldes se retirem sem condições", declarou à imprensa, de Dubai, o ministro de Estado das Relações Exteriores dos Emirados, Anuar Gargash.

O chanceler acrescentou que a coalizão mantém aberta uma estrada que une Hodeida a Sanaa - a capital iemenita, controlada pelos rebeldes - para permitir "às milícias huthis se retirarem".

O diplomata afirmou ainda que a pressão militar exercida pela coalizão sobre Hodeida busca ajudar o "enviado da ONU em sua tentativa de último recurso para convencer os huthis a se retirarem sem condições".

"Se isso não acontecer, estamos determinados a conseguir nossos objetivos", ressaltou.

No domingo, o enviado da ONU para o Iêmen, Martin Griffith, reuniu-se em Sanaa com autoridades rebeldes no âmbito de uma mediação dirigida a deter os combates e a evitar uma nova catástrofe humanitária no país. Nesta segunda, fará um relato sobre o encontro ao Conselho de Segurança.

Na linha de frente, ao sul do aeroporto de Hodeida, sete soldados pró-governo e 18 rebeldes morreram nas últimas trocas de disparos, informaram fontes militares e médicas nesta segunda-feira. Com isso, sobe para 164 o número de mortos em ambos os lados, segundo as mesmas fontes.

Os huthis, desafiadores

O primeiro-ministro da administração rebelde, Abdel Aziz ben Habtur, insistiu, durante seu encontro no domingo com o representante da ONU em Sanaa, que não está prevista uma trégua nas condições atuais.

"A paz que o povo quer não será obtida nas costas dos mártires, dos feridos e dos grandes sacrifícios realizados em quatro anos", disse ele, segundo a agência Saba, controlada pelos huthis.

"Responderemos qualquer escalada com uma escalada, seja em Hodeida, seja em outro ponto" do país, insistiu.

Os rebeldes continuavam tentando perturbar a chegada de reforços das forças do governo, controlando uma parte da estrada costeira ao sul de Hodeida.

Em seis dias de ofensiva contra Hodeida, as forças pró-governo alcançaram o aeroporto dessa cidade de cerca de 600.000 habitantes.

"Podemos tomar o aeroporto, mas estamos sob uma chuva de fogo procedente dos bairros residenciais vizinhos. Não queremos replicar para não pôr os civis em risco", argumentou Anuar Gargash.

Milhares de deslocados

A operação provocou um novo movimento de deslocados. Desde o início de junho, somaram-se quase 4.500 famílias deslocadas, segundo a Agência da ONU para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA).

Várias ONGs manifestaram, nos últimos dias, sua preocupação com as consequências dessa batalha, em um país, no qual a guerra deixou quase 10.000 mortos desde 2015 e provocou a "pior crise humanitária no mundo", segundo a ONU.

"A batalha de Hodeida pode ter um impacto devastador nos civis, tanto na cidade quanto em outros lugares do Iêmen", advertiu a diretora para Oriente Médio da ONG Human Rights Watch, Sarah Leah Whitson.

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