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China diz que surto de covid-19 infectou 80% da população

Wu Zunyou, epidemiologista chefe do Centro de Controle e Prevenção de Doenças da China, afirmou que a possibilidade da doença voltar a se espalhar nos próximos dois ou três meses é remota

China: Em dezembro, a China suspendeu a estratégia de "covid zero", política com objetivo de reduzir ao máximo o número de casos (AFP/AFP)

China: Em dezembro, a China suspendeu a estratégia de "covid zero", política com objetivo de reduzir ao máximo o número de casos (AFP/AFP)

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André Martins

21 de janeiro de 2023, 16h53

Após um grande surto de covid-19 lotar os hospitais da China, um importante cientista ligado ao governo chinês disse nesse sábado, 21, que 80% das pessoas do país já foram infectadas.

Wu Zunyou, epidemiologista chefe do Centro de Controle e Prevenção de Doenças da China, afirmou que a possibilidade da doença voltar a se espalhar nos próximos dois ou três meses é remota. O deslocamento em massa durante o feriado do Ano Novo Lunar era uma preocupação, mas autoridades dizem que o pico de casos já foi atingido. 

Quase 60 mil pessoas com covid-19 morreram nos hospitais chineses até o dia 12 de janeiro. O número subestima o impacto, uma vez que não contabiliza quem morreu em casa, além de médicos já terem afirmado que são desencorajados a citar a doença como causa de morte dos pacientes.

Durante a onda, o governo disse que não seria possível rastrear os contágios e casos. Estudos diferentes apontaram para estimativas que vão de mais de 1 milhão a 2 milhões de mortes na China com o fim da política de "covid zero"

Em dezembro, a China suspendeu a estratégia de "covid zero", política com objetivo de reduzir ao máximo o número de casos para, assim, evitar que a doença se agravasse para mortes e casos graves. A política continuou mesmo após o início da vacinação, com quarentenas totais sempre que os casos começavam a subir em alguma região para evitar que a crise escalasse para o resto do país.

Criticada, a "covid zero" desacelerou a economia do gigante asiático e desencadeou grandes manifestações. Desde então, o país registrou um aumento no número de casos. A baixa taxa de vacinação com a dose de reforço, principalmente entre idosos, ajudou na rápida propagação da doença. Wuhan, uma metrópole às margens do rio Yangtse, registrou os primeiros casos de covid-19 no mundo no final de 2019.

Na sexta-feira, 20, a Organização Mundial da Saúde (OMS) elogiou a China por fazer rápido progresso na vacinação de idosos. "A China está fazendo um enorme progresso e esforço para chegar a todos os adultos mais velhos com doses primárias e doses de reforço", disse Kate O'Brien, da OMS, em coletiva de imprensa em Genebra.